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O ousado celular da Sony que tinha tela monocromática transparente e foi um tremendo fracasso

Sony Ericsson lançou em 2009 um celular de US$ 990 com tela transparente, sem Wi-Fi nem câmera. Foi descontinuado e a tecnologia nunca mais voltou.

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Em novembro de 2009, a Sony Ericsson lançou o Xperia Pureness, o primeiro celular com tela monocromática transparente do mundo. Custava até US$ $990 dólares, não tinha câmera nem Wi-Fi, mas oferecia algo que nenhum smartphone da época conseguia: uma interface “flutuando no espaço” como ficção científica, acompanhada de 12 meses de serviço de concierge para milionários.

 

Novembro de 2009 marcava um momento peculiar da indústria mobile. Enquanto o iPhone 3GS, o Motorola Droid e o Palm Pre disputavam as manchetes tech, menos de um terço da população dos Estados Unidos carregava um smartphone. O mercado de feature phones premium ainda fervilhava, e fabricantes como Sony Ericsson, Motorola (com o Aura) e Nokia (com a linha Vertu) competiam pela atenção de consumidores dispostos a pagar milhares de dólares por aparelhos que faziam menos, mas com estilo

A Sony Ericsson estava no oitavo ano de uma parceria estratégica que havia produzido alguns dos aparelhos mais distintos da década — do K800i usado por James Bond em Cassino Royale aos Walkman Phones que dominaram a era pré-Spotify. Para entrar na nova década, a empresa apostou no conceito mais radical que conseguiu imaginar: uma tela que você pudesse ver através dela.

A tela que flutuava no espaço

Celular Sony Ericsson de teclado numérico preto segurado em uma mão, com tela transparente exibindo um pedido de atalho na tela

O Sony Ericsson Xperia Pureness (também chamado de X5) trazia uma tela de 1.8 polegadas com resolução de 240×320 pixels e densidade de ~222 ppi — números medianos até para 2009. Mas girar o aparelho e ver a interface do outro lado, com os ícones invertidos como reflexo de espelho, era uma experiência que desafiava a lógica. A tecnologia exata do painel nunca foi divulgada oficialmente pela Sony Ericsson; a empresa se limitou a classificá-lo como “transparent monochrome display”

Na prática, a tela funcionava como um display heads-up: caracteres e ícones brilhavam em branco fantasmagórico, suspensos no ar, sem fundo opaco. O problema? Era quase impossível de ler sob luz solar direta, sobre superfícies brancas ou em qualquer ambiente que não fosse um cassino escuro em Montenegro. Chris Davies, do SlashGear, sugeriu em 2009 que aquilo seria perfeito para realidade aumentada — uma previsão 17 anos à frente do mercado.

Celular Sony Ericsson Xperia Pureness preto, de tela deslizante com teclado numérico físico e o logotipo da marca na parte inferior

O preço da exclusividade:

O Xperia Pureness chegou ao mercado europeu por €600 em novembro de 2009. Nos Estados Unidos, o preço subia para US$ $990 dólares. A variação refletia impostos, distribuição exclusiva (o aparelho só era vendido em lojas de design selecionadas e museus) e o custo embutido do serviço de concierge.

E esse serviço não era simbólico. Todo comprador do Pureness ganhava 12 meses gratuitos de acesso ao Quintessentially, firma de concierge para ultrarrricos que, em 2017, fechou a Ponte da Baía de Sydney para que um cliente pedisse a namorada em casamento. O nível de assinatura incluído custava cerca de $1.000 dólares por ano — quase o preço do próprio telefone. O serviço atendia “todas as solicitações legais e morais”: reservas em restaurantes três estrelas Michelin, ingressos para eventos esgotados, assistência 24/7.

O Xperia Pureness foi descontinuado silenciosamente. Em 2012, a Sony pagou US$ $1.5 bilhões para comprar a parte da Ericsson na joint venture e focar exclusivamente em smartphones sob a marca Xperia. A tecnologia de tela transparente nunca mais foi retomada, nem pela Sony, nem por nenhum outro fabricante mainstream até 2026.

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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