Embora tenha aumentado a complexidade e o custo de produção dos processadores, o controlador de memória integrado do Athlon 64 melhorou de forma perceptível o desempenho do processador, reduzindo os tempos de acesso à memória e melhorando o desempenho dos caches. Ele ajudou a AMD a vencer a guerra contra o Pentium D e a continuar competitiva mesmo após o lançamento do Core 2 Duo.
Como o desempenho do controlador de memória é sempre o principal diferencial entre os chipsets dos diferentes fabricantes, os chipsets para o Athlon 64 acabam ficando muito próximos nesse quesito. Isso fez com que os fabricantes passassem a tentar diferenciar seus produtos com base nas interfaces, recursos gerais e preço, além de investirem no desenvolvimento de recursos exclusivos (como o SLI, no caso dos chipsets da nVidia).
Outra questão importante é que como o suporte à memória não depende mais do chipset, mas sim do controlador de memória incluído no processador, os fabricantes passaram a ser capazes de lançar versões dos chipsets para múltiplos soquetes (soquete 754 e 939 ou AM2+ e AM3, por exemplo) fazendo apenas pequenas atualizações no barramento HyperTransport. Essencialmente, a incorporação do controlador de memória moveu uma grande parte da complexidade para dentro do processador, simplificando a vida dos fabricantes de chipsets.
Tudo começou com o AMD 8000, o chipset de referência da AMD, que acabou sendo pouco utilizado na prática. Ele era composto pelos chips AMD 8151 (que faz o papel de ponte norte) e o chip 8111 (ponte sul), ambos conectados por um barramento HyperTransport de 8 bits.
O chip 8151 era chamado pela AMD de “AGP Graphics Tunnel”, pois com a remoção do controlador de memória, as únicas funções dele eram conectar o processador ao barramento AGP 8x e ao chip 8111, que concentrava as demais interfaces. Os recursos do chip 8111 também eram relativamente modestos. Ele oferecia apenas 6 portas USB 2.0 (contra 12 ou mais dos chipsets atuais), duas portas IDE ATA-133 (sem SATA), suporte a PCI-X, além de rede e som onboard.
O suporte ao PCI-X fez com que o AMD 8000 fosse relativamente popular em servidores baseados nas primeiras versões do Opteron e também em estações de trabalho, sobrevivendo até perto do final de 2003. Já nos desktops, ele é virtualmente desconhecido, já que os chipsets da nVidia, VIA, SiS e ATI roubaram a cena.
Chipsets da nVidia: O primeiro chipset da nVidia para o Athlon 64 foi o nForce3, que foi de certa forma um sucessor das diversas versões do nForce2, usadas nas placas soquete A. Ele existiu nas versões 150 (a original), 250, Pro250, 250Gb e 250Gb Ultra.
Estas 5 versões são ainda baseadas no uso do barramento AGP, sem suporte a PCI Express. Todas oferecem suporte a 6 portas USB 2.0 (três controladoras independentes, cada uma com duas portas), duas interfaces ATA-133 (com suporte a RAID 0, 1 e 10), rede e som onboard, mas se diferenciam nos detalhes.
Ao contrário dos demais, o nForce3 150 utilizava um barramento HyperTransport operando a 600 MHz (multiplicador de 3x em vez de 4x), abaixo da especificação da AMD, que previa o uso de um barramento de 800 MHz nas placas soquete 754. Embora esta omissão tenha sido bastante comentada na época do lançamento, não causou nenhuma redução real no desempenho do chipset, já que o conjunto modesto de recursos do nForce3 150 não chegava a saturar nem mesmo o link de 600 MHz, que oferecia um total de 6 GB/s de taxa de transferência entre o processador e o chipset. Existiu ainda o nForce3 150 Pro, cujo único diferencial era oferecer suporte ao Opteron.
O nForce3 250 trouxe como diferencial a inclusão de 4 portas SATA (também com suporte a RAID), além de uma atualização do barramento HyperTransport, que passou a trabalhar a 800 MHz. Ele substituiu rapidamente o 150 e foi bastante comum em placas soquete 754 de baixo custo, já que era o chipset mais barato dentro da família.
