O fim da Transmeta

A Transmeta ficou famosa em 2000 por lançar o Crusoé, um processador x86 de baixo consumo, que prometia uma solução simples para o problema da crescente complexidade dos processadores.

Nele, muitos dos componentes usados nos processadores atuais eram substituídos pelo Code Morphing, um software de emulação, executado internamente pelo processador. Veja o que escrevi sobre ele em 2001:

“O Code Morphing, o programa que executa a maior parte das funções que outros processadores executam via hardware, fica armazenado em uma pequena porção de memória ROM integrada ao processador. Quando o processador é ligado, o code morphing é a primeira coisa a ser carregada, sendo carregados em seguida o BIOS, sistema operacional e demais programas. O Code Morping fica então residente, funcionando como um intermediário entre a parte física do processador e os programas.

No Crusoé, é o Code Morphing que faz a tarefa de converter as instruções x86 enviadas pelo programa, ordená-las de forma a serem executadas mais rápido, e coordenar o uso dos registradores, tarefas que em outros processadores são executadas via Hardware.

Todas as instruções traduzidas pelo code morphing são armazenadas num cache especial, chamado translation cache. Este cache ocupa parte dos cache L1 e L2 do processador, e pode variar de tamanho de acordo com o volume de instruções diferentes processadas.

O uso do translation cache evita que o processador perca tempo traduzindo várias vezes uma instrução muito usada pelo programa. Naturalmente, as instruções que forem sendo mais utilizadas vão assumindo as primeiras posições no cache, enquanto as menos utilizadas vão sendo eliminadas. Outro recurso, é que cada vez que uma instrução é reutilizada apartir do cache, o Code Morphing trata de dedicar mais alguns ciclos de processamento, de modo a otimiza-la cada vez mais. Quanto mais é usada, mais rápido a instrução irá rodar.”

A idéia era muito boa, mas acabou não dando certo devido a sucessivos problemas do mundo real. Em primeiro lugar, a Transmeta não possuía fábricas, de forma que a fabricação era terceirizada para a IBM. Por não ter condições de pagar pelas tecnologias mais recentes de fabricação, o Crusoé era fabricado usando tecnologias ultrapassadas. O TM5800, por exemplo, ainda era fabricado usando um processo de 0.13 micron. O desempenho do Crusoé, na prática, também ficava abaixo do esperado, perdendo até mesmo para os processadores C3 da Via e, para completar, tanto a Intel quanto a AMD passaram a investir em chips de baixo consumo, fazendo com que o Crusoé perdesse muito de sua competitividade.

Embora não tenha fechado as portas completamente, a Transmeta retirou silenciosamente seus processadores do mercado e pretende agora se manter no mercado licenciando tecnologias e designs de componentes para outras empresas. O Crusoé passa a fazer parte do história, como mais um projeto interessante, mas que acabou não dando certo na prática.

https://arstechnica.com/news.ars/post/20070206-8779.html

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 02/06/2009 22:26

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