Comunicadores e e-mail

Juntamente com as redes sociais, os comunicadores de IM se tornaram parte integrante do aparato de comunicação da maioria. A grande diferença entre as duas categorias é que enquanto as redes sociais são baseadas em páginas web, que você precisa acessar para ler as mensagens, os serviços de IM são implementados através de protocolos baseados no uso de clientes remotos. Isso permite que aplicativos desenvolvidos por terceiros se conectem às redes e enviem mensagens, o que nos leva aos clientes disponíveis no Linux.

O mais usado atualmente é o Pidgin (www.pidgin.im/), o sucessor do antigo Gaim, que é encontrado em praticamente todas as distribuições atuais baseadas no GNOME.

Assim como outros aplicativos do GNOME, o Pidgin utiliza uma interface simplificada, baseada no HID (“human interface guidelines”, que é um padrão internacional de usabilidade), com foco na facilidade de uso. Isso resultou em uma interface bastante limpa e intuitiva, que permite que você se concentre nas mensagens propriamente ditas e não em distrações diversas.

O Pidgin suporta todos os principais protocolos de comunicação (MSN, Google Talk, ICQ, etc.), permitindo que você centralize suas listas de contato e receba todas as mensagens em um lugar só, em vez de precisar manter diversos clientes separados, como era comum antigamente.

O Pidgin utiliza uma base de código modular, baseada no uso de plugins. Isso permite que ele seja expandido através de plugins desenvolvidos por terceiros. Três dos mais famosos são o “Facebook IM” (suporte ao protocolo de chat do Facebook), o “msn-pecan” (um plugin alternativo para acesso ao MSN, que ganhou notoriedade por oferecer suporte à ultima atualização do protocolo antes do plugin oficial) e o “Microblog”, que adiciona suporte ao Twitter.

Você pode ver a lista completa dos plugins disponíveis no https://developer.pidgin.im/wiki/ThirdPartyPlugins.

A instalação dos plugins nem sempre é simples, pois eles precisam ser compilados em relação à versão do pidgin instalada, o que torna necessário ter um bom conjunto de bibliotecas e compiladores instalados. Devido a isso, o mais comum é que eles sejam instalados através de repositórios adicionais. Também é cada vez mais comum que as distribuições ofereçam pacotes para alguns dos plugins mais usados; procure por pacote com o nome iniciado por “pidgin”, como em “pidgin-msn-pecan” ou “pidgin-facebookchat”. Uma vez instalados, os plugins podem ser ativados através do “Ferramentas > Plugins”.

O Pidgin suporta apenas protocolos de IM, sem suporte a VoIP ou a conferências de vídeo. No passado, existiu um projeto nesse sentido, o Gaim-vv, mas ele acabou sendo abandonado em favor do Ekiga (veja o tópico sobre VoIP) que já possui um grande volume de usuários e está sendo desenvolvido de maneira bastante ativa.

Como o Pidgin e o Ekiga são dois aplicativos complementares, é comum que sejam usados em conjunto. Especula-se que no futuro o Ekiga possa incorporar suporte ao libpurple (a biblioteca de funções do Pidgin), ganhando assim o suporte a IM e combinando as duas funções em um único aplicativo.

Em seguida temos o Kopete (https://kopete.kde.org/), que é o cliente de IM multiprotocolo do KDE. Como de praxe, embora as funções básicas sejam as mesmas, o Kopete utiliza uma interface com bem mais opções, o que o torna ao mesmo tempo mais personalizável e mais difícil de usar.

Assim como o Pidgin, o Kopete é baseado no uso de plugins, o que o torna bastante expansível. Um recurso que recebeu bastante publicidade foi o suporte a webcams no MSN. Desde que a câmera tenha sido detectada pelo sistema, você pode ativá-la no “Configurações > Configurar > Video”. A partir daí, você pode usar as opções no menu de cada contato para enviar ou aceitar as solicitações para ver a imagem da câmera. O grande problema é que (pelo menos até o Kopete 4.1.3) o plugin suporta apenas o uso da câmera, sem suporte a voz.

Outra observação importante, que se aplica tanto ao Kopete quanto ao Pidgin, é que é sempre recomendável manter uma versão recente instalada. O protocolo de mensagem usado pelo MSN muda com uma certa frequência (foram feitas grandes mudanças em 2003, 2005 e em 2008), fazendo com que versões antigas dos programas comecem a apresentar erros estranhos ou simplesmente deixem de se conectar na rede quando a rede é atualizada para uma nova versão do protocolo.

Em seguida, temos os clientes de e-mail, que, embora estejam rapidamente perdendo espaço para os webmails, ainda são utilizados por muitos, sobretudo por quem precisa de suporte ao Exchange ou outro sistema corporativo.

