32 GB de RAM são o novo padrão? Jogadores do Steam fazem upgrade mesmo em meio à crise de memória

Os dados do Steam de setembro de 2026 trouxe um novo e forte argumento para o debate sobre quanto de RAM é suficiente para jogos no PC: 32GB RAM é agora a configuração mais comum entre os jogadores na plataforma da Valve, com 42,22% dos sistemas registrados usando essa quantidade, um salto de 4,77% em relação ao mês anterior.

A configuração de 16GB, que por anos foi o ponto de referência do mercado, caiu 3,38% e hoje representa apenas 37,82% da base levantada pela pesquisa. Essa inversão acontece, vale notar, em meio a uma crise de de chips de memória descrita como sem precedentes.

A escassez freou, mas não deteve a migração

O contexto torna esses números ainda mais expressivos. O mercado de memória enfrenta uma das maiores pressões de preço dos últimos anos, com módulos escassos e valores bem acima da média histórica. Ainda assim, os jogadores seguiram abrindo a carteira. A leitura mais razoável é que a migração para 32GB não foi acelerada pela crise, mas também não foi travada por ela: os dados de setembro indicam que parte da base que esperava para fazer o upgrade simplesmente desistiu de esperar e realizou a transição.

Configurações intermediárias também cresceram, ainda que em proporções menores. Os 24GB de RAM, uma combinação incomum que costuma aparecer em setups com kits de memória assimétricos, avançaram 0,34% e chegaram a 2,56%. Já os 48GB somaram 0,26% de crescimento, atingindo 1,46% do total. Não são números representativos em termos absolutos, mas o crescimento consistente dessas faixas reforça que uma parcela dos usuários está indo além do convencional.

Microsoft já indicava mudanças

Há alguns meses, a Microsoft chegou a recomendar publicamente 32GB como a configuração “sem preocupações” para gaming, posicionando 16GB como o novo piso prático para quem quer rodar os títulos atuais com conforto. A recomendação foi removida silenciosamente do site depois que a própria Microsoft lançou modelos base dos seus laptops Surface com apenas 8GB de RAM, em uma decisão que gerou críticas diretas nas comunidades de entusiastas.

Outro sinal de que o mercado de games está crescendo em exigência de memória veio de uma fonte improvável: o Minecraft, que não atualizava seus requisitos de sistema há 17 anos, elevou a RAM recomendada para 16GB no começo de 2026, forçando jogadores em máquinas mais antigas a migrarem para a Java Edition ou a ficar de fora das versões mais recentes. 

Jogadores migram para 32 GB, mas optam por DDR4

Apesar do upgrade para 32 GB, as reações dos usuários nas redes sociais destacam que muitos usuários pretendem continuar utilizando modelos de RAM DDR4 por vários anos, adiando a migração para DDR5 devido à alta dos preços. Alguns afirmam que seus processadores, como o Ryzen 7 5700X3D e o Ryzen 7 5800X3D, ainda oferecem desempenho suficiente para jogos modernos, especialmente em resoluções mais altas, nas quais a placa de vídeo costuma ser o principal limitador. Outros dizem que aproveitarão a plataforma atual até a chegada da DDR6 ou até encontrarem memórias DDR5 usadas por preços mais acessíveis.

Apesar disso, a percepção geral é de que 32 GB já se tornaram o padrão para novos PCs gamer, embora 16 GB ainda sejam suficientes para boa parte dos jogos. Alguns usuários defendem que 64 GB são desnecessários para a maioria dos jogadores, mas outros destacam o consumo de memória em atividades como desenvolvimento, inteligência artificial e jogos modificados, como Minecraft com grandes pacotes de mods. Também surgiram críticas ao Windows 11 pelo consumo de RAM e relatos de usuários satisfeitos por terem comprado mais memória antes da disparada dos preços.

Por fim, muitos atribuem o comportamento dos consumidores ao nervosismo quanto à crise da memória RAM, que incentivou compras antecipadas por receio de novos aumentos. 

AMD encosta na Intel: 48,37% e subindo

A pesquisa de setembro trouxe ainda um número que o mercado de CPUs acompanha com atenção crescente: a AMD chegou a 48,37% de participação consolidada no Steam, o maior patamar registrado em 2026. A Intel segura 51,63%, uma margem que, em maio deste ano, era de aproximadamente 55% para a azul contra cerca de 45% para a vermelha. O ritmo de ganho da AMD na pesquisa aponta para uma possível virada nos próximos meses.

O recorte por sistema operacional revela nuances importantes. Entre usuários de Windows, a Intel ainda mantém 52,59% contra 47,41% da AMD, uma diferença mais confortável do que o agregado geral. Já no Linux, o cenário é outro: 66,18% dos usuários rodam processadores AMD, enquanto a Intel responde por apenas 33,71%. A preferência da comunidade Linux pela plataforma Ryzen não é novidade, mas a magnitude da diferença continua a crescer, o que diz algo sobre a percepção técnica e o suporte de drivers que cada ecossistema oferece para sistemas abertos.

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Fonte: Tom’s Hardware

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William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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