Além dos drivers open-source, temos também os drivers 3D proprietários da nVidia e da ATI, que podem ser instalados posteriormente. O driver da nVidia é prioritário, já que o driver “nv” (a opção open-source incluída no X) oferece apenas suporte 2D, enquanto o driver da ATI só é realmente necessário em alguns casos.
nVidia: Embora sejam proprietários e sejam distribuídos apenas em formato binário (o que faz com que não sejam incluídos por padrão na maioria dos distribuições), os drivers da nVidia são bem desenvolvidos e relativamente fáceis de instalar. Você pode baixá-los no:
https://www.nvidia.com/object/unix.html
Em 90% dos casos, você deve baixar a versão Linux IA32, a versão “padrão”. A versão “AMD64/EM64T” é reservada para distribuições Linux compiladas para processadores de 64 bits, que não é o caso do Slackware 12.2.
Se você tem uma placa nVidia antiga, baixe uma das versões do driver Legacy, que estão disponíveis logo abaixo do link principal. As versões mais antigas oferecem suporte até mesmo a placas como a GeForce 256 e a GeForce2 GTS.
Para instalar, a única dificuldade é que você precisa encerrar o modo gráfico e executar o arquivo a partir de um terminal de texto puro. Se você tiver ativado a abertura automática do ambiente gráfico, basta usar o comando “init 3” como root. Ele fecha o KDM, devolvendo-o ao terminal em texto.
A partir daí, logue-se como root no terminal, marque a permissão de execução para o arquivo e execute-o, como em:
# chmod +x NVIDIA-Linux-x86-180.29.pkg1.run # ./NVIDIA-Linux-x86-180.29.pkg1.run
Além de instalar o driver, é necessário alterar a configuração do vídeo, para que ele seja usado. Responda “yes” quando o instalador perguntar sobre a configuração do vídeo, deixando que ele faça as alterações necessárias no arquivo “/etc/X11/xorg.conf” de forma automática.
Se você gostou de editar a configuração do X manualmente, é possível também fazer a configuração manualmente, já que ela consiste em apenas algumas alterações simples.
Para isso, edite o “/etc/X11/xorg.conf”. Perto do início do arquivo (na seção “Module”), comente ou apague as linhas Load “GLcore” e Load “dri” e verifique se a linha “Load “glx” está descomentada.
Mais abaixo (na seção “Device”), procure pela linha Driver “nv” (ou Driver “vesa”) e substitua-a por Driver “nvidia“, indicando que o X deve usar o novo driver. Basicamente, são estas três alterações que o instalador faz ao modificar o arquivo.
Depois de concluído, reabra o ambiente gráfico usando o comando “init 4“. Em caso de problemas, basta desfazer as alterações para desativar o driver e voltar a usar o driver “nv”.
Uma opção relacionada ao driver que causa problemas em conjunto com algumas placas AGP (ela não se aplica às placas PCI Express), é a opção “NvAGP”, que pode ser adicionada dentro da seção “Device”, acima da linha Driver “nvidia”, como em:
Section "Device" Option "NvAGP" "1" Identifier "Card0" Driver "nvidia" VendorName "All" BoardName "All" EndSection
Se o vídeo não está abrindo, ou o micro está travando ao rodar aplicativos 3D, experimente substituir o “1” por um “0”. Isso faz com que a placa de vídeo seja acessada como se fosse uma placa PCI, sem armazenar texturas na memória e outros recursos permitidos pelo AGP.
O desempenho naturalmente cai, principalmente nos games mais pesados ou ao usar resoluções mais altas, mas os problemas são minimizados. Você pode experimentar também substituir o “1” por “2”, de forma que a linha fique: Option “NvAGP” “2”
Assim, você usa o driver “agpgart”, que é o driver AGP padrão, incluído no próprio kernel. Este é um driver genérico, que ativa todas as funções do barramento AGP, sem nenhuma otimização em especial. É um meio termo entre usar o módulo da nVidia e usar o NvAGP “0”.
Concluindo, existe também um projeto de desenvolvimento de drivers 3D open-source para placas da nVidia, o “Nouveau” (pronuncia-se “novô”). Ele é desenvolvido sem o apoio da nVidia e, no início de 2009, ainda oferece suporte 3D para poucas placas, mas, apesar disso, ele já é utilizado por default no Fedora 11. Pode ser que se torne uma alternativa viável aos drivers binários da nVidia no futuro.
