Em 2006 foram lançados os chipsets G965, P965 e Q965, inaugurando a linha de chipsets para os processadores Core 2 Duo. Embora os chipsets anteriores, da linha 9xx, também ofereçam suporte a eles, muitas placas soquete LGA-775 acabaram incompatíveis devido a deficiências no regulador de tensão, o que frustrou muita gente que pretendia atualizar para a família Core substituindo apenas o processador. Como de praxe, as placas baseadas neles são também compatíveis com os antigos Pentium D e Celeron D em versão LGA775.
Os três chipsets oferecem suporte a bus de 1066 MT/s, com 16 linhas PCI Express (complementadas por mais 6 linhas na pontel sul) e suporte a até 8 GB de memória DDR2-800 com dual-channel (como sempre, é necessário usar um sistema operacional de 64 bits para acessar mais de 3.5 GB de memória).
Os três utilizam o chip ICH8 como ponte sul, com 6 portas SATA-300, áudio HDA e 10 portas USB. O ICH8 não oferece suporte a RAID, portas IDE e nem uma interface de rede integrada, o que leva os fabricantes de placas a integrarem estas funções através de controladores adicionais, usando controladores da Realtek para a rede, por exemplo.
A principal diferença entre o G965, o P965 e o Q965 diz respeito ao chipset de vídeo usado. O G965 é a versão “completa”, que inclui um chipset de vídeo GMA X3000. O Q965 inclui o GMA 3000 (sem o “X”), uma versão de baixo custo do X3000, que utiliza uma arquitetura mais simples, enquanto o P965 é a versão sem vídeo onboard.
O GMA X3000 é uma versão remodelada do antigo GMA950, usado nos chipsets anteriores. Ele adotou o uso de uma arquitetura programável (similar à de outros chipsets atuais), com 8 unidades de processamento de shaders e um clock de 667 MHz. O desempenho é ainda muito fraco para rodar jogos atuais, mas ele pelo menos ganhou suporte ao DirectX 9.0c e um desempenho um pouco superior aos antecessores. A Intel se apressou também em incluir suporte parcial ao DirectX 10, com o objetivo de permitir que os PCs baseados no X3000 pudessem rodar o Vista com o Aero ativado, mas na prática o desempenho é muito ruim.
Ele oferece também suporte a DVI e HDMI, mas a disponibilidade da porta depende do fabricante da placa-mãe, que precisa incluir os circuitos necessários. Apesar do HDMI, ele ainda não inclui aceleração para Blu-ray e nem para a maioria dos formatos usados em vídeos HD, se limitando a acelerar vídeos com codificação VC-1 e MPEG2.
O GMA 3000 é uma versão de baixo custo do X3000 que utiliza uma arquitetura mais simples, sem as unidades programáveis e com um clock mais baixo, de apenas 400 MHz. O desempenho 3D do GMA 3000 é quase 40% inferior ao do X3000, mas isso não faz tanta diferença assim na prática, já que em ambos os casos você vai acabar optando por uma placa 3D dedicada caso queira rodar qualquer coisa mais recente que o Quake 3.
Um exemplo de placa baseada no G965 Express é a Asus P5B-VM, uma placa LGA-775 de baixo custo, que oferece um slot PCIe x16, combinado com um slot PCIe x4 aberto, dois slots PCI e 4 slots de memória.
Uma curiosidade é que embora a placa ofereça um total de 6 portas SATA, apenas 4 delas (as vermelhas) estão ligadas ao chip ICH8. Tanto a porta eSATA no painel traseiro quanto o conector preto em frente aos conectores de som são ligados ao um chip JMB363, que oferece também um controlador IDE. A Asus optou também por não oferecer DVI ou HDMI, se limitando a oferecer o conector VGA analógico:
Em junho de 2007 a Intel lançou o chipset P35 (Bearlake), que marcou o início da migração da plataforma para as memórias DDR3. Assim como fez anteriormente no i915P, a Intel optou por manter o suporte ao padrão anterior, equipando o chipset com um controlador híbrido com suporte tanto a módulos DDR2 quanto DDR3 e deixando a cargo dos fabricantes a escolha de qual padrão utilizar em cada placa.
Na época, os módulos DDR3 eram ainda muito mais caros, de forma que a decisão da Intel acabou cumprindo um papel importante em incentivar a popularização das memórias DDR3, sem com isso perder vendas tentando empurrar o padrão. Como esperado, a grande maioria das placas manteve o uso de módulos DDR2, enquanto alguns modelos de alto desempenho embarcaram no trem do DDR3. Existiram também alguns modelos híbridos, como a Gigabyte P35C-DS3R, que oferecia 4 slots DDR2 e 2 slots DDR3, permitindo que você escolhesse qual padrão usar:
Junto com o suporte a DDR3, o controlador de memória do P35 recebeu um conjunto de outras melhorias, que representaram uma melhora de 6 a 20% no desempenho de acesso à memória (mesmo ao utilizar módulos de memória DDR2 convencionais), oferecendo um pequeno ganho de desempenho em relação aos chipsets anteriores na maioria dos aplicativos.
