Os Intel Macs

Antigamente, muito se discutia sobre as vantagens e desvantagens dos processadores PowerPC em relação aos chips x86. O principal reduto dos chips PowerPC eram os Macs (com todo o misticismo envolvido), enquanto os PCs eram o
território dos chips x86. Com isso, as discussões em torno dos Macs e PCs orbitavam não apenas em torno do OS X e dos softwares para a plataforma, mas também nas diferenças entre as duas famílias de processadores, muitas vezes descambando para a velha
briga CISC x RISC.

Em resumo, a filosofia CISC, empregada nos primeiros chips x86, se baseia na ideia de produzir chips capazes de executar um grande número de instruções, facilitando o trabalho dos desenvolvedores e dos compiladores. A
filosofia RISC, por outro lado, se baseia no uso de instruções simples, que são executadas rapidamente pelo processador e podem ser combinadas para desempenhar as funções de instruções mais complexas.

A briga começou na década de 1970, quando os chips eram muito simples e os projetistas eram obrigados a seguir uma linha ou outra. Na época, processadores RISC eram em geral mais eficientes, enquanto os CISC eram mais
simples de programar, já que executavam mais funções diretamente.

Entretanto, com o passar do tempo a melhoria nas técnicas de fabricação possibilitou o desenvolvimento de chips mais complexos, o que tornou a distinção muito menos clara. Todos os processadores Intel a partir do Pentium Pro
e todos os AMD a partir do K6 executam internamente instruções simples (como os RISC), mas possuem decodificadores de instruções dedicados a manter a compatibilidade com as instruções x86. Muito trabalho foi aplicado no desenvolvimento de decodificadores
mais eficientes, o que tornou o processo bastante rápido, eliminando quase todo o overhead.

Ao contrário do que muitos previam, em vez de gradualmente migrarem para um conjunto de instruções mais simples, os processadores foram ganhando novas instruções com o passar do tempo (SSE, 3DNow, SSE2, SSE3, SSE4, etc), que
tiram proveito da arquitetura superescalar dos chips atuais.

Essa tendência de aumento na complexidade atingiu também os chips RISC da família PowerPC, que passaram a incorporar cada vez mais componentes internos e um número cada vez maior de novas instruções, o que eliminou grande
parte dos argumentos com relação à simplicidade.

Os chips x86 continuaram sendo maiores (devido à carga de compatibilidade e ao uso dos decodificadores de instruções) mas o desempenho por ciclo de clock e a eficiência passaram a não serem tão diferentes, invalidando grande
parte dos argumentos práticos. A própria questão do desenvolvimento deixou de ser um problema, já que os compiladores passaram a se encarregar do trabalho pesado, deixando o desenvolvedor livre para se preocupar com as funções da linguagem escolhida, e
não do processador.

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