Por Max Raven
Em setembro de 2007 eu perguntei aqui se “Existe mesmo uma comunidade Linux no Brasil?“, a época não tive feedback e acabei deixando o debate para lá, contudo, lendo novamente o texto agora só me vem uma coisa a cabeça, nada mudou e, em médio prazo, não irá mudar.
Para começar, vamos a minha opinião, isso, de “A comunidade” não existe, pelo menos não da forma que pintam, ou seja, como algo coeso e unificado, o que existe na realidade são conjuntos de de diferentes comunidades que acabam interagindo por ter alguns interesses em comum. Cada uma dessas comunidades tem ainda seus grupos, uns mais interessados em determinados pontos, outros já interessados e outros, mas, além desses, existem aqueles que estão por ai, em busca de uma causa, de um Graal.
Pois bem, geralmente, os membros dessas comunidades, quando em outras, participa, opina, debate, mas quando o assunto esquenta ou sai do tópico central acaba deixando para lá, retornando a sua comunidade, ou melhor, as suas comunidades, pois um mesmo membro pode fazer parte de comunidades distintas, geralmente relacionadas aos assuntos que ele gosta, que tem interesse.
Tudo continuava como antes, uma briga aqui, uma discussão ali, um flame acolá e no meio disso cada um ia tocando seu barco, isso até nesses últimos dias alguns assuntos chamaram a atenção de muitos e minha principalmente, pois, mais uma vez, a tal da “Comunidade” está envolvida até o pescoço.
Primeiro o mais recente, ou seja, o que ainda está repercutindo e vai repercutir até o próximo flame, mas em vez de eu mesmo falar, vou dar o espaço ao Beco, que colocou bem a situação:
Microsoft e Red Hat fazem parceria para interoperabilidade em virtualização
“Depois de ler os comentários no link acima, eu fico entristecido com a “comunidade” Linux, pela falta de maturidade e a implicância de tratar software como religião. A Red Hat fez um acordo específico para HOMOLOGAÇÃO. O RHEL rodar Windows via Xen/KVM (sei lá o quê ele usem) e o contrário, ou seja, garantia da MS que o RHEL rodará no software de virtualização deles (Hyper seu lá quê). Como o release da RH deixa claro, não tem NADA de patentes no meio nem qualquer coisa que os bois cornetas possam usar para esculhambar como fazem com a Novell.
E apesar de tudo isso, o pessoal já mete o pau na Red Hat. Com todo respeito, quem diz isso só denigre a imagem do pessoal equilibrado (sim pois esses fanáticos são doentes) que usa Linux. A Red Hat é uma verdadeira MÃE para o Linux em geral. Tirem tudo que a RH faz pelo sistema para ver…
É um desabafo. Como o Morimoto já disse no seu blog, um dos problemas da tal “comunidade” linuxer é a infantilidade e babaquice de alguns (tenho dúvida se são tão poucos…) de seus usuários. Obs: eu uso Linux (Fedora), mas nem por isso considero o Windows e a Microsoft o anti-cristo. O Linux tem capacidade para avançar no mercado, porém a idéia de conseguir isso só denegrindo e atacando o oponente, enquanto não arrumamos nosso problemas e tomamos uma postura séria e propositiva, só faz as coisas andarem para trás (o que vem acontecendo por sinal). Piadinhas “o ano do Linux = ano atual + 1? no final das contas ser tornam verdades, o que não deixa de ser patético.”
É Beco, sou obrigado a concordar em gênero, numero e grau, inclusive grifei alguns pontos que vão de encontro totalmente ao que penso e acredito. Quanto a sua duvida de serem poucos, eu acredito que sim, são poucos, muito embora pareçam mais, mas a realidade é que eles tem uma manha para parecer mais, usam diversos nomes, ou melhor, muitos nicknames, até para fazer volume e não ficar parecendo que estão falando sozinhos. Você cita esta postagem do Br-Linux, onde o Augusto ao longo dos anos já se mostrou um cara de mente aberta, grande incentivador do SL em geral, mas já vi muitos dizendo que ele é um “vendido”, simplesmente por não concordar com a postura desses.
Continuando vamos a outro caso recente, desta vez, em vez de envolver a Red Hat, envolve o Fedora, a distribuição patrocinada por ela, mas mantida em comunidade.
Um de seu embaixadores, o Henrique “LonelySpooky” Júnior, em vez de ficar com as famosas picuinhas (que ocorrem aos montes por ai) as escondidas, criticou publicamente uma decisão dos devs quanto a implantação ou não de um patch no novo X, por conta disso pedradas vieram. Até mesmo foi sugerido que ele deveria se expulso da comunidade Fedora, logo ele que faz tanto justamente por esta comunidade, principalmente aqui, no Brasil.
São os Henriques, os Ogs, os Morimotos e muitos outros que impulsionam o Linux e o Software Livre em geral aqui em nossas terras, da mesma forma que outros nomes o fazem lá fora. Além de por a mão na massa, eles também ajudam de outras formas, seja divulgando, criando documentação para iniciantes, traduzindo, ou seja, eles realmente fazem algo, enquanto outros ficam só de conversa mole para boi dormir. Barulho eles fazem aos montes, mas ajudar mesmo, que é bom, nossa, muito difícil ver um deles ajudando.
Esses que gritam, que criam flames, que provocam a desconfiança de outros quanto ao Linux e ao Software Livre como um todo são justamente aqueles que buscam o tal Graal que citei acima, mas não todos, afinal muitos buscam algo, eu mesmo busco algo neste mundo, contudo alguns desses radicalizam tudo e transformam sua busca numa religião e acabam declarando guerra a todos aqueles que não compartilham de sua visão, esses sim muitos, mas que acabam ficando na sua, até mesmo para evitar todo o aborrecimento que envolve lidar com situações como esta.
O incrível é o impacto que esta minoria causa na imagem de todas as comunidades, até porque são esses mesmos que enchem a boca e bate no peito para dizer que são membros da “Comunidade Linux”. Qualquer critica, qualquer mostra de que tem algo errado é motivo para despertar as piores emoções dessas pessoas, ai o nível cai drasticamente, chegando a ofensas pessoais, ameaças e tentativas de ataques ou local que publicou a critica.
Quem de fora olha, vê tudo aquilo com espanto, horror e medo, ou seja, esses caras acabam dando vida a um FUD comum, de que todos os usuários Linux são revoltados, mal-educados, estúpidos mesmo.
Formula magica para acabar com isso não há, mas algumas praticas podem ajudar, por exemplo, não dar corda a eles e, sempre que possível, descartar a participação deles. No fórum GdH a fiscalização implacável de alguns moderadores, em especial o JQueiroz, fez com que as coisas por lá ficassem em um nível legal, contudo a acusação de censura é constante. Ano passado, após o fechamento de um tópico, recebi uma mensagem privada de um user reclamando e pedindo apoio para “denunciar” esta censura por parte da equipe do fórum, simplesmente respondi que concordava com o fechamento e, se fosse o administrador, teria deletado o dito tópico logo em sua primeira mensagem, adivinhem o que deu o final.