O P35 foi também o primeiro chipset a oferecer suporte oficial ao bus de 1333 MT/s usado por vários modelos dos Core 2 Duo e Core 2 Quad de 45 nm, com muitas placas suportando frequências de 1800 MT/s ou mais em overclock.
Outra mudança foi a introdução do chip ICH9. Ele trouxe pequenas melhorias sobre o ICH8, com 6 portas SATA 300 (com suporte a NCQ), 12 portas USB e áudio HDA. Novamente a Intel optou por não incluir suporte a RAID, fazendo com que os fabricantes tivessem que escolher entre pagar mais caro pelo chip ICH9R (com suporte a RAID 0, 1, 5 e 10) ou oferecer suporte a RAID através de um chip externo de baixo custo, como o JMicron JMB322.
Um recurso muito divulgado na época foi o suporte ao Turbo Memory (tecnologia Robson), que permite que o fabricante inclua uma pequena quantidade de memória flash na placa-mãe para ser usada como cache adicional para o HD. Entretanto, apesar de toda a insistência da Intel, o Turbo Memory acabou sendo usado apenas em um punhado de placas e notebooks, pois o pequeno ganho de desempenho não compensava o aumento no custo.
Temos aqui o diagrama de blocos do chipset. Uma observação é que, embora a Intel inclua o chipset de rede no diagrama, ele é na verdade um chip separado. Isso faz com que a maioria das placas incluam chipsets de rede mais baratos, como o Realtek 8169:
A partir do P35 a Intel deixou de oferecer suporte oficial aos processadores baseados na arquitetura NetBurst, ou seja, a todos os Pentium 4, Pentium D e Celeron D, de forma a pressionar os fabricantes a realizarem a transição para os processadores baseados na plataforma Core o mais rápido possível. Naturalmente, não existe nada que impeça o uso dos processadores antigos nas placas com o P35, mas a falta de testes e certificações fez com que os problemas de compatibilidade se tornassem comuns.
Assim como nos chipsets anteriores, o P35 inclui apenas 16 linhas PCI Express, complementadas por mais 6 na ponte sul. Embora o chipset não permita a divisão em dois slots com 8 linhas de dados, os fabricantes logo encontraram uma forma de oferecer placas baseadas no P35 com suporte a CrossFire, criando um segundo slot x16 usando 4 linhas de dados roubadas da ponte sul. Apesar de estranha, essa configuração assimétrica realmente funcionava, embora com um desempenho mais baixo. Como o P35 ainda utiliza o PCI Express 1.1, as 4 linhas do segundo slot oferecem uma banda de apenas 1 GB/s, equivalente à de um slot AGP 4x.
Um exemplo de placa baseada no P35 é a Asus P5K3 Deluxe, lançada em junho de 2007. Ela é uma placa soquete 775, baseada no P35, com suporte a toda a linha Core 2, incluindo os Core 2 Quad e Core 2 Extreme, além dos processadores Pentium 4, Pentium D e Celeron soquete 775. Ela oferece suporte apenas a módulos DDR3, com suporte a até 4 módulos de 2 GB em dual-channel.
Asus P5K3 Deluxe, baseada no Intel P35
Apesar de ela incluir dois slots PCIe x16, apenas o primeiro (em azul) é um slot PCIe x16 real. O segundo slot é ligado à ponte sul, com apenas 4 linhas. Ela oferece também 2 slots PCIe 1x e três slots PCI. O slot usado para a conexão da placa wireless é também ligado a uma linha PCI Express, mas o formato e a posição são diferentes, para evitar que ela seja usada em conjunto com placas de outros fabricantes.
Embora o P35 não inclua interfaces IDE, a P5K3 inclui uma porta ATA-133, ligada a um controlador externo da JMicron. Este mesmo controlador inclui também duas interfaces eSATA disponíveis no painel traseiro. Elas são complementadas pelas 6 portas SATA 300 (com suporte a RAID 0, 1, 5 e 10) disponibilizadas pelo chip ICH9R, usado como ponte sul.
Esta é uma placa dual gigabit, que inclui duas interfaces de rede. A configuração é peculiar, pois as duas interfaces são providas por chipset separados (um Marvell 88E8056 e um Realtek RTL8187), onde o chip Marvell (responsável pela primeira interface) é ligado a uma linha PCI Express, enquanto o chip Realtek (responsável pela segunda) é ligado ao barramento PCI.
