A Internet está nos tornando analfabetos?

Será que a era marcada por blogs, Orkut, Twitter, SMS, MSN e YouTube está nos tornando analfabetos? Muitas escolas têm sugerido isso, alegando que os alunos estão escrevendo o “Internetês” nas aulas e provas. Entretanto, segundo uma professora de inglês de Stanford, Andrea Lunsford, a conclusão pode ser outra, após cinco anos estudando a escrita de estudantes.

O estudo verificou 14672 amostras de escritas de lições de classe, postagens em blogs, e-mails, e sessões de bate-papo. Andrea então observou que 62% do total de redação de texto era por conta de tarefas e atividades da escola, enquanto a fatia de 38% pertencia às “escritas da vida”. A professora afirmou que há claramente um contraste com relação às gerações anteriores, que raramente escreviam alguma coisa fora da escola.

Mas uma coisa é importante: e a qualidade de toda essa papelada? Veja um trecho traduzido do Wired:

“A equipe de Lunsford descobriu que os alunos mostraram-se admiravelmente aptos na ‘avaliação kairos’ (termo grego referente ao sentido de ocasião, momento e contexto) de seu público e na adaptação do tom e da técnica para a transmissão de suas ideias. O mundo moderno da escrita online, particularmente no que se refere a bate-papos e tópicos de discussão, é coloquial e público, aproximando-se mais da tradição do argumento grego do que a escrita assíncrona de cartas e ensaios nos últimos cinquenta anos.

O fato de que os estudantes de hoje sempre escrevem para um público (algo que praticamente ninguém da minha geração fazia) dá a eles uma ideia diferente do que seja a escrita. Em entrevistas, eles definem a boa prosa como algo que tenha um efeito no mundo. Para eles, escrever é persuadir, organizar e debater, mesmo que sobre coisas cotidianas como o filme a ser assistido. Os estudantes de Stanford quase sempre mostraram-se menos empolgados com a escrita realizada em sala de aula, porque sua única audiência seria o professor, e o único propósito seria o de obter uma nota.” (Trecho traduzido por Roberto Bechtlufft)

E por final, Andrea ainda verificou que não havia a “taquigrafia SMS” em nenhum trabalho de estudantes do primeiro ano, nem um único exemplo de ‘Internetês’ sequer.

O ponto fraco da pesquisa foi, obviamente, o fato de ser fechado somente aos estudantes de Stanford. Ao meu ver, deveria ser aplicado à diversas escolas ao menos, daí poderíamos afirmar com mais certeza alguma coisa 🙂

Fonte:

https://techreport.com/discussions.x/17500

Veja mais:

https://www.wired.com/techbiz/people/magazine/17-09/st_thompson

Ver Mais

Esta postagem foi modificada pela última vez em 31/08/2009 19:24

Postagem relacionada