Com o aumento no preço do petróleo e na pressão constante em torno da adoção de tecnologias limpas para a geração de energia, o ramo dos painéis solares tem sido foco de muitas pesquisas.
Atualmente, as células solares são competitivas para geração de energia doméstica (competindo com os preços da energia cobrados ao consumidor final) mas são ainda muito mais caras que outros métodos de geração, incluindo energia eólica e até mesmo energia nuclear.
Em outras palavras, se você tiver dinheiro para bancar a instalação das placas, inversor e fiação (e presumindo que consiga obter a permissão para usar um sistema on-grid e vender o excedente de energia de volta para a concessionária), um sistema solar já pode ser um bom negócio, mas a construção de uma usina solar custaria muito mais caro que de uma usina eólica ou hidroelétrica com a mesma capacidade de geração.
Entretanto, isso pode mudar em um futuro próximo devido ao aparecimento de células de maior eficiência e/ou com um custo mais baixo. Uma possível candidata é a tecnologia de microfios anunciada pela Caltech:
Nela, em vez de uma placas de silício monocristalino (os mesmos wafers de silício usados na produção de processadores, que são as grandes responsáveis pelo custo exorbitante das placas atuais) são usados micro-fios de silício, integrados em um filme plástico transparente (como na foto). O filme plástico é construído de forma a capturar a luz, que é dessa forma conduzida aos filamentos de silício e transformada em energia.
Segundo ao Caltech o filme plástico é capaz de capturar de 80 a 90% da luz, o que levou a uma manchete no Slashdot afirmando que a tecnologia oferece uma eficiência de 86%.
Infelizmente, esta é apenas metade da história, já que a luz capturada precisa ser ainda convertida em eletricidade. Como o silício das células não é mais eficiente que o usado em outras tecnologias, o número final fica em apenas 15 a 20% de eficiência (segundo o artigo do Technologyreview) o que não é melhor do que as células mono-cristalinas tradicionais. Você pode ver os detalhes no paper publicado pela Caltech que cita uma eficiência de conversão de 14.5%.
Apesar disso, a notícia não deixa de ser importante, já que a nova técnica pode levar ao desenvolvimento de células solares muito mais baratas, que utilizarão plástico (com a possibilidade de usar plástico reciclado inclusive) e pequenos fragmentos de silício monocristalino, em vez de waffers sólidos como é usado atualmente. A redução no custo pode revolucionar o setor, tornando as placas solares competitivas com outros métodos de geração.
Outra vantagem é o fato de que as células serão flexíveis e resistentes a impactos, o que deve reduzir também o custo de instalação e manutenção. A tecnologia ainda vai demorar alguns anos para ser produzida comercialmente, mas é um tema que vale à pena acompanhar.