Em 1993 a Intel lançou o Pentium, que é até hoje possivelmente o processador mais famoso já lançado pela empresa. Ele foi lançado em um momento em que os usuários desesperadamente precisavam de mais desempenho, coincidindo com a migração do Windows 3.11 para o 95 e o NT, a popularização dos “kits multimídia”, placas 3D e outras inovações, que permitiram que os PCs saíssem dos cubículos para se tornarem verdadeiramente “computadores pessoais”.
Em uma declaração na COMDEXvirtual, Paul Otellini, CEO da Intel tentou relacionar os avanços do Pentium ao Sandy Bridge, afirmando que a plataforma é “um avanço como o do 486 para o Pentium. O que o Pentium fez foi permitir o início da era da multimídia, graças aos recursos incluídos nele. Ele foi o produto certo no momento certo. Estamos agora prestes a entrarmos na era da virtualização […] quando tudo orbita em torno dos vídeos, seja para os consumidores ou para as corporações […]. Este produto foi projetado exatamente para essa experiência video-visual otimizada“.

Talvez mais importante do que o próprio ganho de desempenho do processador, o Pentium veio acompanho de diversas melhorias de arquitetura que permitiram que os PCs entrassem na era moderna, incluindo o barramento PCI, o suporte a ultra-DMA e o suporte a plug-and-play, melhorias que permitiram que os PCs saíssem da pré-história e se tornassem competitivos em relação ao processamento de imagens e vídeos, jogos, multimídia e diversas outras áreas.
No caso do Sandy Bridge, as melhorias são muito mais modestas. Não apenas o ganho de desempenho dos processadores serão pequenos em relação à geração atual, mas eles carecem de outras melhorias que possam efetivamente melhorar a experiência de uso de forma perceptível. Em resumo, os PCs baseados no Sandy Bridge não farão nada que um Core i7 com uma GPU dedicada mediana e uma controladores USB 3.0 já faça nos dias de hoje.
O trecho “este produto foi projetado exatamente para essa experiência video-visual otimizada” é especialmente estranho, pois em se tratando de compressão e exibição de vídeo o mais eficiente é o uso de controladores dedicados e não de um processador x86 de uso geral. É preciso um processador x86 superescalar com meio bilhão de transístores e um clock de mais de 2.0 GHz para decodificar vídeos 1080p, coisa que um simples smartphone como o Sansung GalaxyS faz de forma muito mais elegante, graças à parceria de um processador ARM muito mais simples com um controlador dedicado.
A plataforma Sandy Bridge é interessante do ponto de vista técnico, mas com exceção de uma eficiência energética ligeiramente maior, nada mais são do que um processador com uma GPU low-end integrada. Esta é a verdade que os executivos da Intel estão tentando encobrir com declarações como essa.