Depois de concluída a cópia, chegamos à segunda parte da instalação, onde é gerada a configuração inicial do sistema e é instalado o gerenciador de boot:
A primeira pergunta é sobre a geração de um pendrive de boot, que pode ser usado para inicializar o sistema caso, por qualquer motivo, o gerenciador de boot seja sobrescrito ou desativado posteriormente, como no clássico caso do Windows instalado em dual-boot que é reinstalado, sobrescrevendo o lilo. Nas versões antigas, o instalador se oferecia para gerar um disquete de boot, mas a opção se tornou obsoleta a partir do Slackware 12.
Além do pendrive de boot, outra forma simples de recuperar o sistema em caso de problemas é dar boot usando um live-CD, onde você tem acesso à internet e outras ferramentas úteis para solucionar o problema.
A partir dele, você pode montar a partição onde o sistema principal está instalado e até mesmo obter um prompt de comando, que pode ser usado para regravar o lilo, instalar pacotes ou alterar a senha de root, por exemplo. Basicamente, qualquer distribuição live-CD desempenha bem essa tarefa, incluindo o Ubuntu e o Mandriva One. Você pode também utilizar o Slax, que é um live-CD baseado no Slackware.
Para montar a partição, a partir do live-CD, use o comando “mount”, especificando o sistema de arquivos em que a partição está formatada, como em:
# mount -t ext3 /dev/sda1 /mnt/sda1
Para ter acesso ao prompt, use o comando chroot, especificando a pasta onde a partição foi montada, como em:
# chroot /mnt/sda1
Se precisar regravar o lilo, edite o arquivo “/etc/lilo.conf”, usando um editor em modo texto (como o mcedit ou o vi) e rode o comando “lilo” no terminal para salvar as alterações.
Para instalar pacotes (ou reinstalá-los, a fim de corrigir arquivos corrompidos), copie os arquivos para uma pasta dentro da partição do sistema principal e instale-os usando os comandos de praxe. No caso do Slackware, você pode instalar pacotes usando o comando “installpkg”.
Finalmente, para alterar a senha de root, basta usar o comando “passwd” dentro do chroot. De dentro do terminal você tem acesso a outros comandos de modo texto que estejam disponíveis na instalação, como se realmente estivesse usando o sistema principal.
O passo seguinte é a configuração do lilo, o gerenciador de boot responsável por carregar o sistema na hora do boot. Para gerar a configuração, o instalador precisa reunir uma série de informações, que são pauta para as perguntas seguintes:
Usando a opção “simple”, o arquivo de configuração é criado automaticamente e você precisa escolher apenas entre gravar o lilo na MBR (de forma que o Slackware seja o sistema padrão), ou gravar o lilo no primeiro setor da partição (Root), opção que é usada caso você esteja instalando o Slackware junto com outras distribuições e prefira configurar uma delas para carregá-lo.
A opção “expert” vai um pouco além (oferecendo também a opção de revisar a configuração no final do processo), mas as escolhas são basicamente as mesmas. A grande armadilha é a opção “skip”, que aborta a instalação do gerenciador de boot e faz com que o sistema simplesmente não inicialize depois de instalado, deixando apenas a possibilidade de usar o pendrive de boot, caso gerado no passo anterior.
A primeira pergunta dentro da configuração do lilo é sobre o uso do frame-buffer, que melhora bastante o aspecto do terminal de modo texto e permite usar resoluções maiores. O sintoma de que ele está ativo é a exibição do Tux no topo da tela durante o boot:
O frame-buffer é uma espécie de driver de vídeo rudimentar, onde o sistema operacional manipula diretamente a memória da placa de vídeo, gravando e atualizando a imagem que será mostrada por ela no monitor. Ele não oferece nenhum tipo de aceleração, nem usa qualquer recurso especial disponível na placa de vídeo, mas, em compensação, é um sistema bastante simples e por isso funciona diretamente a partir do kernel, logo no início do boot, sem precisar do X ou de outras camadas adicionais. Os splashes e animações exibidas durante o boot em outras distribuições funcionam justamente utilizando o frame-buffer.
É importante enfatizar que a resolução do frame-buffer afeta apenas o terminal, sem qualquer efeito sobre a resolução dentro do ambiente gráfico. Antigamente, existia a opção de usar o módulo “fbdev” na configuração do X, o que permitia usar o frame-buffer também no X, como uma forma de resolver problemas de compatibilidade com placas diversas, mas hoje em dia isso é feito usando o driver “vesa”.
A maioria das placas de vídeo suportam 1024x768x64k (1024×768 com 16 bits de cor), mas muitos modelos (incluindo muitas placas atuais, sobretudo com chipset nVidia) ficam restritos a 800×600. Apenas algumas placas antigas não suportam frame-buffer completamente. Ao usar uma resolução não suportada, você verá uma mensagem de erro durante o boot, mas nada que impeça a inicialização normal.
Esta opção pode ser alterada posteriormente editando o arquivo de configuração do lilo (o “/etc/lilo.conf”). Use “vga=791” para 1024×768, “vga=788” para 800×600 ou “vga=785” para 640×480:
A próxima pergunta é sobre o kernel. Em versões antigas, você tinha a opção de escolher qual kernel utilizar, entre várias opções, como “bare.i”, “scsi.s” ou “sata.i”. Estas diferentes opções ofereciam versões do kernel equipadas com diferentes conjuntos de drivers e recursos, destinados a oferecerem o melhor desempenho em configurações específicas.
O problema óbvio com essa abordagem é que era necessário um certo nível de conhecimento para saber escolher a versão correta e, em muitos casos, escolher a versão incorreta do kernel resultava em um sistema inoperante. Com a adoção do kernel 2.6 a partir do Slackware 12, a escolha foi simplificada, restando apenas a opção de usar o “huge.s” (na etapa inicial do boot), destinado a máquinas antigas.
Durante a instalação, resta apenas a opção de especificar parâmetros para o kernel, da qual você pode lançar mão caso precise usar o “acpi=off”, “noapic” ou outra opção de boot:
A partir do Slackware 12.1, você tem também a opção de desativar o uso do UTF-8 no console, o que permite solucionar problemas diversos com a exibição dos caracteres. O UTF-8 é um novo sistema de codificação, que oferece um melhor suporte a caracteres especiais e caracteres de línguas asiáticas. O grande problema é que os códigos para caracteres acentuados e caracteres especiais do UTF-8 causam problemas de exibição em programas que não estão preparados para lidar com eles, fazendo com que você veja quadrados ou outros caracteres estranhos no lugar de caracteres acentuados e aspas.
A migração para o UTF-8 tem causado muitos problemas para quem mantém um site ou blog e as dores do parto se estendem a muitos aplicativos. Entretanto, é importante ter em mente que a opção mostrada durante a instalação afeta apenas o comportamento do terminal (sem nenhum efeito sobre os aplicativos gráficos), ou seja, ela é bastante específica:
Finalmente, chegamos à instalação do lilo propriamente dita. Nunca deixe de instalar o lilo na MBR caso o Slackware seja o único sistema instalado, ou caso esteja instalando em dual boot com o Windows. Caso contrário, você simplesmente ficará trancado do lado de fora, sem ter como inicializar o sistema depois da instalação:






