MS – Interoperabilidade com SL: entrevista com Roberto Prado

A revista Linux Magazine entrevistou Roberto Prado, gerente de estratégias da Microsoft Brasil, sobre os recentes anúncios da empresa e sua estratégia de interoperabilidade com software livre.

Recentemente a Microsoft anunciou a abertura de várias APIs dos seus principais produtos (entre eles, os dois grandões Windows Server e o Windows Vista). Isso gerou muitos comentários ceticistas por membros da comunidade open source, sempre tratando a MS como um grande “inimigo” – o que não é para menos, convenhamos, dadas as estratégias tomadas, processos abertos e inúmeras reclamações que criaram a má fama “anti-SL” da MS dos últimos anos (para não dizer desde sempre :p).

Na entrevista, Roberto Prado fala sobre a abertura das APIs e como isso pode contribuir para a comunidade dos desenvolvedores de programas (sejam abertos ou não). As aplicações da MS não serão abertas, nem deixarão de ser proprietárias – afinal, nem foi isso que foi anunciado. A abertura das APIs permite que mais desenvolvedores entendam como os sistemas da MS funcionam, permitindo a criação de soluções mais compatíveis com os mesmos. O que antes era possível apenas para grandes corporações mediante alguns acordos específicos (com negociações financeiras envolvidas), agora está aberto ao público.

Um dos maiores pontos da entrevista se deu quando a Linux Magazine perguntou sobre o “atraso” da MS em relação a outras empresas, que se mantém basicamente com a Internet:

“A Microsoft demorou para perceber o valor da Internet, o que pode ter causado a perda de grandes oportunidades, tanto que hoje ela não detém uma grande fatia do mercado de serviços online – muito atrás do Google. Você acha que pode ter acontecido a mesma demora em relação à percepção do valor do Código Aberto pela empresa?”

Segundo ele, não houve necessariamente um “atraso”, tudo foi ocorrendo no seu tempo, dadas as oportunidades da época. A falta de maturidade no mercado da web no começo do uso público da Internet também não deixou a MS à vontade em elaborar boas soluções, enquanto isso outras empresas foram aproveitando suas visões e conseguindo um espaço – assim como muitas outras tentaram o feito, sem sucesso.

O ponto de vista dele, compartilhado por muitos, procura defender a MS sem atacar o software livre, permitindo espaço para os dois. “Nada mais natural do que a Microsoft e também o Código Aberto procurarem um caminho de interoperabilidade.”

Ele também fala sobre a oferta de compra do Yahoo! e o interesse por trás disso (citando os engenheiros do Yahoo!).

A entrevista termina com uma mensagem animadora e clara:

“Eu gostaria de pedir que os leitores continuem encarando a Microsoft como um participante ativo do mundo do software, seja aberto ou proprietário, e que gera oportunidades. Não somos o “vilão da história”, porque a empresa nasceu em 1975, tem 30 anos, e acreditamos que o mercado está em constante evolução. Os usuários sempre tiveram a possibilidade de escolher seu sistema – lembrem-se de que o OS/2 ainda era comercializado até há pouco tempo. O Código Aberto tem mais de 20 anos de idade, já passou e ainda passa por uma série de ajustes. Hoje, a Microsoft deu um passo importante, e entende o Código Aberto. Mas nosso modelo não é compatível com o sentido de Software Livre conforme proposto por Richard Stallman.”

Leia em:

https://www.linuxnewmedia.com.br/noticia/entrevista_ms_brasil

Postado por
Siga em:
Compartilhe
Deixe seu comentário
Assine nossa Newsletter
Assine nossa newsletter e receba nossa seleção de conteúdo sobre tecnologia, games, IA e internet em seu email.
Veja também
Publicações Relacionadas
Img de rastreio
Localize algo no site!