Em seguida temos o nForce3 250Gb, que, como o nome sugere, incorporava uma interface de rede Gigabit Ethernet, com suporte ao Active Armor, o sistema de firewall via hardware desenvolvido pela nVidia. Ele foi seguido pelo 250Gb Pro, que oferecia também suporte ao Opteron e aos primeiros modelos do Athlon 64 FX, que ainda utilizavam o soquete 940 e memórias registered.
O nForce3 250Gb Ultra foi uma evolução natural do 250Gb, que oferecia um barramento HyperTransport de 1.0 GHz, adequado para uso em placas soquete 939. Em tese, o nForce 3 250Gb também poderia ser utilizado em placas soquete 939, mas o barramento HyperTransport de 800 MHz geraria a mesma publicidade negativa que vitimou o nForce3 150. Existiu ainda o nForce 3 Pro250, que oferecia suporte ao Opteron.
Para reduzir o custo de produção, a nVidia optou por utilizar um design single-chip no nForce3. O efeito colateral é que o corte de componentes deixou de fora o vídeo onboard GeForce 4 e o chipset de som onboard de alta qualidade utilizado nas primeiras versões do nForce. No lugar dele, foi utilizado o mesmo chipset AC’97 de baixo custo utilizado nas versões recentes do nForce2. Como o suporte a dual-channel, DASP e outros recursos relacionados ao controlador de memória também foram removidos (já que o acesso à memória passou a ser feito diretamente pelo processador), o nForce3 perdeu todos os seus antigos diferenciais em relação aos concorrentes.
A nVidia se concentrou então em incluir opções relacionadas a overclock e tweaks diversos, transformando o nForce3 e seus sucessores nos chipsets preferidos para quem queria explorar os limites do processador.
Um recurso digno de nota é o “AGP/PCI Lock”, ativado através de uma opção no Setup, que permitia travar a frequência do barramento AGP e PCI e assim ajustar livremente a frequência do FSB, sem colocar em risco a estabilidade dos demais componentes. Reduzindo o multiplicador do barramento HyperTransport, era possível aumentar o clock de referência do processador de 200 para 250 MHz ou mais sem grandes problemas. Como o multiplicador de todos os processadores Athlon 64 e X2 é destravado para baixo, era possível aumentar o FSB livremente e procurar a melhor combinação de frequência e multiplicador ao fazer overclock.
A seguir temos uma Epox 9nda3+, baseada no nForce3 250Gb Ultra. Você pode notar que o chipset fica entre os slots PCI e AGP, enquanto o processador é posicionado bem ao lado dos slots de memória, reduzindo o comprimento das trilhas que ligam o controlador de memória integrado e os módulos de memória.
O processador é então ligado ao chipset através das poucas trilhas responsáveis pelo barramento HyperTransport e as trilhas para os demais componentes partem dele. Por ser uma placa soquete 939, ela suporta dual-channel, mas o recurso é, mais uma vez, oferecido pelo controlador de memória incluído no processador e não pelo chipset:
Epox 9nda3+, baseada no nForce3 250Gb Ultra
No final de 2004 foi lançado o nForce4, que mais tarde seria também adaptado para uso em conjunto com o Pentium 4. As versões do nForce4 para processadores AMD incluem o nForce4 original, nForce4 Ultra, nForce4 SLI e o nForce4 SLI x16, que, ao contrário da versão para processadores Intel, manteve o design single-chip utilizado no nForce 3.
A principal inovação presente no nForce4 foi a adoção do PCI Express em substituição do AGP. A versão inicial do nForce 4 incluía 20 linhas PCI Express, permitindo o uso de um slot x16, acompanhado de até 4 slots x1 (embora a maioria das placas utilizasse apenas dois ou três slots). Estavam disponíveis ainda 10 portas USB, duas interfaces ATA-133 e 4 portas SATA (com suporte a RAID 0, 1 ou 10), som onboard AC’97 e o chipset de rede Gigabit Ethernet.
