Briga dos navegadores chega aos portáteis com Mozilla Fennec

First look: Mozilla Fennec takes browser fight to handhelds

Autor original: Ryan Paul

Publicado originalmente no: https://arstechnica.com/

Tradução: Roberto Bechtlufft

Primeiras impressões: a briga dos navegadores chega aos portáteis com o Mozilla Fennec

Com o Firefox 3 prestes a ser lançado, os grandes répteis brigões da Mozilla voltam suas atenções para o próximo alvo de seu plano de dominação do mundo dos browsers. A Mozilla Mobile, anunciada em outubro, desenvolveu seu primeiro protótipo funcional. Os desenvolvedores lançaram as versões de teste pré-alpha do protótipo do Firefox para portáteis – codinome: Fennec. Nós testamos o browser e conversamos sobre ele com o diretor da Mozilla Mobile, Jay Sullivan.

A princípio não botamos muita fé na Mozilla Mobile porque parecia pouco provável que o Firefox fosse capaz de competir com o WebKit e o Opera em termos de desempenho e consumo de memória. No entanto, houve melhorias significativas nessas áreas que dissiparam nosso ceticismo e alavancaram dramaticamente a viabilidade do Firefox na arena dos portáteis. A adoção do jemalloc e de diversas outras otimizações de memória reduziram o consumo de recursos do Firefox. O desempenho do JavaScript também melhorou consideravelmente desde o lançamento das primeiras versões alpha.

Em um post recente em seu blog, o “pregador” oficial da Mozilla, Chris Blizzard, encarregado de propagandear o Firefox e demais produtos da empresa, disse que os ganhos de performance na arquitetura ARM chegam a ultrapassar os ganhos da x86. O Nokia N810 Internet Tablet vem com um browser chamado MicroB, que usa um fork do renderizador Gecko do Firefox, lançado na mesma época dos primeiros alphas do Firefox 3. Ao compararmos o MicroB à última versão do Fennec em um N810 fica evidente o quanto o desempenho do Firefox aumentou durante o ciclo de desenvolvimento do Firefox 3. A Blizzard usou o Sunspider para fazer alguns benchmarks de ambos os browser em um N810 e descobriu que o desempenho do Fennec na execução de Javascript é 5,9 vezes maior que o do MicroB.

Os ganhos de performance que saltam aos olhos nos benchmarks são bastante perceptíveis no uso diário do browser. Navegamos por diversos sites (inclusive pelo nosso) com o Fennec no Nokia N810 e percebemos que ele é bem mais ágil que o MicroB.

É óbvio que o desempenho e o consumo de memória são muito importantes para uma navegação efetiva em um portátil, mas eles são apenas duas peças do quebra-cabeça. A Mozilla Mobile também trabalha em uma interface flexível e intuitiva para que o Firefox seja o vencedor nos dispositivos móveis. O protótipo do Fennec, que se baseia em uma das propostas da Mozilla para interface touchscreen em portáteis, já dá os primeiros passos nessa direção.

O Fennec ainda não está pronto para uso geral porque, por enquanto, sua interface ainda não dá acesso a boa parte da valiosa funcionalidade do Firefox. Embora ainda esteja engatinhando, o Fennec já tem recursos impressionantes que denotam um grande potencial. A maior vitória dentre a lista de recursos do Fennec é o suporte ao inertial scrolling que, como visto no iPhone, permite rolar a tela em diferentes velocidades com o dedo. O Fennec também traz o sistema de bookmarks-com-um-clique, semelhante ao do Firefox 3. Outras funções avançadas, como o suporte à AwesomeBar, estão nos planos, mas ainda não foram implementadas.

As próximas novidades

Conversamos com o diretor da Mozilla Mobile, Jay Sullivan, sobre a situação atual do Fennec e seus planos para o futuro. “A versão que você testou é apenas um ponto de partida para podermos experimentar, fazer testes de performance etc,” disse Sullivan. “É como se estivéssemos olhando debaixo do capô, e você pode dar essa olhada graças ao nível único de abertura que temos aqui na Mozilla.”

Sullivan nos explicou que o projeto Fennec pretende trazer a experiência de uso do Firefox nos desktops para os portáteis, mas que irá se focar em atender às exigências únicas dos usuários de portáteis. “Nosso objetivo nos portáteis é reforçar os princípios que fizeram do Firefox um sucesso no desktop, mas com a consciência de que os portáteis são diferentes – não no sentido de que sejam mais limitados, mas porque possibilitam novos tipos de experiência, e porque as pessoas não interagem com seus portáteis da mesma maneira que interagem com seus computadores, sentados diante da tela,” afirmou. “Compatibilidade, segurança, desempenho e suporte a aplicativos ricos de internet serão pontos críticos.”

