Passos finais

Antes do final da instalação, existe ainda a opção de “configurar” o mouse, criando mais um link simbólico, o “/dev/mouse”, apontando para a localização correta. Você pode indicar o tipo de mouse usado, onde o “ps2” indica um mouse de dois botões, ligado à porta PS/2, o “imps2” um mouse PS/2 com roda e o “usb” server para mouses ligados à porta USB de uma forma geral. Existem outros tipos de mouse menos usados e até mesmo a opção de usar um tablet como mouse:

A principal questão aqui é que esta configuração na verdade não serve para o modo gráfico, mas sim para o gpm, um pequeno serviço que controla o suporte a mouse no terminal. Muitos programas de modo texto, como o links e o mc suportam o uso do mouse, mesmo com o sistema trabalhando em modo texto puro, mas, naturalmente, pouca gente usa o sistema deste modo atualmente. É muito mais prático abrir diversas janelas de terminal dentro do ambiente gráfico.

Em seguida, você tem a opção de ativar ou não o gpm. Em alguns casos o gpm interfere com a configuração do mouse no modo gráfico, por isso se você não pretender realmente usar o sistema em modo texto puro, é aconselhável desativá-lo.

Em seguida, você tem a opção de criar o link “/dev/modem”, que apontaria para a porta do modem, facilitando seu uso nos discadores. Digo “apontaria” pois esta opção é útil apenas para as poucas pessoas que ainda utilizam um hardmodem ISA, ou um modem externo ligado em uma porta serial, configuração na qual o modem é acessado diretamente e basta criar o link “/dev/modem” apontando para a porta correta.

Todos os modems discados atuais são softmodems, que precisam de algum driver adicional para funcionar. Alguns possuem drivers para Linux, outros não, mas em qualquer caso a instalação não se resume a apenas criar um link simbólico.

Como de praxe, o instalador pergunta também sobre a configuração da rede, oferecendo as tradicionais opções de usar endereços estáticos ou DHCP. Se você acessa através de uma conexão compartilhada, ou via cabo, precisa apenas ativar a configuração via DHCP; se acessa através de uma conexão wireless, será necessário primeiro ativar e configurar os parâmetros da rede wireless, o que só pode ser feito depois de concluída a instalação. Finalmente, se você acessa via ADSL com autenticação, a dica é não configurar nada aqui, deixando para configurar o ADSL depois do primeiro boot, usando o comando “adsl-setup”.

Caso você tenha instalado algum dos servidores disponíveis na categoria “n” (o padrão do instalador é instalar vários), você tem uma última chance de desativá-los na configuração dos serviços, que determina quais serão carregados na inicialização do sistema.

A configuração é muito mais simples do que parece: consiste apenas em fazer com que o script correspondente, salvo dentro da pasta “/etc/rc.d/”, seja executável ou não. Esta opção do instalador simplesmente se oferece para fazer isso para você.

É importante notar que, em uma instalação padrão, tanto o “rc.ssh” (que permite acessar sua máquina remotamente) quanto o “rc.sendmail” (um servidor de e-mails) ficam habilitados. É importante desmarcar ambos, caso você não tenha nenhum motivo em especial para mantê-los abertos. O “rc.pcmcia” oferece suporte a placas PCMCIA, é importante mantê-lo ativo ao instalar em um notebook.

Continuando a sabatina, o instalador pergunta se você deseja mudar a fonte do terminal (Would you like to try out some custom screen fonts?). Estas fontes de tela alteram apenas o visual do terminal de texto. Algumas fontes são menores e permitem exibir mais texto na tela, enquanto outras possuem visuais estranhos, para todos os gostos.

Novamente, esta configuração afeta apenas o uso do terminal de texto, se você, como todas as pessoas normais, vai passar a maior parte do seu tempo usando o modo gráfico, não existe motivo para perder tempo aqui. Algumas das fontes estouram os limites do terminal, fazendo com que as últimas linhas não sejam exibidas e muitas fontes não suportam acentuação.

Existe ainda a configuração do fuso horário do sistema. Apesar de não parecer, esta configuração é muito importante em servidores e mesmo em alguns tipos de desktop. No Linux é possível manter o relógio do sistema sincronizado em relação a diversos servidores disponíveis na Internet, usando o protocolo NTP. Os servidores principais utilizam relógios atômicos ou GPS, por isso são extremamente precisos.

O uso UTC (horário universal) permite que o mesmo servidor possa atender clientes de todo o mundo, independentemente do fuso horário usado. O sistema subtrai o fuso horário do horário universal, chegando à hora certa na sua cidade.

A configuração consiste em duas perguntas: a primeira é se o relógio do sistema (o relógio do CMOS) está configurado em relação ao UTC, ou não. O padrão no Windows é que o relógio é configurado para o horário local (resposta “No”). O efeito prático é que se você tem o Windows em dual boot e responder “Yes” aqui, o instalador vai atrasar o relógio em duas ou três horas (de acordo com o fuso horário escolhido).

Em outras palavras, quando ele pergunta se “O relógio de hardware está configurado para UTC”, ele está perguntando se o relógio está mostrando a hora certa (independente do fuso horário), ou se ele está mostrando o horário UTC, de onde ele ainda vai subtrair três horas para chegar ao horário de Brasília:

Para usar o horário de Brasília, escolha “America/Sao_Paulo” na tela seguinte. Se precisar alterar a configuração posteriormente, use o timeconfig, que chama este mesmo script usado na instalação.

A última pergunta é sobre a interface gráfica que será usada. Por padrão, o Slackware inicia em modo texto e você precisa rodar o comando “startx” para abrir o modo gráfico. Nessa opção você escolhe qual interface será aberta por padrão.

Aqui entra um fator cultural. Na época em que foram lançadas as primeiras versões do Slackware (versão 1.0 saiu em 1993), o Linux sequer possuía interface gráfica, já que o X foi portado para o sistema apenas em 1994. Por volta de 1995, muitos dos aplicativos mais usados ainda eram de modo texto, de forma que muita gente preferia continuar usando o terminal puro (já que o ambiente gráfico era muito pesado para os PCs da época) e abrir o X apenas quando realmente necessário.

Pouca coisa mudou no instalador e na configuração padrão do Slackware de lá até hoje, de forma que muitas perguntas feitas pelo instalador são exclusivamente relacionadas ao modo texto. De qualquer forma, é fácil configurar o Slackware para abrir o modo gráfico por padrão, como em outras distribuições. Veremos a configuração em detalhes mais adiante.

Concluindo a instalação, você tem a chance de definir uma senha para o root, que é absolutamente necessária em qualquer máquina conectada a qualquer tipo de rede.

Em vez de reiniciar a máquina automaticamente, o instalador volta à tela inicial. Para sair, use a opção “exit” e em seguida reinicie o sistema usando o comando “reboot” ou pressionando “Ctrl+Alt+Del”.

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