O Slackware é o exemplo mais proeminente de “distribuição de um homem só”. Ele foi desenvolvido desde o início por uma única pessoa, Patrick Volkerding, que esporadicamente conta com a ajuda de outros desenvolvedores. Ele se
encarrega de testar e incluir novos pacotes, aperfeiçoar o instalador e outras ferramentas e, periodicamente, lança uma nova versão incluindo todo o trabalho feito até então.
A primeira versão foi disponibilizada em julho de 1993 (época em que a instalação era ainda feita usando disquetes :o) e novas versões vem sendo lançadas uma ou duas vezes por ano desde então. A versão 11.0 foi lançada em
outubro de 2006, a 12.0 foi lançada em julho de 2007, a 12.1 em maio de 2008 e a 12.2 (a mais atual enquanto escrevo) foi disponibilizada em dezembro de 2008.
Uma curiosidade dentro da história do Slackware é que as versões 5 e 6 não existiram, já que a numeração pulou do 4.0 (lançado em maio de 1999) para o 7.0 (outubro de 1999), para acompanhar os números de versão usados no Red
Hat Desktop (que era na época a distribuição mais popular), evitando assim que o Slackware parecesse desatualizado.
Embora tenha uma estrutura interna relativamente simples, o Slackware intencionalmente conta com poucas ferramentas de configuração, e por isso é considerado uma das distribuições mais difíceis, já que quase tudo, desde as
configurações mais básicas, precisa ser feito manualmente.
Ao contrário da maioria das distribuições atuais, o foco do desenvolvimento é manter o sistema fiel às suas raízes, ao invés de tentar facilitar o uso automatizando funções. Mesmo a inclusão do suporte a HAL, um recurso
utilizado pelo KDE (e também pelo GNOME e outros ambientes gráficos) para mostrar janelas de ação quando pendrives e outros dispositivos removíveis são inseridos, foi intencionalmente postergado durante várias versões.
Em termos de configuração e detecção de componentes, o Slackware é uma espécie de “denominador comum” entre as distribuições: ele inclui apenas as ferramentas mais básicas, o que permite que você trace uma linha imaginária
entre o que é detectado pelos serviços padrão do sistema e o que é automatizado por ferramentas específicas incluídas em outras distribuições.
Pode parecer estranho começar abordando logo uma das distribuições mais difíceis. Minha ideia é aproveitar o ânimo inicial para lhe mostrar a estrutura interna e a configuração manual do sistema, usando o Slackware como
exemplo e em seguida mostrar os utilitários e abordagens usadas por outras distribuições para automatizar a configuração. É como fazer dieta: o mais difícil é na primeira semana. 😉
Ao contrário do que se costuma ouvir, a instalação do Slackware pode ser tão simples quanto a do Mandriva ou do Fedora, o problema é justamente o que fazer depois da instalação. Quase nada é automático: som, impressora,
montagem das partições, quase tudo precisa ser configurado manualmente. O “Slack” no nome significa “preguiçoso” no sentido de que o software não fará muita coisa por você. A proposta da distribuição é justamente lhe proporcionar problemas, para que você
possa aprender pesquisando soluções para eles. Esta acaba sendo a principal limitação, mas, ao mesmo tempo, o diferencial que mantém a distribuição relevante.