Monitoramento e outras funções

Continuando, muitos modelos de nobreaks oferecem a possibilidade de usar um cabo de monitoramento, que pode ser tanto um cabo USB quanto serial (nos modelos mais antigos) ligado ao PC. Um software se encarrega de monitorar o status e a carga das baterias e pode ser programado para desligar o micro ou executar outras ações quando a carga das baterias está no fim.

No Windows você pode usar as opções disponíveis na aba “UPS” do “Painel de Controle > Opções de energia” (ou usar algum software fornecido pelo fabricante), enquanto no Linux você utilizaria o “upsd” (o daemon genérico) ou o “apcupsd” (específico para nobreaks da APC). Eles estão disponíveis nas principais distribuições, precisam apenas ser configurados e ativados. Você pode ler mais sobre eles no https://www.networkupstools.org/compat/ e https://www.apcupsd.com/.

Nos nobreaks da SMS, por exemplo, você utiliza o SMS Power View (disponível no www.alerta24h.com.br), que possui também uma versão Linux, embora deficiente. O software é instalado no PC ao qual o nobreak está conectado, mas as informações fornecidas pelo nobreak podem ser acompanhadas a partir de qualquer micro da rede, graças a um mini-servidor web incluído no programa. Para isso, basta acessar o ip_do_servidor:8080, como em “https://192.168.0.1:8080“. É possível também acessar via internet, caso você mantenha a porta 8080 aberta.

No screenshot a seguir o software está se comunicando com um Manager III, de 1400 VA. No exemplo ele está trabalhando com uma carga pequena, de apenas 180 watts (medida usando um kill-a-watt), por isso o medidor “potência de saída” do software mostra que o nobreak está trabalhando com apenas 20% de sua capacidade:

Embora a tensão nominal da rede elétrica seja de “110V”, a rede elétrica no Brasil trabalha com 127V, tensão necessária para o uso de sistemas trifásicos. É normal que a tensão varie sutilmente ao longo do dia (caindo em 3V ou 5V durante os horários de maior consumo, por exemplo), mas isso não chega a prejudicar os equipamentos, ao contrário de variações súbitas, como no caso dos surtos.

Como se trata de um modelo line-interactive, o nobreak se encarrega de estabilizar a tensão, entregando 115V para os equipamentos, mas a tensão de saída também varia sutilmente (no screenshot, por exemplo, está a 113V), acompanhando as variações da tensão de entrada. Isso acontece por que o nobreak ajusta a tensão em estágios, subtraindo ou adicionando valores fixos (+9V, +6V, -6V, -9V, etc.) para tentar manter a tensão de saída próxima dos 115V.

Esse trabalho é muito similar ao realizado pelos estabilizadores (ou seja, desnecessário para um PC atual), mas pelo menos no caso dos nobreaks line-interactive ele tem a função de reduzir o tempo de chaveamento para as baterias em caso de queda. De qualquer forma, pequenas variações como estas não prejudicam os equipamentos, caso contrário eles não funcionariam usando os 127V fornecidos pela rede elétrica atual em primeiro lugar.

Continuando, se você acessa via ADSL ou cabo, é importante comprar um nobreak ou filtro de linha com proteção para a linha telefônica e/ou cabo de TV, já que a incidência de raios nesses meios é maior do que através da rede elétrica. O principal motivo é que na rede elétrica temos os transformadores e disjuntores, que funcionam como uma barreira inicial, enquanto a linha telefônica e o cabo de TV são ligações diretas entre o modem e a central, sem proteções adicionais pelo caminho:

Uma observação é que qualquer filtro ou protetor para a linha telefônica causa uma pequena perda de sinal, devido ao uso de MOVs e outros componentes. Por isso, é importante comprar produtos de boa qualidade, onde a perda é menor. Não acredite nos filtros de 5 reais ou em receitas folclóricas como dar nós no cabo.

Embora menos comum, também é possível que o equipamento seja danificado através da placa de rede, caso existam outros micros sem proteção na rede ou o modem ADSL (ligado ao hub) esteja ligado diretamente na linha telefônica. Um raio que atinja outro equipamento pode continuar através do cabo de rede e a partir daí danificar o hub e os micros ligados a ele. A rede local é um ponto vulnerável contra descargas elétricas, pois ao contrário da rede elétrica, ela não possui aterramento. A única rota de escape são os próprios micros, daí o perigo.

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 24/12/2010 02:11

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