Para tentar facilitar um pouco as coisas para os iniciantes, as configurações do Systemsettings foram divididas em duas abas, “Geral” e “Avançados”, com a primeira agrupando as funções mais corriqueiras, que são usadas com maior frequência. Vamos então a uma descrição rápida das funções:
Aparência: Como era de se esperar, essa seção permite ajustar o estilo visual, decoração das janelas, cores, alterar o conjunto de ícones e o tema da tela de splash, agrupando basicamente as mesmas opções que eram encontradas na seção “Aparência & Temas” do Kcontrol.
Se você não gostou do espaçamento entre o botão de maximizar e fechar a janela (que é usado no Mandriva 2009 e em algumas outras distribuições), por exemplo, pode removê-lo através da opção “Janelas” do menu. Marque a opção “Usar as posições configuráveis dos botões da barra de título” e remova os dois ícones de espaçamento que aparecem na barra de título dentro da janela (que parece um exemplo de visualização, mas é na verdade um configurador para o posicionamento dos botões).
Uma opção especialmente importante é a configuração das fontes, que deve ser ajustada com carinho, já que permite melhorar (ou estragar de vez) toda a exibição de fontes do sistema com alguns poucos cliques.
Se você usa um monitor LCD e acha que as fontes de tela exibidas por padrão estão um pouco borradas, experimente ativar o Antialiasing no “Usar Anti-aliasing” e, nas configurações, marcar a opção “Usar renderização de sub-pixel” com renderização via RGB e hinting completo:
Para as fontes de tela, as melhores opções são as fontes da família DejaVu e Bitstream Vera (as duas famílias são virtualmente idênticas), seguidas pelas fontes da família Liberation. As distribuições incluem normalmente um grande conjunto de fontes, mas muitas delas são fontes de baixa qualidade, que são incluídas apenas para melhorar a compatibilidade com documentos.
A opção de forçar o DPI das fontes influencia o cálculo de métrica, alterando o tamanho de renderização das fontes. Hoje em dia, o uso de 90 DPI é o padrão, mas antigamente muitas distribuições usavam 75 DPI, o que resultava em fontes menores. O uso de 120 DPI faz as fontes ficarem muito grandes, mas pode ser útil em monitores pequenos (imagine o caso de um HP Mini-Note, que usa uma tela de 8.9″ com resolução de 1280×768, por exemplo) ou no caso de pessoas com vista cansada.
Outra dica importante é com relação às fontes dos aplicativos baseados na biblioteca GTK2, incluindo o Firefox. Por serem baseados em uma biblioteca diferente, eles não estão sujeitos às configurações de fontes do KDE, o que cria um sério problema de falta de consistência, já que eles insistem em continuar utilizando as mesmas fontes (geralmente em um tamanho muito grande, ou muito pequeno) independentemente do seu ajuste.
A solução para o problema é o “gtk-qt-engine”, uma máquina de renderização alternativa que se encarrega de ajustar as fontes dos aplicativos GTK em relação à configuração do KDE, uniformizando a aparência dos aplicativos.
O pacote não vem instalado por padrão em muitas distribuições, mas você pode resolver o problema rapidamente usando o gerenciador de pacotes, como em:
# urpmi gtk-qt-engine
Com o pacote instalado, será adicionada a opção “GTK Styles and Fonts” dentro da opção “Aparência” do Systemsettings, permitindo que você faça o ajuste. O mais simples é marcar as opções “Use my KDE style in GTK applications” e “Use my KDE fonts in GTK applications”, que simplesmente ativam o uso das configurações do KDE, mas se preferir você pode também alterar o estilo e usar fontes alternativas:
A configuração do gtk-qt-engine é salva nos arquivos “.config/gtk-qt-engine/gtk-qt-engine.conf” e “.gtkrc-2.0-kde4” dentro do home. Eles são lidos apenas durante a abertura do KDE, por isso (diferente das outras opções do Systemsettings) é necessário reiniciar o KDE para que as alterações entrem em vigor.
Embora funcione bem na grande maioria dos casos, o gtk-qt-engine é um projeto não-oficial, que não é inteiramente estável e pode causar pequenos problemas visuais em algumas configurações. Outra maneira (bem menos elegante) de ajustar o estilo e as fontes dos aplicativos GTK2 é instalar o painel de controle do GNOME, através do pacote “gnome-control-center”, como em:
# urpmi gnome-control-center
O grande problema é que ele vai instalar um grande volume de dependências que, dependendo do conjunto de pacotes que tiver instalado, podem facilmente somar mais de 30 MB. Uma terceira opção é usar o xfce-mcs-manager.