ATI: As placas da ATI sempre foram relativamente bem suportadas pelo Xfree. Tanto as antigas Riva 128 quanto as Radeon possuem drivers nativos a partir do Xfree 4.3 e em todas as versões do X.org, através dos drivers “r128” e “ati” (ou “radeon”, nas versões anteriores do X). Estes drivers oferecem um desempenho 3D razoável, em parte graças à própria ATI, que contribuiu no desenvolvimento e abriu parte das especificações das placas, de forma a facilitar o trabalho da equipe de desenvolvimento.
Entretanto, em 2003, a ATI resolveu seguir o mesmo caminho da nVidia, passando a desenvolver um driver 3D proprietário e parou de contribuir com o desenvolvimento do driver open-source. O grande problema era que a ATI dedicava apenas uma pequena equipe ao desenvolvimento dos drivers, o que resultava em muitos problemas de instalação em versões recentes do X, ou em distribuições diversas, o que deu origem à má fama das placas ATI entre usuários Linux, que persiste até os dias de hoje.
Essencialmente, você podia se conformar com as limitações de desempenho do driver open-source (que em compensação funcionava em quase todas as placas), ou instalar o driver proprietário da ATI, que oferecia a possibilidade de obter um desempenho mais próximo do oferecido pelos drivers do Windows, mas que, em compensação, não funcionava corretamente em muitas situações.
No final de 2006, a ATI foi comprada pela AMD, que decidiu abrir gradualmente o código-fonte dos drivers, mantendo uma equipe de desenvolvimento própria (em parceria com a Novell); mas, ao mesmo tempo, facilitando o desenvolvimento do driver open-source, com a liberação das especificações de mais placas e de trechos de código-fonte.
Enquanto escrevo (início de 2009), a abertura ainda não rendeu muitas mudanças. O driver open-source melhorou em vários aspectos, mas no geral continua sendo deficiente, enquanto o driver binário continua apresentando muitos problemas, de forma que a escolha continua sendo essencialmente a mesma.
Se você decidir tentar a sorte com o driver binário da ATI, pode baixá-lo no https://ati.amd.com/support/driver.html. Escolha o “Linux X86” e indique o modelo da sua placa. Na tela a seguir, baixe o “ATI Driver Installer”.
Ao contrário do driver da nVidia, a instalação é feita dentro do modo gráfico. Basta marcar a permissão de execução e rodar o instalador, como em:
# chmod +x ati-driver-installer-9.2-x86.x86_64.run # ./ati-driver-installer-9.2-x86.x86_64.run
Depois de concluída a instalação, falta ainda alterar a configuração no “/etc/X11/xorg.conf“. A maneira mais simples é alterar a linha Driver “ati” (ou Driver “radeon”) próximo ao final do arquivo por:
Driver "fglrx"
Adicione também estas duas linhas logo abaixo. Sem elas, o TV Time não funciona, o Kaffeine não consegue exibir legendas, entre outros pequenos problemas:
Option "VideoOverlay" "on" Option "OpenGLOverlay" "off"
Você pode também usar o configurador da ATI, através o comando:
# aticonfig --initial
Neste caso, você vai precisar revisar o arquivo, pois ele costuma deixar sessões duplicadas. Muitas vezes, o configurador se perde e a configuração antiga continua sendo usada. Depois das alterações, você precisa sempre reiniciar o X, pressionando Ctrl+Alt+Backspace.
Um problema recorrente é que a aceleração 3D não funcione, embora o driver esteja ativado corretamente. A causa mais comum é que módulo “fglrx” não esteja carregado. Você pode forçar o carregamento usando os comandos a seguir. Caso necessário, adicione-os no final do arquivo “/etc/rc.d/rc.local”, para que sejam executados automaticamente durante o boot:
# modprobe -r radeon # modprobe -r drm # modprobe fglrx
Outro recurso utilizado pelo driver é o device “/dev/shm” (que ativa o suporte ao padrão POSIX de memória compartilhada), que deve estar disponível e montado. Caso necessário, adicione esta linha no final do arquivo “/etc/fstab”:
tmpfs /dev/shm tmpfs defaults 0 0
Para que ele seja montado sem precisar reiniciar, use o comando “mount /dev/shm”, como root.