Ao contrário do que pode parecer, o chipset P35 não gera tanto calor assim quando operando à frequência normal, tanto que você encontra outras placas baseadas nele com exaustores muito mais modestos. O principal objetivo dos heat-pipes e dos dissipadores de cobre é permitir que a placa trabalhe estavelmente a frequências muito mais altas que as especificadas, atraindo a atenção do público interessado em overclocks mais extremos.
Devido à preocupação com o baixo consumo elétrico, os processadores Core 2 Duo suportam overclocks surpreendentes, de forma que mesmo placas de baixo custo incluem um conjunto relativamente completo de opções.
Na foto a seguir temos o setup de uma Gigabyte GA-P35-DS3R, configurada para trabalhar com FSB de 505 MHz (2020 MT/s de frequência efetiva, já que temos 4 transferências por ciclo). Apesar de ser uma placa baseada no P35, ela utiliza memórias DDR2, por isso o multiplicador da memória (System Memory Multiplier) está em 2.00, o que resulta em uma frequência de 1010 MHz:
Como você pode notar, tanto a tensão do processador (CPU Voltage Control) quanto a tensão da memória (DDR2 OverVoltage Control) foram ajustados com valores muito mais altos que o normal. O processador está trabalhando com 1.425v, ao invés de 1.312v, e a memória está trabalhando a 2.4v (com o acréscimo dos 0.6v), ao invés de 1.8v, que seria o valor normal.
Com esta configuração, foi possível obter nada menos do que 3.535 GHz usando um Core 2 Extreme X6800:
Utilizando um processador mais barato, como o Core 2 Duo E6300, que opera a 1.86 GHz, com bus de 266 MHz (1.066 GHz levando em conta as 4 transferências por ciclo) e multiplicador travado em 7x, seria possível obter facilmente 2.8 GHz, ajustando o FSB para 400 MHz e utilizando memórias DDR2-800 (mantendo o multiplicador da memória em 2.00).
Voltando ao tema principal, o uso de dois slots PCIe x16 “reais” tornou-se possível a partir do Intel X38, o modelo de alto desempenho dentro da família, sucessor direto do 975X. Além de dobrar o número de linhas PCI Express, oferecendo um total de 32 linhas de dados, ele foi também o primeiro chipset a oferecer suporte ao PCI Express 2.0, que dobra a velocidade do PCI Express, oferecendo 500 MB/s por linha, em cada direção. Isto significa que um slot x16 passa a oferecer impressionantes 8 GB/s (ou 16 GB/s, se for levado em conta o tráfego em ambas as direções), o que seria equivalente a um hipotético AGP 32x.
Naturalmente, não existiam placas na época capazes de aproveitar toda a banda disponível, mas o aumento trouxe ganhos mensuráveis em relação ao P35 (dois slots PCIe 1.1 com 8 linhas cada) ao utilizar duas placas em modo CrossFire, o que tornou o X38 bastante popular entre as placas de alto desempenho.
O X38 trouxe também suporte oficial a módulos DDR3-1333 (o P35 oferece suporte oficial apenas aos módulos DDR3-1066), mas isso não significa muito, já que os módulos DDR3-1333 (cuja frequência real das células de memória é de apenas 166 MHz) oferecem um desempenho similar ou inferior ao de módulos DDR2-1066 (onde as células operam a 266 MHz), que apesar da menor taxa de transferência bruta, operam com tempos de latência consideravelmente mais baixos. Como na época do X38 os módulos DDR3 ainda eram muito mais caros, o upgrade realmente não fazia sentido. O uso de memórias DDR3 passou a fazer sentido apenas a partir das quedas de preços que sucederam o lançamento do Core i7.
Durante a fase de desenvolvimento do X38, a Intel demonstrou o uso de placas de referência com placas nVidia em SLI, utilizando drivers modificados (desenvolvidos sem a participação da nVidia) mas as versões finais acabaram vindo com suporte apenas as CrossFire.
Temos em seguida os chipsets G33 e G35, que são as versões de baixo custo dentro da família, sucessores dos chipsets 945G e G965. Eles também incluem suporte a bus de 1333 MT/s e oferecem o controlador de memória DDR2/DDR3, mas assim como o P35 não oferecem suporte ao PCI Express 2.0.
A principal diferença entre eles e o P35 é a presença do chipset de vídeo integrado. O G33 inclui o chipset Intel GMA 3100, que é uma versão levemente atualizada do antigo GMA 3000 (usado no Q965), que é compatível apenas com o DirectX 9.0c e oferece um desempenho excruciantemente baixo. O G35 por sua vez inclui o GMA X3500, que é uma versão atualizada do X3100 usado no G965, que é baseado na arquitetura programável, compatível com o DirectX 10 e um pouco menos lento.