Antigamente, era possível ajustar as fontes editando diretamente o arquivo “.gtkrc-2.0″, dentro do home. Para que os aplicativos GTK2 utilizassem as fontes Bitstream Sans com tamanho 8, por exemplo, você usaria a linha: gtk-font-name=”Bitstream Vera Sans 08”. Entretanto, o .gtkrc-2.0 está caindo em desuso, com cada vez mais distribuições deixando de utilizá-lo.
Concluindo, além das fontes instaladas por padrão, estão disponíveis diversos outros pacotes de fontes livres, que podem ser instaladas através do gerenciador de pacotes. Experimente fazer uma busca por “ttf” dentro do gerenciador de software no mcc.
Comportamento da janela: A nova engine de renderização do KDE 4 trouxe algumas novas opções para o comportamento das janelas. Se o uso de transparências estiver ativado, por exemplo, você pode ajustar a opticidade das janelas usando a roda do mouse. É possível também criar regras de configuração para aplicativos específicos, usando a opção “Específica da janela”.
Notificações: Se você não gosta dos ruídos e sons de aviso do sistema, pode modificá-los (ou simplesmente desativá-los) aqui. O mesmo vale para a maioria dos popups e mensagens de aviso, que você pode desativar caso a caso.
Área de trabalho: Além das opções básicas, como o número de desktops virtuais, proteções de tela (que agora suportam a inclusão de widgets) e aviso de lançamento, essa seção esconde um grande volume de opções de efeitos, incluindo efeitos 3D (como o bom e velho cubo ao alternar entre os desktops virtuais), sombras e transparências:
Estes efeitos são aplicados diretamente pelo Kwin (o gerenciador de janelas do KDE), em vez de serem processados por um gerenciador alternativo (como o caso do Compiz Fusion), o que faz com que o desempenho seja melhor e os problemas mais raros. A maioria dos efeitos são puramente cosméticos (uma boa maneira de passar o tempo, mas não de aumentar a sua produtividade) e você acaba se cansando deles depois de cinco minutos, mas alguns deles podem até ser úteis.
Se, por outro lado, sua preocupação é com o desempenho, então é melhor simplesmente desativar a opção “Geral > Habilitar os efeitos da área de trabalho”, que desativa todos os efeitos com um único clique, preservando os ciclos de processamento para outras tarefas.
Acessibilidade: Além das tradicionais opções de campainhas, teclas modificadoras, filtros e teclas lentas, o KDE 4 oferece também suporte a sintetizadores de voz, que tornam o sistema utilizável para deficientes visuais.
Aplicativos padrão: Ao contrário do que o nome pode sugerir, esta seção não permite ajustar as associações de arquivos (escondidas dentro da seção avançada), mas apenas definir o editor de textos, gerenciador de arquivos, terminal e outros aplicativos padrão do sistema. É interessante ajustá-los se você pretender usar o Pidgin no lugar do Kopete ou o Thunderbird no lugar do Kmail, por exemplo, para que o sistema abra os aplicativos corretos ao clicar em links e atalhos.
Meu usuário: Além do ícone de login e os outros detalhes da conta, essa opção permite alterar as pastas usadas por padrão para a área de trabalho, documentos e para a pasta autostart (que é por default a “/home/$USER/.kde4/Autostart/”). A possibilidade de alterar as pastas diretamente através do painel de controle é uma novidade do KDE 4.
Regional & idioma: Esta seção agrupa as opções de ajuste da linguagem e do layout do teclado, similar à seção “Regional e Acessibilidade” do Kcontrol. Como de praxe, o teclado deve ser configurado como “Brazilian ABNT2”, com layout “Brazil BR”. A seção “Layout do Teclado > Avançado” esconde diversas opções que permitem alterar o comportamento das teclas, fazendo com que a tecla Caps Lock atue como uma segunda tecla Shift ou Backspace, por exemplo.
Compartilhamento: No KDE 4.2 essa opção inclui apenas campos para especificar o usuário e senha que serão usados por padrão ao tentar acessar compartilhamentos de rede do Windows através do Dolphin ou outros aplicativos do KDE. Entretanto, ela deve ganhar também opções para compartilhar pastas nas próximas versões do KDE, quando o pacote “kdenetwork-filesharing” for portado para o KDE 4.
Configurações de rede: Aqui vão as configurações de conexão e proxy para o Konqueror e outros aplicativos do KDE. É importante enfatizar que as configurações não se aplicam ao Firefox ou a aplicativos do GNOME, que utilizam configurações próprias.
