Intel demonstra sistema de transmissão de energia sem fios

Um dos maiores desafios técnicos da atualidade é a criação de um sistema viável de transmissão de energia elétrica sem fios, que permita que celulares e notebooks possam funcionar continuamente sem precisarem ser ligados na tomada para recarga.

Atualmente, a técnica mais promissora é baseada no uso de ressonância, utilizando o mesmo princípio que faz com que objetos vibrem ao receberem ondas em uma determinada freqüência (como no caso dos instrumentos musicais). A idéia é utilizar duas bobinas de cobre, desenvolvidas para ressoarem à mesma freqüência. Dessa forma, é possível transmitir energia de uma bobina para a outra de forma relativamente eficiente, já que a energia é canalizada diretamente para a segunda bobina, ao invés de ser irradiada em todas as direções.

Esta tecnologia foi demostrada em junho de 2007 por pesquisadores do MIT, que utilizaram duas bobinas para transmitir energia suficiente para acender uma lâmpada de 60 watts a uma distância de 2 metros.

Naturalmente, a idéia interessou a muita gente grande da indústria, afinal, quem não quer ter um celular que se recarregue sozinho?

Uma das que vem investindo na tecnologia é a Intel, que demonstrou uma solução funcional ontem, durante uma apresentação no IDF. O sistema da Intel é capaz de transmitir 60 watts de energia a uma distância de 61 centímetros com uma eficiência de 75% (ou seja, o transmissor consome 80 watts para transmitir 60, o que é uma eficiência similar à maioria das fontes de alimentação usadas em PCs). Assim como o projeto demonstrado pela equipe do MIT, o sistema é relativamente simples, baseado no uso de duas bobinas de fios de cobre. O segredo não está em nenhum circuito eletrônico revolucionário, mas sim no formato e na composição das bobinas. Esta foto da equipe do Anandtech mostra o sistema:

Como pode ver, são usadas duas bobinas, uma maior, que transmite energia e outra menor que a recebe, enviando a corrente diretamente para uma lâmpada de 60 watts.

As bobinas ainda são grandes demais para serem usadas em portáteis, mas é provável que logo apareçam com uma versão reduzida do sistema que possa ser integrada em telas de notebooks e no corpo de aparelhos celulares. Note que embora grandes, mas bobinas são planas e feitas com fios relativamente finos, uma estrutura que lembra a de uma antena. Não seria difícil de imaginar que uma versão que transmitisse apenas 200 ou 300 miliwatts (suficientes para manter um smartphone funcionando) poderia ser bem pequena.

O sistema é baseado na transmissão de pulsos de baixa freqüência, por isso, em teoria, não existem riscos para a saúde, nem problemas de interferência com outros dispositivos, muito embora ainda falte a comprovação por parte de estudos de longa duração.

A distância máxima também não é fixa. Os 61 centímetros adotados no sistema da demonstração são a distância em que o sistema é capaz de transmitir com maior eficiência, mas ele é capaz de trabalhar em distâncias maiores, ou até mesmo transmitir energia através de paredes ou outros obstáculos, muito embora com uma eficiência muito menor.

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 02/06/2009 22:26

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