O P35, G35 e X38, assim como os antigos G965 e Q965 oferecem suporte a até 8 GB de memória RAM, atendendo a quem pretende rodar um sistema de 64 bits e precisa de um grande volume de memória. Para segmentar melhor a linha, a Intel lançou também o P31 e o G31, versões castradas do P35 e do G33 que mantêm o mesmo conjunto básico de recursos, mas oferecem suporte a apenas 4 GB de memória e utilizam o velho chip ICH7 como ponte sul (que oferece apenas 4 portas SATA e 8 portas USB).
Embora sejam chipsets de baixo custo, eles não são necessariamente ruins, desde que você saiba conviver com as limitações.
Duas outras variações do P35 são o Q35 e o Q33, mais dois chipsets de baixo custo, destinados agora ao mercado empresarial. Ambos oferecem vídeo onboard, equipados com o GMA 3100 (a versão simples, sem o “X”), escolhido devido ao consumo elétrico mais baixo. Assim como o P35 e outros modelos da linha, eles suportam 8 GB de memória e fazem par com o chip ICH9.
O Q33 é mesmo apenas mais um chipset de baixo custo, sem funções especiais, mas o Q35 oferece como diferencial o suporte ao Intel vPro, uma combinação de funções de acesso remoto e segurança, que permite que o PC seja monitorado e administrado remotamente. A grande vantagem dele em relação a outros sistemas de acesso remoto (RDP, VNC, etc.) é que ele é independente do status do sistema operacional, o que permite que seja usado para instalar o sistema, criar e restaurar imagens de disco, modificar a configuração do setup, ligar e desligar o PC remotamente e assim por diante, recursos interessantes para uma rede corporativa.
Continuando, temos o P45, mais um chipset mainstream, sem vídeo integrado, que marcou o ápice da plataforma LGA775.
Uma das principais características foi a migração para a técnica de fabricação de 65 nm (o P35 era ainda fabricado usando uma técnica de 90 nm, assim como o X38), o que resultou em um conveniente aumento nas possibilidades de overclock. Como pode imaginar, as fábricas que produziram o P45 são as mesmas que dois anos antes produziam os Core 2 Duo baseados no Conroe e outros processadores de 65 nm.
Assim como o P35, o P45 inclui suporte tanto a memórias DDR2 quanto a memórias DDR3, o que permite que os fabricantes escolham qual padrão utilizar. Embora os módulos DDR3 ofereçam um pequeno ganho de desempenho, a diferença de custo ainda era grande na época de lançamento, de forma que as memórias DDR2 continuaram sendo usadas como padrão em todas as placas de baixo e médio custo.
Um exemplo de placa baseada no P45 é a Gigabyte EP45-UD3L, um modelo Mini-ATX sem vídeo onboard, que oferece um único slot PCIe x16, combinado com mais 4 slots x1, dois slots PCI, 6 portas SATA e um total de 12 portas USB. Devido ao uso do chip ICH10 (e não do ICH10R) ela não oferece suporte a RAID, mas assim como em outros casos é possível criar arrays RAID via software, usando as ferramentas disponíveis no Windows e Linux.
Em vez de utilizar heat-pipes ou um regulador de tensão com 8 ou 12 fases, ela utiliza dissipadores de alumínio e um regulador de tensão relativamente modesto, com apenas 4 fases, compensando a economia com o uso de capacitores de estado sólido, bobinas de ferrite nos reguladores de tensão e um PCB com uma camada mais espessa de cobre nas trilhas, o que resulta em uma placa bastante robusta.
Gigabyte EP45-UD3L
Voltando ao P45, o chipset permite o uso de 4 módulos de memória com 4 GB cada (ou dois módulos de 8 GB), suportando um máximo de 16 GB de memória RAM. Como de praxe, o modo dual-channel é ativado automaticamente ao utilizar os módulos em pares. Assim como o P35 e outros chipsets anteriores, o P45 oferece suporte ao Flex Memory, que permite ativar o dual-channel mesmo ao utilizar dois módulos de capacidade diferente.
Oficialmente, o chipset suporta até 1333 MHz de FSB e até 800 MHz para a memória, mas na prática ele suporta também FSB de 1600 MHz e 1333 MHz para a memória (em overclock), com muitas placas permitindo ir bem mais longe. Isso se deve à política conservadora da Intel, que quase sempre certifica os chipsets com frequências bem inferiores às que eles são efetivamente capazes de suportar, com o objetivo de que eles funcionem estavelmente em qualquer situação. É graças a isso que placas voltadas para o mercado entusiasta suportam overclocks tão generosos.