Embora talvez não seja o maior em volume de usuários, o Evolution (https://projects.gnome.org/evolution/) é provavelmente o cliente Linux mais importante, devido ao suporte ao Microsoft Exchange, que possui uma penetração muito grande em redes corporativas. Ele faz parte da suíte do GNOME, o que faz com que venha pré-instalado no Ubuntu e na maioria das outras distribuições que o utilizam como interface padrão. Além das tradicionais funções de e-mail, ele oferece funções de agenda, listas de tarefas, etc. desempenhando também o papel de gerenciador pessoal.

O Evolution suporta o Exchange através do pacote “evolution-exchange”, que contém o plugin de integração (que anteriormente era chamado de Ximian Connector). Ele não é instalado por padrão na maioria das distribuições, mas quase sempre está disponível nos repositórios.

A grande limitação é que (pelo menos enquanto escrevo) ele é compatível apenas com servidores rodando o Exchange 2000 ou 2003, ainda sem suporte ao Exchange 2007. Outro recurso importante é a integração com smartphones e PDAs através do OpenSync, que é instalado através do pacote “opensync-plugin-evolution”.

Para quem precisa apenas de um cliente de e-mail, que faça somente uma coisa e seja bom no que faz, outra boa opção é o Thunderbird (www.mozillamessaging.com), o primo-irmão do Firefox, que surgiu do desmembramento do Mozilla.

O principal diferencial dele em relação a outros programas é um poderoso filtro anti-spam, que aprende durante o uso, se tornando cada vez mais preciso. Para ativá-lo, marque a opção “Ferramentas > Anti-Spam > Filtro Adaptável > Identificar Spam ao receber mensagens desta conta”. O filtro é desenvolvido com o objetivo de preservar os e-mails úteis, excluindo mensagens apenas quando houver certeza. Depois de ativar o filtro, você precisa “treiná-lo”, indicando o que é e o que não é spam, de forma que ele identifique um padrão e passe a agir de forma autônoma.

Sempre que receber um spam, clique com o botão direito sobre a mensagem e use a opção “Marcar > Como Spam” ou pressione a tecla “J”. Marque também as mensagens importantes como não-spam, pressionando “Shift+J”.

Na aba “Ferramentas > Anti-Spam > Opções” você pode configurar o que fazer com as mensagens marcadas como spam, onde o padrão é movê-las para a pasta “Spam” e deletá-las depois de alguns dias. É importante que nos primeiros dias você cheque as mensagens movidas para a pasta e marque manualmente como não-spam qualquer mensagem boa classificada de forma equivocada pelo filtro. Depois de alguns dias de treinamento, o filtro passará a eliminar o grosso dos spams e, depois de algumas semanas, passa a eliminar quase tudo. Quanto mais você o treina, mais ele se torna apurado.

O Thunderbird guarda os e-mails e configurações dentro da pasta “.mozilla-thunderbird” (ou “.thunderbird”, de acordo com a distribuição usada), dentro do seu diretório home. Basta conservar esta pasta ao reinstalar o sistema, e seus e-mails e filtros continuarão intactos.

Por ser um programa bastante popular, é possível encontrar o Thunderbird na maioria das distribuições, disponível através do gerenciador de pacotes. Uma observação importante é que no Debian Lenny e derivados o pacote não se chama “thunderbird”, mas sim “icedove”, embora o aplicativo em si continue o mesmo. A mudança no nome foi causada por um problema com a fundação Mozilla, que argumentou contra o uso das marcas “Firefox” e “Thunderbird” no Debian, já que os desenvolvedores aplicavam patches e correções “não-oficiais” nos programas.

Além de instalar o Thunderbird diretamente através do gerenciador de pacotes, você pode também usar a versão disponível no: https://www.mozilla.org.br/. Esta versão não precisa ser instalada, basta descompactar a pasta em qualquer diretório (você pode inclusive instalar dentro do seu diretório home, sem nem precisar usar a conta de root) e executar o comando “./thunderbird” dentro da pasta.

Mais uma dica é que, assim como o Outlook, o Thunderbird mantém cópias de todos os e-mails recebidos (mesmo os deletados), de forma que os arquivos de mensagens simplesmente vão inchando indefinidamente, consumindo muito espaço em disco e fazendo com que o programa passe a ficar lento e instável com o tempo. A solução para remover o lixo é simples: clique com o botão direito sobre o ícone da pasta de entrada e use a opção “Condensar esta pasta”.

Concluindo, temos também o Kmail, que é o cliente oficial do KDE. As três vantagens dele em relação ao concorrentes são o fato de ser bastante leve quando executado sobre o KDE (o que o torna uma opção popular entre as distribuições baseadas no ambiente), se integrar ao Korganizer (e os outros aplicativos da suíte KDE PIN) e manter um bom desempenho ao trabalhar com pastas com muitos e-mails (ele é capaz de visualizar pastas com 4 ou 6 GB de e-mails sem problemas). Esse conjunto de fatores o tornam uma boa opção para quem assina muitas listas e precisa gerenciar um volume muito grande de e-mails.

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