Alguns softwares úteis incluídos no pacote eram o nVidia RAID Morphing, que permitia alterar a configuração do array RAID rapidamente, e o nTune, que permitia ajustar frequências, multiplicadores e outras configurações relacionadas a overclock através do Windows, sem precisar reiniciar e ir até o Setup. Hoje em dia este é um recurso comum, mas na época foi um diferencial importante.
Como de praxe, a versão “básica” do nForce 4 foi seguida por diversas versões aprimoradas. O nForce4 Ultra incluiu suporte ao ActiveArmor, interfaces SATA-300, além de um barramento HyperTransport de 1.0 GHz.
O suporte a SLI foi introduzido a partir do nForce4 SLI, que oferecia a possibilidade de dividir as linhas PCI Express, transformando o slot x16 em dois slots x16 com 8 linhas de dados cada. O suporte a SLI acabou se tornando o grande diferencial dos chipsets nVidia, de forma que o nForce4 SLI foi rapidamente aperfeiçoado, dando origem ao nForce4 SLI x16, que oferecia 38 linhas PCI Express (a versão para processadores Intel possuía 40), permitindo criar dois slots x16 “reais”, com 16 linhas PCI Express cada um.
Devido ao brutal volume de transistores introduzidos pelas 18 linhas PCI Express adicionais, o nForce4 SLI x16 voltou a ser dividido em dois chips, assim como a versão para processadores Intel.
Para não perder o filão de placas com vídeo integrado, a nVidia lançou também os chips nForce410 e nForce430. Eles eram versões simplificadas do nForce4, sem as linhas PCI Express, destinados a serem usados como ponte sul. Eles eram combinados com os chips GeForce 6100 ou GeForce 6150 (que incluem tanto as linhas PCI Express, quanto um chipset de vídeo integrado da série GeForce 6), que fazem o papel de ponte norte.
O nForce410 era um chip relativamente modesto, com duas interfaces ATA-133, 4 portas SATA (com suporte a RAID 0 e 1), som HDA AC’97 (chip Azalia), rede 10/100 e 8 portas USB 2.0. O nForce430 incluiu rede Gigabit Ethernet e suporte a RAID 5 (utilizando tanto HDs instalados nas portas IDE quanto nas portas SATA).
Esta é uma Gigabyte K8N51GMF-9, um exemplo de placa soquete 939 de baixo custo, baseada na combinação do nForce430 e do GeForce 6100. Com a remoção das linhas PCI Express, o nForce430 (posicionado entre os slots IDE e as portas SATA) se tornou um chip bastante simples, produzido usando a técnica de 0.14 micron. O 6100, por sua vez, é mais complexo. Mesmo sendo produzido usando a técnica de 0.09 micron, ele gera bastante calor e por isso conta com um dissipador um pouco mais avantajado. Como de praxe, o vídeo onboard pode ser substituído por uma placa dedicada, encaixada no slot PCIe x16. Estão disponíveis também mais dois slots PCI tradicionais e um slot PCIe x1:
Gigabyte K8N51GMF-9
A partir do nForce4, a nVidia passou a fabricar versões de seus chipsets para processadores AMD e Intel. Embora a linha Intel seja composta por chips um pouco mais complexos, que incluem o controlador de memória e o suporte ao barramento utilizado pelo processador (no lugar de um simples link HyperTransport, como no caso da linha AMD), a nVidia conseguiu criar uma linha semi-unificada de chipsets, com relativamente poucas diferenças de recursos entre os modelos para as duas plataformas. Todos os principais recursos podem ser encontrados tanto de um lado quanto do outro. Por possuírem mais componentes internos, os chipsets para processadores Intel são sempre divididos em ponte norte e ponte sul (SPP e MCP), enquanto os AMD são, em sua maioria, soluções single-chip.
A linha para processadores AMD foi composta pelos chipsets nForce 520, nForce 550, nForce 570 Ultra, nForce 570 SLI, nForce 590 SLI, além do nForce 680a SLI (destinado à plataforma Quad FX). Enquanto os nForce 3 e 4 eram destinados às placas soquete 754 e 939, todos os chipsets a partir do 520 são destinados a placas AM2.