Assim como o X38, o P45 oferece suporte ao padrão PCI Express 2.0. Embora a ponte norte ofereça apenas 16 linhas (assim como no P35), o P45 permite que elas sejam divididas entre dois slots, criando assim dois slots PCIe 2.0 com 8 linhas de dados cada. Essa é uma solução muito mais elegante que a configuração assimétrica (x16/x4) usada nas placas com o P35, que foi logo explorada pelos fabricantes de placas, levando ao lançamento de muitas placas de médio custo com suporte ao CrossFire.
Placas PCI Express 1.0 podem ser usadas diretamente em slots PCIe 2.0 e mesmo placas PCIe 2.0 funcionam diretamente em placas com slots PCIe 1.0, embora com uma possível redução de desempenho devido ao barramento mais lento. A princípio, o ganho de desempenho é apenas incremental, já que as placas de vídeo atuais são bem atendidas pelos slots x16 e a maioria dos demais periféricos trabalha com folga em um simples slot x1. Entretanto, a introdução do PCIe 2.0 pavimenta o caminho para periféricos futuros.
Uma observação é que o uso do PCI Express 2.0 aumentou o consumo elétrico do chipset, fazendo com que ele consuma mais energia que o antigo P35 ao utilizar uma placa 3D dedicada, mesmo levando em conta a redução trazida pela nova técnica de fabricação. Ao usar bus de 1333 MT/s, a diferença fica em torno de 12 watts.
Acompanhando a atualização no chipset, o P45 trouxe também uma versão levemente atualizada da ponte sul, o chip ICH10. Ele manteve as mesmas funções básicas do ICH9, com 6 portas SATA, 6 linhas de dados PCIe 1.1 e 12 portas USB, incluindo apenas atualizações menores:
Assim como os demais chipsets da linha P (performance) e X (extreme), o P45 não possui um chipset de vídeo integrado, presumindo que você vá utilizar uma placa dedicada. O vídeo integrado é encontrado apenas nos chipsets da família G (graphics) e Q (corporate), que são destinados a placas de baixo e médio custo, onde o vídeo integrado é um componente fundamental para reduzir o preço final do equipamento.
Junto com o P45, a Intel lançou o X48. Apesar do nome sugerir um sucessor melhorado, o X48 foi apenas uma nova revisão do X38, com suporte oficial ao bus de 1600 MT/s usado pelo Core 2 Extreme QX9770. Este acabou sendo um golpe de marketing da Intel para vender um novo chipset (e por um preço ainda mais alto) já que as placas com o X38 são também capazes de operar de forma perfeitamente estável com bus de 1600 MT/s e com exceção da chancela oficial, os dois chipsets são idênticos.
O lançamento do P45 trouxe também atualizações dos chipsets G33, G35, Q33, Q35, dando origem ao G43, G45, Q43 e Q45, que passaram a ser produzidos usando a técnica de 65 nm e ganharam suporte ao PCI Express 2.0, seguindo as melhorias incluídas no P45.
Todos eles incluem suporte a até 16 GB de RAM, suporte ao bus de 1333 MT/s, vídeo integrado e suporte a memórias DDR2 e DDR3, mas eles possuem pequenas variações nos recursos incluídos.
O G43 é baseado no chipset de vídeo GMA X4500, uma versão aperfeiçoada do GMA X3500 usado no G35, que mantém a arquitetura programável e o suporte ao DirectX 10, mas oferece o dobro de unidades de processamento e um desempenho 3D cerca de 70% superior. O G45 por sua vez é baseado no X4500 HD, que oferece também suporte a Blu-ray. Tanto o Q43 quanto o Q45 são baseados no X4500 (sem suporte a Blu-ray). A diferença entre eles é que o Q45 inclui suporte ao vPro, oferecendo as funções de gerenciamento remoto.
Completando o time, a Intel lançou também duas versões castradas de baixo custo. O P43 é uma versão do P45 sem suporte à divisão das linhas PCI Express em dois slots e sem suporte ao Intel VT, enquanto o G41 é uma versão do G43 com suporte a apenas 8 GB de RAM (em vez de 16). Assim como no caso do P31 e G31, ambos usam o chip ICH7 como ponte sul, que oferece menos portas SATA e USB.
A principal desvantagem das placas baseadas no G41 não está necessariamente no chipset, mas sim no fato de elas oferecerem menos slots de expansão, menos slots de memória e em geral utilizarem componentes de qualidade mais baixa, como uma forma de os fabricantes cortarem custos.