Ações de entrada: Esta é a seção para configuração dos atalhos e gestos de entrada, que no Kcontrol estava disponível através do “Regional e Acessibilidade”. Esta seção é baseada no mesmo módulo usado no Kcontrol; você notará poucas mudanças em relação ao KDE 3.5.
Em resumo, essa opção é uma seção avançada de configuração, onde você pode criar atalhos para executar ações específicas dentro de aplicativos (como alterar a faixa no Amarok ou abrir um DVD no Dragon Player, por exemplo). Se você tem um teclado multimídia ou um controle remoto e quer programar as teclas para executar funções diversas, aqui é o lugar. Se, por outro lado, você quer apenas ajustar os atalhos básicos do sistema, use as opções dentro da seção “Mouse & teclado”.
Data & hora: Esta seção dispara a mesma extensão de configuração da data, hora e fuso-horário que você acessa através do menu de configuração dentro do applet do relógio.
Instalador de fontes: Este é outro módulo herdado do Kcontrol, que corresponde ao utilitário de instalação de fontes que ficava disponível dentro da seção “Administração do sistema” no Kcontrol.
Mouse & teclado: Aqui vão as configurações gerais para o teclado e mouse, incluindo o ajuste da taxa de repetição, ativação ou não da tecla NunLock na abertura do KDE, aceleração do mouse e ajuste do tema do cursor. Se você não gostou do default de abrir arquivos com um único clique, por exemplo, basta marcar a opção “Clique duplo para abrir arquivos e pastas” no menu de configuração do mouse.
Como comentei anteriormente, a seção inclui também a configuração dos atalhos do sistema, que são divididos em duas seções, uma com os atalhos de teclado globais (como o F1 para abrir a janela de ajuda e o Ctrl+P para imprimir), que são aplicados a todos os aplicativos do sistema (incluindo o Firefox e também os aplicativos do GNOME) e uma seção separada com atalhos para aplicativos específicos:
Está disponível também o velho módulo para configuração de joysticks, que é necessário apenas ao usar joysticks analógicos (os ligados na saída da placa de som).
Multimídia: No KDE 3.5, você podia escolher entre ativar o Arts, e tentar fazer com que todos os aplicativos o utilizassem, ou simplesmente desativar o servidor de som e deixar que os aplicativos acessassem a placa de som diretamente. Isso criava problemas em muitas situações, fazendo com que um aplicativo não conseguisse usar o som por que outro já estava usando.
Para complicar, temos os aplicativos do GNOME, que utilizam o Gstreamer (o backend de mídia do GNOME), o uso de servidores de som, como o PulseAudio, e assim por diante, o que torna a simples tarefa de ouvir um MP3 e escutar os sons de aviso do Skype simultaneamente uma tarefa potencialmente espinhosa.
Para colocar ordem na casa, a equipe do KDE desenvolveu o Phonon, um novo backend para aplicativos de mídia do KDE 4 que, em vez de reinventar a roda, tentando ser um servidor de som, simplesmente se integra à infra-estrutura disponível. O mais comum nas distribuições atuais é que ele utilize o GStreamer e o PulseAudio, mas isso pode variar de acordo com a configuração.
Tela: Na maioria das distribuições atuais, a detecção das resoluções suportadas é feita automaticamente pelo X.org, assim como a detecção do driver de vídeo. Algumas distribuições, (como no caso do Fedora 11), já estão indo longe a ponto de eliminar completamente o arquivo de configuração, fazendo com que o sistema dependa completamente da auto-detecção.
A ideia central é que o sistema detecte todas as resoluções suportadas durante a abertura do X e você possa alternar entre elas através de um aplicativo de configuração dentro do ambiente gráfico, sem precisar se logar como root, nem reiniciar o X após cada alteração.
No caso do KDE 4, o utilitário de configuração é o “Tamanho & orientação”, que permite ajustar a resolução (no caso de notebooks com saída VGA, ou placas de vídeo com o twin-view, você pode ajustar as resoluções das duas telas de forma independente) além de ativar os recursos de rotacionar a tela, suportados por alguns chipsets de vídeo (como no caso dos chipsets recentes da Intel). Caso a placa possua uma saída DVI, ou S-Video, ele deve exibir também uma seção para a saída da TV:
Está disponível também a velha seção de controle de energia, com as mesmas opções básicas para suspender e desligar o monitor depois de um determinado período de inatividade, que estavam disponíveis no Kcontrol.