Dentro da série, o nForce 520 é o chipset “value”, destinado a PCs de baixo custo. Embora ofereça 20 linhas PCIe, ele não oferece suporte a SLI, limitando-se a um único slot x16. Ele também não inclui o chipset de rede gigabit (substituído por um chipset de rede 10/100 regular), inclui apenas 4 portas SATA e não oferece suporte a RAID 5, disponível nos outros modelos. Todos os chipsets a partir do 520 incluem apenas uma interface IDE, em vez de duas, como nos anteriores.
O nForce 550 é uma versão levemente aprimorada do 520, que inclui a interface de rede Gigabit Ethernet e oferece a possibilidade de usar até 4 slots PCI Express x1 em complemento ao slot x16 (contra apenas 3 do 520). Na prática este recurso é pouco usado, já que os fabricantes costumam utilizar apenas 2 ou 3 slots x1, reservando algum espaço para slots PCI de legado, mas esta foi a forma que a nVidia encontrou para diferenciar os dois. As placas baseadas no 550 oferecem quase sempre mais opções de overclock, já que os fabricantes precisam diferenciá-las das placas de baixo custo.
O nForce 570 Ultra adiciona duas portas SATA adicionais (totalizando 6), suporte a RAID 5 e também a segunda placa Gigabit Ethernet.
A partir daí temos os chipsets com suporte a SLI. O nForce 570 SLI inclui 28 linhas PCI Express, o que permite utilizar duas placas em modo x8, enquanto o nForce 590 SLI inclui 46 linhas, permitindo o uso de duas placas em modo x16. Ao contrário do 520, 550 e do 570, que são single-chip, o 590 SLI segue a divisão tradicional, dividido entre os chips SPP e MCP.
Na foto a seguir temos uma Foxconn C51-XEM2AA, um exemplo de placa baseada no nForce 590 SLI. Além das duas placas gigabit e das demais interfaces, suporte a SLI, e outros recursos, o principal atrativo desta placa (e de outras do mesmo nível) é a grande variedade de opções de overclock e a boa tolerância ao uso de frequências extremas para o barramento PCI Express e para o link Hyper Transport.
Ela oferece um conjunto completo de ajustes dos tempos de espera dos módulos de memória (incluindo os ajustes de tCL, tRAS, tRP, tRCD, tRPD, tRC, CMD, tWR, tRWT, tWTR, tREF, tRRD, drive strength e outros), ajuste da tensão do processador (de 0.3750v a 1.85v, em incrementos de 0.0125v), tensão dos módulos de memória (de 1.825v a 2.5v, em incrementos de 0.025v), ajuste da frequência do barramento PCI Express (de 100 a 200 MHz), ajuste da frequência, multiplicador e também tensão do barramento HyperTransport, entre outras opções:
Foxconn C51-XEM2AA, baseada no nForce 590 SLI
Chipsets da VIA: O primeiro chipset da VIA para a plataforma AMD64 foi o VIA K8T800, que foi concorrente direto do nForce3 150. Um dos diferenciais mais enfatizados é que o K8T800 implementava um barramento HyperTransport “completo”, de 800 MHz, entre o processador e o chipset, enquanto o nForce3 150 utilizava um link de 600 MHz e ainda por cima assimétrico, com 16 bits de downlink e apenas 8 bits de uplink. Embora esta característica represente uma diferença de desempenho muito pequena na prática, acabou fazendo com que o chipset da VIA fosse considerado superior tecnicamente.
O K8T800 segue o design tradicional, baseado em dois chips. A ponte norte é um chip relativamente simples, que contém o barramento HyperTransport (que o liga ao processador) e a interface AGP 8x. Ao invés de utilizar um segundo barramento HyperTransport para interligar a ponte norte e a ponte sul, a VIA optou por utilizar um barramento V-Link de 533 MB/s. Os recursos do chip VT8237R, usado como ponte sul, incluem duas portas ATA-133, 8 portas USB 2.0, som (AC’97) e rede (10/100) onboard e duas portas SATA, com suporte a RAID 0 e 1.