Um exemplo de placa baseada no G31 é a ECS G41T-M. Ela é assumidamente uma placa Micro ATX de baixo custo, que oferece apenas dois slots de memória (com suporte a módulos de até 4 GB), 4 portas SATA, 8 portas USB e uma saída VGA analógica (sem DVI). Para cortar custos, a ECS optou por utilizar um chipset de rede 10/100 (Atheros AR8112) em vez de uma interface gigabit. e apenas três saídas de áudio no painel traseiro, eliminando o suporte a conjuntos de caixas 5.1 e 7.1:
ECS G41T-M
Chipsets da nVidia: Com a saída da VIA e a estagnação dos chipsets da SiS, a Intel conseguiu aumentar bastante a sua participação durante a era P35/P45, atingindo um virtual monopólio do mercado de chipsets para seus processadores. A única concorrente de peso a se manter na ativa foi a nVidia, que passou a diferenciar seus chipsets com base nas GPUs integradas (sempre consideravelmente mais rápidas que as soluções da Intel) e no suporte a SLI, que continuou a ser uma exclusividade dos chipsets da nVidia.
A série de chipsets voltada para os processadores da família Core começa com a família nForce 600, lançada a partir do final de 2006, que substituiu os antigos chipsets da série 500.
A série inicial é composta pelos chipsets 650i Ultra, 650i SLI e 680i SLI. Os três suportam oficialmente bus de 1333 MHz e módulos DDR2-1066, mas se diferenciam pelo número de linhas PCI Express, suporte a SLI, portas SATA e a presença de uma ou duas interfaces de rede.
O 650i Ultra é a versão mais simples, que não inclui suporte a SLI. Ele inclui 18 linhas PCI Express, que permitem adicionar um slot x16 e mais dois slots x1. Apesar de parecer pouco, esta é justamente a configuração mais comum entre os fabricantes de placas, que preferem incluir apenas dois slots PCIe 1x, reservando o restante do espaço disponível para slots PCI de legado. O 650i Ultra inclui ainda as 4 portas SATA 300 com suporte a RAID e rede gigabit.
Em seguida temos o 650i SLI, que é idêntico ao 650i Ultra, incluindo inclusive o mesmo número de linhas PCI Express. A única diferença entre os dois é que, como o nome sugere, o 650i SLI suporta o uso de dois slots e duas placas SLI (em modo x8).
Para cortar custos, a nVidia optou por utilizar o chip MCP51 como ponte sul, uma versão mais antiga que o MCP utilizado no 590 SLI. Apesar de mais antigo, ele traz como vantagem a presença de duas interfaces IDE (junto com as 4 portas SATA), no lugar de apenas uma. Isso acabou se tornando um diferencial, atraindo quem pretendia aproveitar HDs IDE de upgrades anteriores.
Muitas das placas baseadas no 650i SLI incluem rotinas automatizadas no BIOS para dividir as linhas PCI Express entre os dois slots, de acordo com a presença ou não de uma segunda placa, mas muitas voltaram a utilizar o SLI Selector, um componente usado desde o nForce4 SLI, onde uma placa seletora presente entre os dois slots PCIe é usada para indicar se a placa deve operar em modo dual x8 (com duas placas em SLI) ou x16, com apenas uma placa 3D instalada:
Seletor SLI
Algumas placas, como a ECS NF650iSLIT-A, não possuem a placa seletora nem as rotinas do BIOS. Elas simplesmente trabalham em modo dual x8 o tempo todo, o que prejudica o desempenho ao utilizar uma única placa.
Concluindo, temos o 680i SLI que é a versão mais parruda, com suporte a SLI em modo x16 e mais um terceiro slot operando em modo 8x (assim como no 590 SLI). Como um bônus, ele inclui 6 portas SATA e duas interfaces de rede. Esta é também a versão mais cara. Na época de lançamento, apenas o chipset custava (para os fabricantes de placas) nada menos que US$ 120, o que fez com que toda a safra inicial de placas custasse (nos EUA) acima de 300 dólares, ultrapassando facilmente a faixa dos 1000 reais aqui no Brasil.
Para você ter uma ideia, a maioria dos chipsets da Intel custavam entre 40 e 60 dólares para os fabricantes, enquanto os chipsets mais baratos da SiS chegavam a custar menos de US$ 25. Os preços estratosféricos fizeram com que as placas baseadas no 680i fossem produzidas em pequeno volume e ficassem restritas ao nicho de alto desempenho.
Esta é uma Asus P5N32-E SLI, um exemplo de placa baseada no 680i SLI. Veja que ela possui três slots PCIe x16, sendo que o terceiro possui apenas 8 linhas de dados, permitindo instalar uma terceira placa 3D para o processamento de efeitos de física, complementando o trabalho das duas placas em SLI para a renderização 3D.
As placas PCI Express x1 e x4 são perfeitamente compatíveis com os slots x16, de forma que na falta de uma terceira placa 3D, o último slot pode ser usado para a conexão de placas PCIe em geral. A placa inclui apenas um slot PCIe x1 (o slot branco próximo do heat-pipe, que se parece com um slot PCIe 1x invertido é para a conexão do riser do chipset de áudio onboard).
