OLPC: agora com Windows

O OLPC começou como um projeto bastante interessante e ambicioso. O objetivo era, nada mais nada menos, do que levar laptops educacionais para crianças pobres em países de desenvolvimento do mundo todo, produzidos em grande volume e vendidos abaixo da marca dos 100 dólares.

O projeto incluía não apenas o desenvolvimento do hardware – um laptop de baixo custo, leve, resistente e de baixo consumo (de forma que a bateria fosse suficiente para todo um dia de estudo) e que poderia ser utilizado mesmo em locais sem eletricidade, graças ao uso de formas alternativas de geração de energia – mas também o desenvolvimento de todo um projeto pedagógico, incluindo o desenvolvimento de conteúdo localizado junto a equipes de cada país e o desenvolvimento da interface Sugar, desenvolvida de forma a consumir poucos recursos de hardware e facilitar o uso por parte das crianças. Outro recurso interessante era a rede mesh, que permitiria que os laptops dentro da sala de aula criassem automaticamente uma rede que permitiria que atividades fossem compartilhadas (o professor poderia enviar exercícios para os alunos e receber de volta as atividades completas, por exemplo) além de automaticamente disponibilizar qualquer conexão à web disponível para todos os laptops da rede.

Em 2006 publicamos um especial sobre o OLPC que descreve bem as idéias e as soluções desenvolvidas durante a fase áurea do projeto, que você pode consultar para mais detalhes destes recursos. Na época estudamos a fundo as propostas do projeto, tivemos acesso a um protótipo de desenvolvimento e até realizamos uma entrevista com James Gettys, mentor do projeto.

olpc1Você deve estar se perguntando por que escrevi todos os parágrafos anteriores no passado, se o projeto OLPC continua ativo e você está justamente lendo uma notícia sobre ele. Bem, a resposta é que na verdade ele não está mais vivo mas sim agonizante. A maioria dos membros da equipe original se desligaram do projeto, o número de voluntários se reduziu drasticamente, o desenvolvimento da parte de hardware está parado a quase um ano e não existem perspectivas de grandes encomendas nos próximos meses, vitais para o sucesso do projeto, já que o volume de laptops produzidos está diretamente relacionado ao custo.

Além dos problemas internos, o OLPC enfrenta a concorrência de um poderoso concorrente, que é o Intel Classmate. Embora o Classmate não ofereça um projeto pedagógico tão completo quanto o do OLPC, ele conta com toda a máquina de produção e divulgação da Intel, que tem mais recursos para divulgar a plataforma, organizar projetos-piloto, treinar técnicos e instrutores e assim por diante.

Como um último gesto desesperado, membros da equipe do OLPC se aproximaram da Microsoft, que disponibilizou uma versão do Windows XP que roda no aparelho, similar à versão já usada no Classmate:

olpc2Embora à primeira vista a novidade possa soar positiva (afinal, a possibilidade de escolher o sistema poderia abrir algumas portas) o uso do Windows no OLPC na verdade o prego no caixão do projeto, pois basicamente elimina todas as vantagens que o projeto oferecia. O Classmate roda melhor o Windows XP que o OLPC (por utilizar um processador mais poderoso e ter mais recursos de hardware) e, pelo volume de produção ter crescido durante o último ano, já é também mais barato. Atualmente, o custo do OLPC gira em torno dos 200 dólares (devido ao baixo volume de produção), enquanto o Classmate já está disponível para os governos interessados por menos de US$ 150.

O OLPC com Windows não oferece nenhuma vantagem com relação ao Classmate e a iniciativa vai ajudar a afastar muitos dos poucos voluntários que ainda trabalham no projeto, resultando na implosão da iniciativa. Infelizmente, o OLPC está destinado a se tornar um nobre fracasso.

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