O soquete LGA-775

Junto com o Prescott, foi lançado o soquete LGA-775 (também chamado de soquete T). A sigla LGA é abreviação de “Land Grid Array”, onde o nome indica a forma como o processador é encaixado, “pousando” sobre a cama de pinos do soquete.

O soquete 775 foi projetado de forma a melhorar o contato dos pinos e reduzir a distância que os sinais elétricos precisam percorrer do processador ao chipset, além de permitir que os capacitores instalados na parte inferior do processador (responsáveis por filtrar e estabilizar a corrente) possam ser instalados o mais próximo possível do núcleo.

Os pinos de encaixe foram retirados do processador e movidos para o soquete, e um novo mecanismo de retenção foi projetado:

Soquete LGA-775

Os contatos do soquete 775 são realmente muito finos e frágeis. No lugar de pinos, o processador possui pequenos pontos de contato, que correspondem precisamente aos pinos no soquete:

Pentium 4 com core Prescott em versão LGA-775

Essa fragilidade faz com que seja muito fácil entornar parte dos contatos da placa ao instalar o processador de forma desastrada. Ao contrário do que temos em processadores antigos, onde com um pouco de jeito é possível desentortar alguns pinos entortados durante uma tentativa de instalação mal feita, é praticamente impossível desentortar contatos amassados no soquete 775, de forma que uma instalação incorreta do processador simplesmente inutiliza a placa-mãe.

Ao instalar o processador você deve posicioná-lo sobre o soquete e simplesmente soltá-lo, deixando que a lei da gravidade se encarregue de encaixá-lo. Nunca aplique pressão sobre o processador, pois isso só servirá para entortar os pinos que não estiverem bem posicionados.

Uma vez fechado, o mecanismo de retenção prende o processador, aplicando a pressão necessária para que ele fique bem preso ao soquete, maximizando a condutividade elétrica. Graças a isso, a pressão exercida pelo sistema de retenção do cooler pode ser muito menor, o que evita que a placa “envergue”, como no caso das placas soquete 478.

Você pode notar, pela foto, que não existe um mecanismo de retenção para o cooler, como nas placas soquete 478. Como a pressão sobre o processador é exercida pelo mecanismo de retenção do soquete, o cooler é simplesmente encaixado através dos orifícios disponíveis na placa:

O mecanismo de retenção

A partir de 2004, a Intel migrou rapidamente todos os processadores de alto desempenho para o soquete 775, transformando as placas soquete 478 em uma plataforma de baixo custo, destinada sobretudo aos Celerons.

Embora fossem um beco sem saída em termos de upgrade (já que não suportavam o Pentium D e nem o core 2 Duo), as placas soquete 478 se tornaram tão baratas que continuaram representando a maior parte das vendas no Brasil ao longo de 2005 e 2006. Além das placas, o Celeron D (baseado no core Prescott) teve seu preço drasticamente reduzido após o lançamento do Core 2 Duo, tornando-se mais barato que os Semprons equivalentes.

O principal motivo da Intel ter permitido que a plataforma soquete 478 tivesse uma sobrevida tão grande foi justamente conservar uma plataforma de baixo custo, que pudesse conter o avanço dos processadores AMD, evitando cair no mesmo erro que cometeu na época do Pentium II. De qualquer forma, com a popularização dos processadores baseados na arquitetura Core, as placas soquete 478 chegaram ao fim da linha, abrindo espaço para suas sucessoras.

O soquete LGA-775 se revelou um dos soquetes mais duradouros da Intel, sendo usado ao longo de toda a série Pentium D e em seguida pelas famílias Core 2 Duo e Core 2 Quad. Ele se tornou obsoleto apenas com a introdução do Core i7, i5 e i3, que adotaram o uso dos soquetes LGA-1366 e LGA-1156

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 03/01/2011 19:08

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