Inovar na interface é um dos maiores objetivos, e há muitos conceitos criativos que a Mozilla espera testar nos portáteis. Quando demos uma olhada nos projetos de pesquisa da Mozilla Labs no mês passado, examinamos alguns planos que começavam a vir à tona, como o uso de serviços como o Weave para facilitar a transição entre a navegação no desktop e a navegação nos portáteis. A Mozilla também trabalha em melhorias na usabilidade básica em ambientes portáteis. “Nos browsers existentes para celulares é difícil fazer coisas básicas como digitar uma URL, navegar em páginas de conteúdo rico e alternar entre páginas, sem falar que o browser parece uma peça separada de todo o resto do telefone,” comenta Sullivan. “Estamos exercitando nossa criatividade, bolando maneiras mais fáceis de fazer o usuário chegar ao conteúdo que deseja. Queremos facilitar a navegação nessas páginas, queremos facilitar a transição do PC para o celular.”

A interface do Firefox é quase toda construída com o XUL, linguagem para criação de interfaces baseada no XML. Isso torna muito simples a tarefa de customizar e expandir o Firefox. A Mozilla espera usar essa vantagem para encorajar experiências com os novos conceitos de interface para portáteis. Os desenvolvedores podem aperfeiçoar ou reinventar a interface do Fennec modificando os arquivos browser.xul e browser.css no diretório chrome. Modificações no arquivo browser.js podem implementar novas funções via JavaScript Um dia o Fennec possuirá um sistema de extensões completo como o Firefox 3, que poderá ser usado pelos desenvolvedores para modificar o comportamento e a interface do browser.

“Outra coisa empolgante é que estamos oferecendo suporte total aos add-ons (os populares “complementos” do Firefox),” disse Sullivan. “Serão três tipos de add-ons: a maioria vai funcionar logo de cara; outros não farão muito sentido fora do PC; e uma classe nova surgirá, voltada para os portáteis.

Mas há outros aspectos da Mozilla Mobile que vão interessar aos desenvolvedores. O desenvolvimento de software para portáteis é difícil, e a Mozilla tem grandes chances de oferecer uma abordagem original para tornar o processo mais simples. A tecnologia XUL sobre a qual a interface do Firefox foi erguida pode ser usada de maneira independente, com o ambiente de execução XULRunner, para a criação de aplicativos multiplataforma para portáteis, usando XML e JavaScript.

Brad Lassey, desenvolvedor da Mozilla, compilou algumas versões do XULRunner para o Maemo que podem ser usadas para rodar aplicativos de desktop criados com o XUL diretamente nos dispositivos Nokia Internet Tablet. O guru do XULRunner, Mark Finkle, está muito empolgado com as possibilidades abertas para o desenvolvimento XUL em portáteis, e escreveu recentemente em seu blog que há planos para uma maior integração do XUL com a plataforma Maemo.

Lassey também teve algum êxito em suas primeiras tentativas de compilar versões do XULRunner para o Windows Mobile 6, o que reforça a neutralidade inata do XULRunner quanto à plataforma. Imagine a possibilidade de criar aplicativos baseados no XUL que funcionem de maneira idêntica nos três maiores sistemas operacionais e em múltiplas plataformas portáteis. Customizações na interface para plataformas específicas pode ser facilmente desenvolvidas com folhas de estilo CSS.


O XULRunner e o Gecko no Windows Mobile (Foto cortesia de Brad Lassey)
A Mozilla também quer tornar os aplicativos web acessíveis aos usuários de portáteis, diminuindo a necessidade de aplicativos específicos para os dispositivos portáteis. “Para fazer um bom aplicativo para portáteis hoje os desenvolvedores precisam optar por uma plataforma; isso limita bastante seus esforços. Depois eles ainda precisam fazer esses aplicativos chegarem às mãos dos usuários. É um pesadelo. Então precisamos criar uma plataforma web viável para o desenvolvimento de aplicativos ricos para portáteis, da mesma forma que fizemos no desktop,” afirmou Sullivan. “E é isso que estamos fazendo. Com suporte completo a AJAX, SQLite e acesso às funções dos portáteis por meio de JavaScript, vamos desencadear uma onda de criatividade.”

Embora o Fennec não esteja pronto para o uso, essas versões pré-alpha são uma excelente oportunidade para os desenvolvedores fazerem novas experiências com os paradigmas de interface nos portáteis. O protótipo do Fennec é extremamente simples de se modificar e há muitos coisas criativas que os desenvolvedores podem fazer com o código. Para maiores informações, veja o roadmap do Fennec e o wiki da Mozilla Mobile. Para instalar as versões recentes do Fennec e do MineField no seu Nokia N810, clique aqui.

Créditos a Ryan Paulhttps://arstechnica.com/

Tradução por Roberto Bechtlufft <robertobech at gmail.com>

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 02/06/2009 22:26

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