A notícia de ontem sobre o carro movido a água (que, como comentei, não é movido apenas a água) parece ter despertado um grande interesse. Outra notícia interessante na área de combustíveis alternativos é a do desenvolvimento de uma super-bactéria, capaz de produzir um óleo orgânico similar ao petróleo a partir de celulose. A tecnologia foi apresentada recentemente pela LS9, uma startup americana do vale do silício. Eles estão utilizando engenharia genética para criar uma viriante da bactéria E. coli, que é capaz de excretar hidrocarbonetos em vez de ácidos.
Na teoria, a técnica parece simples. Um tanque de fermentação contendo uma cultura da bactéria é continuamente alimentado com um composto de celulose (que pode ser produzido a partir de sobras de madeira, papel, cascas de cereais e outros materiais que normalmente seriam descartados). As bactérias se alimentam da celulose e excretam o óleo orgânico, que se acumula na superfície do tanque:
Naturalmente, na prática as coisas são um pouco mais complicadas, a começar pelo fato de que a bactéria ainda não existe, ela está sendo desenvolvida com base em uma variedade selecionada da E. coli. Como a LS9 é uma empresa privada e a pesquisa é financiada com capital de risco, não se sabe o quão realmente próximos eles estão de produzí-la. Em segundo lugar, temos a questão da velocidade da fermentação, que precisa ser suficiente rápida para que o combustível seja economicamente viável.
A tecnologia é uma resposta interessante para o desafio de produzir biocombustíveis a partir de celulose. A maioria das pesquisas atuais são baseadas na produção de álcool a partir da celulose, a maioria delas também baseadas no uso de bactérias ou de enzinas para quebrar a celulose em açúcares simples e, a partir daí produzir o álcool através de algum processo de fermentação. A tecnologia da LS9 pode ser uma solução mais simples para o problema.
De qualquer forma, é importante enfatizar de que não se trata de uma solução mágica, já que por mais eficiente que sejam as bactérias, o processo de digestão da celulose é um processo lento. Para ser produzido em escala, o combustível demandará a construção de um grande volume de tanques de fermentação, que precisam ser continuamente aquecidos, para que a solução seja mantida à temperatura ideal, onde o ritmo metabólico das bactérias é maior.
Leia o núncio original: https://www.ls9.com/technology/
Esta postagem foi modificada pela última vez em 24/03/2011 18:02