Instalando o Debian em netbooks

Com o lançamento do Eee PC no início de 2008, foi dada a largada para a corrida dos netbooks, que levou ao aparecimento do HP Mini Note, do MSI Wind (revendido no Brasil na forma do Positivo Mobo White), do Dell Inspiration Mini, das variações do Eee 900 e do Eee 1000, entre diversos outros modelos.

Apesar das diferenças externas, eles possuem uma configuração muito parecida. A maioria dos modelos são baseados no Intel Atom e no chipset Intel 945GSE. As principais exceções ficam por conta do Eee 900 e do Eee 701, que são baseados no Celeron M e do HP Mini Note, que é baseado no VIA C7-M.

O principal motivo por trás do sucesso dos netbooks é que eles são bastante leves e portáteis, desempenhando bem a função de mini-notebook. O problema é que o fraco desempenho dos processadores usados faz com que eles não sejam muito adequados para rodar distribuições como o Ubuntu ou o OpenSUSE, assim como eles também não são adequados para o Windows Vista.

O Debian Lenny ganhou um bom suporte a netbooks, o que, combinado com o uso do KDE 3.5 e dos baixos requisitos de hardware do sistema, faz com que ele seja uma boa escolha para quem tem um Eee 900 ou outro modelo. O mesmo se aplica a notebooks antigos ou de configuração modesta em geral, onde o Lenny se apresenta como uma boa opção de distribuição para instalar e usar por um bom tempo sem ter problemas.

Um complicador no caso dos netbooks é que eles não possuem drive óptico, o que torna necessário instalar usando um pendrive, sem falar nas outras peculiaridades do hardware. Isso nos leva ao DebianEeePC, o sub-projeto dentro do Debian destinado a oferecer suporte a eles:
https://wiki.debian.org/DebianEeePC

Na página está disponível uma pequena imagem de boot com uma versão modificada do Debian NetInstall, com suporte ao hardware dos diferentes modelos do Eee PC. Ele também funciona na maioria dos outros netbooks baseados no Atom ou no Celeron, já que o hardware é similar. Faça o download no: https://wiki.debian.org/DebianEeePC/HowTo/Install

Para gerar o pendrive bootável, basta gravar a imagem usando o dd. Para isso, plugue o pendrive e cheque qual é o device atribuído a ele pelo sistema usando o “dmesg” ou o “cat /proc/partitions”. Em seguida, use o dd como root, especificando o arquivo e o device do pendrive, como em:

# dd if=debian-eeepc.img of=/dev/sdf

32000+0 records in
32000+0 records out
16384000 bytes (16 MB) copied, 9,5173 seconds, 1,7 MB/s

Note que o comando especifica o dispositivo raiz do pendrive e não a partição, já que a imagem inclui o gerenciador de boot e a MBR. A gravação apagará todas as partições (e todos os dados do pendrive), por isso verifique se não tem nada importante antes de pressionar o Enter.

Por default, o netbook deve vir configurado para dar boot através das portas USB, mas, se for o caso, basta acessar o Setup e alterar a ordem de boot.

Assim como no instalador padrão do Lenny, o ambiente gráfico default é o GNOME. Para fazer uma instalação com o KDE, pressione a tecla TAB na tela de boot e adicione o parâmetro “desktop=kde” na linha de boot:

Com exceção do Eee 701 (que possui apenas uma unidade interna de 4 ou 8 GB), o espaço de armazenamento do Eee é dividido em duas unidades: uma de 4 GB (mais rápida) que é usada para a instalação do sistema e outra de 8 ou 16 GB (mais lenta) que você pode utilizar para o diretório home:

Você notará que a unidade de 4 GB inclui duas pequenas partições de 8 MB (ou uma única de 16 MB). Elas são usadas pelo BIOS para ativar o “Boot Booster”, um recurso que reduz consideravelmente o tempo de inicialização. É aconselhável preservá-las, removendo apenas as duas partições maiores.

Devido à questão do limite dos ciclos de leitura e escrita da memória flash, é recomendável instalar sem usar uma partição swap. A maioria dos modelos vêm com 1 GB de memória RAM, que de qualquer forma são mais do que suficientes para usar o Lenny sem precisar de swap.

Outra medida saudável é ativar o uso do tmpfs para os diretórios “/tmp” e “/var/tmp”, fazendo com que os arquivos temporários passem a ser armazenados em um ramdisk e sejam automaticamente descartados a cada boot, em vez de se acumularem até esgotarem o pouco espaço disponível na partição raiz. Para isso adicione as duas linhas a seguir no “/etc/fstab” após a instalação:

tmpfs /tmp tmpfs defaults 0 0
tmpfs /var/tmp tmpfs defaults 0 0 

Outra vantagem de usar o tmpfs é que você pode usar o ramdisk para armazenar também o cache do Firefox. O grande problema em mantê-lo no SSD secundário é que a grande latência das operações de escrita faz com que o navegador dê uma paradinha de 1 ou 2 segundos antes de exibir cada página, que correspondem ao tempo que ele demora para escrever os arquivos temporários. Ao armazená-los no ramdisk, o problema desaparece, sem que você precise desativar o cache completamente.

Para isso, acesse o “about:config” e crie a string “browser.cache.disk.parent_directory” (ela não existe previamente), deixando-a com o valor “/tmp”.

Outra dica relacionada ao desempenho é montar as partições no SSD secundário usando o modo “writeback” do EXT3. Ele reduz o número de operações de escrita relacionadas ao journal e ativa o uso de um cache de escrita, que reduzem muito os problemas de lentidão relacionadas ao uso de clientes de bittorrent e outros aplicativos que ficam escrevendo continuamente dados no disco.

Para isso, adicione a opção “data=writeback” na linha referente à partição no fstab, como em:

/dev/sdb1 /home ext3 noatime,data=writeback 0 2

Para completar a configuração, atualize o journal usando o tune2fs:

# tune2fs -o journal_data_writeback /dev/sdb1

A desvantagem em usar o modo writeback é que possibilidade de perder dados devido a desligamentos incorretos é muito maior, por isso passa a ser muito mais importante configurar o sistema para desligar automaticamente quando a carga da bateria estiver perto do fim.

Continuando, ao criar as partições, marque o “relatime” entre as opções de montagem. Ele melhora sensivelmente o desempenho do SSD e de quebra reduz o volume de operações de escrita, aumentando a vida útil do drive.

Naturalmente, o uso de duas unidades separadas é uma peculiaridade de alguns modelos do Eee, que não se aplica a todos os netbooks. Muitos modelos atuais utilizam SSDs de maior capacidade, ou adotam o uso de HDs mecânicos, o que elimina as preocupações com relação ao espaço ou aos ciclos de leitura.

Em seguida, você tem os menus para fornecer as senhas e criar a conta de usuário e a seleção das categorias de pacotes que serão instalados. A menos que pretenda montar um mini-servidor, marque apenas o “Ambiente Desktop”, “Laptop” e “Sistema Básico”. Em seguida vem a parte chata da instalação, onde o instalador faz o download dos pacotes e realiza o longo processo de instalação:

Uma das grandes vantagens de usar a imagem de instalação do DebianEeePC em vez de simplesmente usar o instalador tradicional, é que ele oferece suporte à placa wireless do Eee, incluindo o suporte a WPA. Você pode tirar proveito disso para fazer a instalação onde tiver uma conexão rápida disponível, sem depender unicamente da conexão que tem em casa.

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