A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China ganhou um novo capítulo que ameaça diretamente os gigantes da memória Samsung e SK Hynix. A Casa Branca prepara regras mais duras para restringir a modernização de fábricas dessas empresas em território chinês, medida que pode afetar tanto o mercado de DRAM quanto, principalmente, o de NAND Flash, informa a Reuters.
O que muda com as novas regras
Dentro de 120 dias, deve entrar em vigor uma diretriz que elimina exceções concedidas anteriormente às sul-coreanas. Na prática, qualquer atualização tecnológica em suas linhas de produção na China dependerá de uma nova licença dos EUA — agora com critérios muito mais rígidos.
Segundo analistas, isso congela o avanço das fábricas no nível atual, impedindo que recebam equipamentos de ponta. O risco é que, no médio prazo, essas plantas só consigam produzir chips mais antigos, forçando a transferência de projetos estratégicos para outros países.
Impacto imediato para SK Hynix
A situação é particularmente delicada para a SK Hynix. Em março, a empresa concluiu a compra da divisão de SSDs da Intel por US$ 9 bilhões. O negócio incluiu a fábrica 68, em Dalian, aberta em 2010 e ampliada em 2015.
Hoje, cerca de 45% do NAND da SK Hynix vêm da China, além da produção massiva de DRAM em Wuxi. Restrições adicionais podem desestabilizar tanto o retorno do investimento bilionário quanto a cadeia global de fornecimento da empresa.
Samsung também na mira
A Samsung, maior rival da SK Hynix no setor, não escapa das restrições. Em Xi’an, província chinesa de Shaanxi, a companhia mantém uma de suas principais bases de produção de NAND, responsável por até 40% da produção global da marca, segundo o Korea Economic Daily.
Com a limitação de upgrades, a empresa pode enfrentar dificuldades para manter competitividade frente a concorrentes que operam fábricas em países sem essas barreiras.
Reação das empresas
Ainda não há resposta oficial das companhias sobre as medidas. Mas não seria a primeira vez que a SK Hynix considera abandonar parte de suas operações na China: há três anos, executivos chegaram a discutir a possibilidade caso as pressões aumentassem.
Para ambas as empresas, o desafio é claro: reorganizar cadeias de produção em um mercado onde memória é insumo crítico para smartphones, servidores, PCs e inteligência artificial. A restrição também pressiona governos da Coreia do Sul e da China, que podem buscar contrapartidas diplomáticas ou novos incentivos.
Esta postagem foi modificada pela última vez em 01/09/2025 11:57