Asus P5N32-E SLI, baseada no nForce 680i SLI
Assim como outras placas de alto desempenho atuais, ela utiliza um par de dissipadores e heat-pipes, que refrigeram tanto o chipset quanto os reguladores de tensão, utilizando o fluxo de ar gerado pelo cooler do processador. Muitos fabricantes usam exaustores para refrigerar a ponte norte do chipset, mas a ideia tem seus opositores, já que exaustores acumulam sujeira, passam a fazer barulho e eventualmente param de girar depois de alguns anos de uso, fazendo com que a placa passe a precisar de uma limpeza periódica para manter uma temperatura saudável de operação.
Outra curiosidade sobre os chipsets da série 600 é que além dos módulos DDR2-1066 regulares, eles suportam também módulos DDR2-1200 “SLI-Ready”, que foram um padrão extra-oficial criado pela nVidia para certificar módulos DDR2-1200 capazes de trabalhar estavelmente em conjunto com os chipsets. Os módulos eram mais caros e se tornaram obsoletos com o aparecimento dos módulos DDR2-1333, mas na época eles receberam um volume desproporcional de atenção por parte dos sites especializados.
Para atender o mercado de baixo custo, a nVidia lançou posteriormente mais dois chipsets, o nForce 630i e o nForce 610i. Eles são versões simplificadas, que oferecem um controlador de memória single-channel, o que resulta em um desempenho geral consideravelmente inferior aos chipsets das famílias P35 e P45.
O principal atrativo dos dois chipsets é a GPU integrada, que pode ser uma GeForce 7150 ou 7100 no caso do 630i ou uma nForce 7050 no caso do 610i. Como a GPU é o principal motivo de compra, as placas são geralmente anunciadas com base no modelo da GPU integrada e não do chipset.
O 7150, 7100 e 7050 são os três modelos mais simples dentro da família GeForce 7, compatíveis com o DirectX 9.0c e o Shader Model 3.0. Eles se comparam favoravelmente ao Intel GMA 3100 e ao X3500, que eram os concorrentes diretos, mas de qualquer maneira o desempenho é muito fraco para os padrões atuais. A principal utilidade é o uso em HTPCs, devido às funções de aceleração e suporte a Blu-ray.
O nForce 610i é a versão mais simples, que oferece suporte apenas aos processadores com bus de 1066 MHz e memórias DDR2-667. Ele oferece 4 portas SATA (com suporte a RAID 1, 0 e 10), áudio AC’97, rede 10/100 e 8 portas USB, um conjunto de recursos que o colocam na mesma categoria do Intel G31. Ele é também o único dos três que não suporta saídas DVI ou HDMI no vídeo integrado, oferecendo apenas o conector VGA analógico.
O nForce 630i por sua vez adiciona suporte ao bus de 1333 MT/s e memórias DDR2-800, além de oferecer suporte a DVI/HDMI e HDPC na GPU integrada. Ele adiciona também suporte a RAID 5 nas portas SATA, com 10 portas USB, rede gigabit, áudio HDA e um conjunto mais completo de utilitários de gerenciamento e funções de overclock.
Concluindo, temos os chipsets da série 700, encabeçados pelo nForce 780i SLI, lançado em dezembro de 2007. Apesar do nome, ele é uma atualização modesta do 680i, que manteve as mesmas características gerais (suporte a bus de 1333 MHz, suporte a módulos DDR2-1066 ou módulos DDR2-1200 SLI-Ready, etc.) mas incrementou o desempenho do barramento PCI-Express, adotando o uso do chip nForce 200, que adiciona 32 linhas de dados PCI Express 2.0.
Combinada com as linhas disponíveis no chip MCP, essa configuração com três chips permite que o chipset ofereça três slots PCIe x16 (dois PCIe 2.0 ligados ao nForce 200 e um PCIe 1.1 ligado ao MCP), todos com 16 linhas de dados, oferecendo o dobro de banda que a configuração híbrida (x16, x16, x8) do nForce 680i.
Assim como em outros chipsets que migraram para o PCI Express 2.0, a expansão foi feita mais com base na questão do marketing e nas possibilidades de expansão futura, já que a diferença de desempenho ao usar placas da série GeForce 2xx ou anteriores é muito pequena.
O grande diferencial do 780i nessa área é a introdução do suporte ao 3-way SLI, que adicionou a possibilidade de dividir o trabalho de renderização entre 3 GPUs, diferente do que tínhamos no 680i, onde a terceira GPU é usada apenas para o processamento de efeitos de física e não para renderização 3D.
