Mozilla poderá incluir análise de uso da web no Firefox

Um dos trabalhos mais difíceis e frustantes na Internet é analisar dados de acesso dos sites. As medições não são perfeitas, muitas vezes dando espaço para altas margens de erro. Qual é o maior site da Internet? Qual é o mais acessado? Essas perguntas não saem da cabeça de muita gente. Não basta saber quantas vezes uma página é acessada, mas sim quanto tempo o usuário permanece nela, como chegou até ela, para onde vai após sair dela… Assim não só os webmasters, mas o público em geral poderia ter uma idéia melhor do uso da Internet.

Há basicamente três meios de medir o tráfego dos sites. Um deles é baseado em um software instalado nos clientes, como se baseia o Alexa e Compete (este só nos EUA), com suas barras de ferramentas ou aplicações clientes. Muitas vezes refletem um público específico, deixando muitas medidas de lado.

Um outro meio é usar ferramentas de monitoramento de tráfego instaladas nos sites. Como exemplos podemos citar o Google Analytics, e em breve teremos publicamente o AdCenter da Microsoft. O Yahoo! também não fica atrás, com a recente compra da IndexTools. A Quantcast combina navegação dos usuários com integração aos websites (nos que usam o serviço). E existem diversas outras empresas menores ou menos conhecidas de auditoria de websites.

Uma terceira forma seria analisando os logs dos ISPs, os provedores de acesso. Isso daria uma maior precisão no uso diretamente de determinado local geográfico ou público-alvo específico.

Ainda assim, nenhuma forma é eficiente. Muitos usuários não instalam as aplicações clientes que monitoram o tráfego. A análise do monitoramento via servidores integrados aos sites se restringe aos administradores das páginas, o público em geral não tem acesso aos dados. Se bem que o recente compartilhamento de dados do Google Analytics visa abrir isso, para os webmasters que queiram comparar e disponibilizar publicamente suas estatísticas – provavelmente poucos, devido o olho nos concorrentes. E os dados dos ISPs não podem ser divulgados assim sem mais nem menos também.

Uma organização quietinha até agora nesse aspecto demonstra interesse em entrar na jogada. Nada mais nada menos do que a Mozilla Foundation, dona do Firefox – segundo navegador mais usado no mundo, com participação no mercado dos navegadores estimada em 18%.

Um produto em testes ainda sem nome definido pode mudar isso, segundo Lilly e Schroepfer, da Mozilla. A base de usuários do Firefox anda na faixa dos 170 milhões (e sempre crescendo). Imagine monitorar os sites acessados por uma pequena porcentagem desse pessoal.

Teríamos um sistema de análise e ranking maior do que os outros. Há usuários do Firefox em praticamente todos os países, o programa está disponível em 50 linguagens diferentes. A área de abrangência seria muito grande.

Apesar disso, outros navegadores, como IE, Opera e Safari não seriam monitorados. Usuários do Firefox podem ter hábitos diferentes dos usuários dos outros navegadores, o que abriria uma possibilidade de erro nas medições – diminuída progressivamente, já que cada vez mais pessoas passam a usar o Firefox.

Não se sabe quando, a idéia seria lançar o serviço integrado ao Firefox, dando a opção de o usuário ativar ou não o monitoramento anônimo das URLs acessadas.

Entre os usuários, muitos preferem não compartilhar, temendo o acesso aos seus dados e sites acessados. A questão da privacidade entra em jogo. Será que a Mozilla teria sucesso ou tornaria o Firefox difamado como um “spyware”?

Texto baseado em:

https://www.techcrunch.com/2008/05/13/mozilla-stealth-data-project-could-be-just-what-the-internet-needs/

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