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Capítulo 11: Overclock

O overclock é uma técnica que visa fazer o processador trabalhar a uma velocidade maior que a sua freqüência nominal. Através dele, conseguimos por exemplo, que um Pentium MMX de 166 MHz funcione a 233 MHz, ou que um Celeron de 266 MHz funcione a 400
MHz. O overclock permite melhorar o desempenho de praticamente qualquer processador, e tem a vantagem de não custar absolutamente nada.

Apesar de ser usada há muito tempo pelos micreiros mais corajosos, esta técnica ainda hoje é razoavelmente desconhecida. Pessoalmente tive a oportunidade de conversar com vários profissionais da área que simplesmente ignoravam a existência dessa
possibilidade.

Como vimos até aqui, a freqüência de operação dos processadores domésticos é determinada por dois fatores:

1- A velocidade de operação da placa mãe, também conhecida como velocidade do barramento ou Bus, que nos micros modernos pode ser de 60, 66, 100 ou 133 MHz, dependendo do processador e placa mãe utilizados. Em muitos modelos de placas mãe, além
das frequências oficiais, utilizadas normalmente, temos também a possibilidade de utilizar frequências alternativas, como 75, 83, 95, 103, 112, 124 e 150 MHz.

2- O multiplicador de clock : A partir dos micros 486, foi criada um conceito chamado multiplicação de clock, que é uma tecnologia pela qual a placa mãe e os dispositivos ligados à ela trabalham à uma freqüência menor que a velocidade do
processador. Desta forma, só o processador irá trabalhar na sua freqüência nominal (200 MHz, 350 MHz, 500 MHz, etc.). Os demais periféricos como memória RAM, placa de vídeo, HD, cache L2 etc. continuarão trabalhando na velocidade do barramento, ou seja,
na freqüência da placa mãe..

Um Pentium 200 MMX por exemplo, trabalha com velocidade de barramento de 66 MHz, e multiplicador de 3x, (66 x 3 = 200). Isso significa que apesar do processador trabalhar à 200 MHz, se comunica com os demais componentes do micro à apenas 66 MHz. Um
Pentium MMX 233 trabalha a 3.5 x 66MHz, um Pentium 166 MMX a 2.5 x 66MHz, e assim por diante.

Os processadores porém “desconhecem” sua própria frequência de operação, e por isso, simplesmente acatam as informações fornecidas pela placa mãe. Se você, por exemplo, ao instalar um 166 MMX (que usa Bus de 66 MHz e multiplicador de 2.5x) por engano
jumpear a placa mãe para sinalizar o multiplicador de 2x, fará o processador funcionar a 133 MHz.

Assim como, jumpeando erradamente a placa mãe, podemos fazer com que o processador funcione mais lentamente, podemos propositadamente jumpea-la para obrigá-lo a trabalhar mais rápido. Se no mesmo exemplo do 166 MMX, configurássemos a placa mãe para
sinalizar o multiplicador de 3x, faríamos o processador funcionar a 200 MHz.

Tenho certeza que você já ouviu falar de processadores “remarcados” ou então de processadores “falsificados”. Estes processadores nada mais são do que processadores normais que têm apagadas as inscrições impressas na sua parte superior onde está
estampada sua velocidade, sendo reimpressa outra inscrição semelhante à encontrada em um processador mais rápido. Há pouco tempo atrás, eram extremamente comuns processadores 166 MMX que eram remarcados e vendidos como processadores 200 ou 233 MMX, ou
Processadores Pentium II de 266 que após remarcados eram vendidos como processadores de 300 MHz. O comprador então acredita piamente que está levando um 233 MMX para casa, simplesmente por que está escrito no processador. Chegando em casa, ele jumpeia sua
placa mãe para 3.5x 66 MHz e o processador realmente funciona a 233 MHz, muitas vezes sem maiores problemas, porém, em overclock, já que na verdade o processador não passa de um 166 MMX.

Para os mais cépticos, aqui vai uma explicação um pouco mais técnica sobre este assunto:

Apesar do processador possuir uma freqüência ideal de operação, determinada pelo fabricante, obedecendo um certo nível de tolerância, a freqüência na qual ela realmente irá operar é determinada por um circuito chamado gerador de clock. Este por sua
vez, nada mais é do que um cristal de quartzo, que ao receber uma certa corrente elétrica, vibra uma cerca quantidade de vezes por segundo, com uma precisão quase que absoluta. Justamente devido à esta precisão, os cristais de Quartzo são também usados em
relógios.

Pois bem, o cristal de Quartzo vibra a 14,318 MHz. A placa mãe utiliza então esta freqüência como referência, para determinar a freqüência do barramento, multiplicando-a por um certo número, a fim de atingir os 66, 100 ou 133 MHz utilizados.

Para que o micro possa funcionar, todos os componentes devem trabalhar sincronizadamente. É por isso que só pode existir UM gerador de clock, o que está embutido na placa mãe. Isto significa que o processador não pode ter seu próprio gerador de clock,
ele tem que operar orientado pelo gerador instalado na placa mãe. Não é uma questão económica, e sim técnica. Se fosse instalado um segundo gerador de clock no processador, não teríamos sincronia entre ele e a placa mãe, e o micro simplesmente não
funcionaria.

Como o processador não tem seu próprio gerador de clock, ele trabalha baseado na freqüência de operação da placa mãe (bus), multiplicando-a por um certo número a fim de atingir sua própria freqüência de operação.

O processador porém, não tem como saber qual freqüência de operação está sendo sinalizada pela placa mãe, não tem como saber se são 66 ou 75 MHz por exemplo. Ele simplesmente pegará a freqüência que for fornecida, seja qual for, e tentará “dançar
conforme a música”. É justamente esta característica que permite o overclock. Aumentando a freqüência da placa mãe, indiretamente obrigamos o processador a também trabalhar mais rápido.

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