Os demais recursos não sofreram mudanças em relação ao 680i, com o uso de duas interfaces de rede gigabit, 10 portas USB, áudio HDA e 6 portas SATA com suporte a RAID. Temos aqui o diagrama de blocos do chipset, com seus 3 chips:
Embora o conjunto de recursos oferecidos pelo 780i seja bastante respeitável, ele não é muito diferente do oferecido por outros chipsets lançados em 2007/2008, como o X38. O único grande diferencial é mesmo o suporte ao 3-way SLI, o que restringiu bastante o público-alvo. Em resumo, se você prefere placas da ATI, ou se pretende usar apenas duas placas, o 780i não oferece nenhuma vantagem.
A opção mainstream é o nForce 750i SLI, lançado pouco depois. Ele manteve o suporte ao bus de 1333 MT/s, suporte a módulos DDR2-1200 e outros recursos presentes no 780i, mas abandonou o uso do terceiro slot PCIe x16, através da remoção das linhas de dados ligadas ao chip MCP.
Com isso, ele deixou de oferecer suporte ao 3-way SLI, mas conservou o suporte ao SLI com duas placas. Como o custo das placas-mãe baseadas nele é bem mais baixo, ele acabou se tornando a opção mais popular para uso do SLI na plataforma LGA-775, superando por uma boa margem as vendas do 680i e 780i.
Um exemplo de placa baseada nele é a XFX MB-750I-72P9, uma placa soquete 775 de médio custo, que combina o suporte a SLI com 4 portas SATA (com suporte a RAID 0, 1, 5 e 10), rede gigabit, áudio HDA, eSATA e suporte a até 8 GB de memória, um conjunto de recursos competitivo com o de muitas placas baseadas no P45:
Em março de 2008 a nVidia lançou uma atualização final para a plataforma: o nForce 790i SLI. Ele adicionou o suporte a módulos DDR2-1333 e também a módulos DDR3-2000, oferecendo um controlador híbrido, similar ao usado nos chipsets das séries P35 e P45. Ele trouxe também suporte oficial ao bus de 1600 MT/s, mantendo o suporte ao 3-way SLI. Para simplificar o layout das placas, a nVidia desenvolveu um novo chip SPP, incorporando as funções do nForce 200. Isso permitiu que o 790i SLI voltasse a ser uma solução dual-chip.
Visando conseguir alguns trocados a mais, a nVidia lançou também uma versão “extreme” do chipset, o nForce 790i SLI Ultra. Ele é na verdade apenas uma série selecionada, composta pelos chips capazes de atingir frequências mais altas em overclock.
O 790i SLI acabou sendo o último chipset de alto desempenho da nVidia, já que com a integração das linhas PCI Express ao processador a partir dos Core i5 com core Lynnfield, a importância do chipset passou a ser bastante limitada. Em vez de lutar uma batalha perdida, a nVidia preferiu dar o braço a torcer e permitir que placas com chipsets Intel viessem com suporte ao SLI, como veremos em mais detalhes no tópico sobre o fim dos chipsets.
No lugar de um sucessor do 790i SLI, a nVidia lançou no final de 2008 o GeForce 9300 e o GeForce 9400, dois novos chipsets com vídeo integrado, que chegaram ao mercado para atender ao ramo de placas de médio e baixo custo, servindo como atualizações para o 630i.
Assim como o 630i e o 610i, o 9300 e o 9400 são soluções single-chip, produzidos através de uma técnica de 65 nm, o que resultou em uma plataforma bastante eficiente, com um consumo elétrico bastante similar ao do G45, apesar do desempenho bem superior da GPU
Os recursos gerais são similares ao de outros chipsets da mesma geração, com um slot PCIe 2.0 x16 (sem suporte a SLI), 6 portas SATA (suporte a RAID 0, 1, 5 e 10), 12 portas USB, rede gigabit, áudio HDA, DVI e HDMI, decodificação via hardware para vídeos HD, suporte a Blu-ray e um controlador de memória compatível tanto com memórias DDR2 quanto DDR3:
O diferencial fica por conta da GPU. Tanto o 9300 quanto o 9400 compartilham da mesma arquitetura baseada no G92; a diferença entre os dois fica por conta do clock, que é de 450 MHz (com 1.2 GHz para as unidades de processamento de shaders) no 9300 e 576 MHz (1.24 GHz para os shaders) no 9400.
Com apenas 16 unidades de processamento e o uso de memória compartilhada, o desempenho de ambas as GPUs é apenas modesto, levemente inferior ao de uma GeForce 9400 dedicada. Entretanto, elas são bem superiores aos chipsets da Intel, com um desempenho em jogos de três a cinco vezes superior ao do X4500 HD usado no G45. Isso permite que você jogue jogos como o Left 4 Dead, Company of Heroes ou mesmo o Crysis com um FPS moderado a 1280×800, desde que com texturas de baixa qualidade (para aliviar o barramento com a memória) e parte dos efeitos visuais desativados.














