O Departamento de Defesa dos Estados Unidos atualizou a seção 1260H e registrou 188 empresas chinesas como vinculadas ao aparato militar da China. Entre os novos nomes estão Alibaba, Baidu, BYD, Unitree, CXMT, YMTC, RoboSense, WuXi AppTec, NIO, CALB Group, EVE Energy e Baicells, além de China BlueChemical Limited, uma subsidiária da estatal CNOOC. A partir do fim de junho de 2026, o Departamento de Defesa fica proibido de contratar diretamente com qualquer empresa da lista. Em junho de 2027, a proibição se estende a contratos indiretos, via terceiros.
O que torna a nova lista diferente das anteriores é o perfil das empresas incluídas. Alibaba é a maior plataforma de e-commerce e computação em nuvem da China, o equivalente funcional de juntar Amazon e Google num só grupo. Baidu é a empresa de busca dominante no país e uma das maiores apostas em inteligência artificial da Ásia. CXMT e YMTC fabricam chips de memória e disputam o mercado que, em meio à atual crise de componentes semicondutores, virou alternativa para empresas que não conseguem acessar fornecedores tradicionais. Unitree fabrica robôs humanoides e quadrúpedes e foi uma das empresas que a NVIDIA anunciou como parceira para desenvolvimento de robótica.
A 1260H não é nova. Criada pelo Congresso americano, ela identifica empresas que o Pentágono avalia como integradas à estratégia de “fusão militar-civil” da China, que direciona tecnologia e capacidade industrial do setor privado para fins de defesa. O que mudou em 2026 é o contexto: a atualização veio exatamente um mês depois da visita de Donald Trump a Pequim, uma viagem que incluiu CEOs de grandes empresas americanas e parecia sinalizar uma distensão nas relações comerciais.
Em novembro de 2025, o Pentágono havia concluído internamente que Alibaba, Baidu e BYD tinham vínculos com o Exército chinês, mas o documento não foi publicado no Federal Register, foi retirado minutos depois de aparecer no site. Esse movimento aconteceu três semanas antes do acordo comercial entre Trump e Xi Jinping, o que manteve a decisão suspensa por meses. A publicação agora, portanto, é uma retomada de algo que estava represado, não uma mudança abrupta de posição.
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Craig Singleton, especialista em relações com a China citado pela Reuters, apontou que Washington deixou de tratar empresas chinesas como entidades isoladas e passou a enquadrá-las como parte de um conglomerado estratégico vinculado ao Estado. O presidente do Comitê Seleto da Câmara sobre a China, John Moolenaar, foi mais direto: “Essas empresas chinesas estão trabalhando com os militares chineses contra nossos interesses nacionais.”
O que as empresas dizem
Alibaba afirmou que “não é uma companhia militar chinesa nem parte de nenhuma estratégia de fusão militar-civil” e anunciou que tomará “todas as ações legais disponíveis” para contestar a designação. Baidu disse que “a sugestão de que Baidu é uma companhia militar é completamente infundada” e prometeu usar “todas as medidas imediatas” para sair da lista. WuXi AppTec também rejeitou a classificação.
Existe um caminho formal para pedir a retirada da lista. Segundo representantes do Pentágono, empresas que cotam ações em bolsa são particularmente suscetíveis à classificação, mas podem solicitar remoção, desde que se retirem dos Estados Unidos ou mudem o nome da entidade jurídica.