Um detalhe técnico interessante sobre o VT8237R é que ele podia ser expandido através de chips adicionais, com opções para duas portas SATA adicionais (que agregam a possibilidade de usar RAID 10), suporte a slots PCI-X (um recurso bastante requisitado no caso das placas para o Opteron), placa de som 7.1 e também uma interface Gigabit Ethernet. A opção de utilizar ou não estes recursos opcionais recaía sobre o fabricante da placa, o que fazia com que eles nem sempre fossem usados, ou fossem substituídos por controladores mais baratos, oferecidos por outros fabricantes.
Quando a nVidia lançou a série nForce3 250, a VIA respondeu com o K8T800 Pro, uma versão melhorada do K8T800, que atualizou o barramento HyperTransport para um link de 1.0 GHz e adicionou o recurso AGP/PCI lock, o mesmo recurso utilizado pela nVidia no nForce3 (que permitia travar a frequência do barramento AGP e PCI ao fazer overclock), o que permitia utilizar frequências mais altas, sem risco de afetar a estabilidade dos demais componentes. O barramento V-Link entre os dois chips foi também atualizado para a versão de 1.0 GHz, embora as interfaces disponíveis no chip VT8237R não tenham sofrido mudanças.
Como de praxe, foi lançada também uma versão do K8T800 Pro com vídeo onboard, o K8M800. Ele incluía um chipset de vídeo VIA UniChrome Pro, o mesmo controlador utilizado nos chipsets P4M890 e KM800.
Com o final da era AGP, a VIA lançou o K8T890, que inclui um total de 20 linhas PCI-Express, suficientes para criar um slot x16 e mais 4 slots x1, destinados a placas de expansão diversas. Tanto o barramento HyperTransport de 1.0 GHz quanto o uso do V-Link como meio de interligação entre a ponte norte e a ponte sul foram mantidos, mas o antigo chip VT8237R foi substituído pelo VT8251, uma versão sensivelmente aprimorada.
Além de manter as interfaces ATA-133, o VT8251 trouxe o suporte a 4 interfaces SATA (com suporte a RAID 0, 1 e 10, sem a necessidade da adição do chip extra) e um chip de áudio com suporte ao padrão HDA. Ele inclui também duas linhas PCI Express extras, que podem ser utilizadas para criar dois slots x1 adicionais, ou conectar dispositivos diversos, adicionados pelo fabricante da placa. Apesar das melhorias, ele vem com a mesma interface de rede 10/100 do VT8237R, que pode ser substituída pela interface gigabit através do uso do chip adicional.
O chip VT8251 é compatível também com o K8T800 Pro e chegou a ser utilizado em conjunto com ele durante algum tempo, oferecendo uma combinação atualizada para fabricantes interessados em produzirem placas com suporte a AGP. Existiram ainda casos de placas baseadas no K8T890 que utilizavam o chip antigo, devido a atrasos na fabricação do VT8251.
Algum tempo depois, a VIA passou a oferecer também o chip VT8237A, que podia ser usado tanto em conjunto com o K8T890 quanto com os chipsets da linha Intel. O VT8237A manteve as duas portas ATA-133, o chipset de áudio VIA Vinyl, rede 10/100 e 8 portas USB. A principal diferença entre ele e o VT8251, é que ele possui apenas duas portas SATA (com suporte a RAID 0 e 1), em vez de 4. Apesar disso, muitos fabricantes de placas combinam o VT8237A, com controladores SATA e chipsets de rede externos, produzindo placas com 4 portas SATA e rede gigabit.
Com o lançamento do K8T890, o K8M foi também atualizado, dando origem ao K8M890, que passou a incluir um chipset de vídeo Chrome9 integrado.
Pouco depois foi lançado também o K8T900, que manteve as mesmas características básicas do K8M890 (incluindo o uso do chip VT8251 como ponte sul). Ele vinha sem vídeo onboard, porém com o suporte a dois slots PCIe x16 (com 8 linhas de dados cada um), permitindo o uso de duas placas de vídeo simultaneamente.
Na época em que foi lançado, não existia nenhuma trava nos drivers da nVidia que impedissem o uso de duas placas em SLI em chipsets de outros fabricantes, de forma que utilizando uma certa versão dos drivers (um beta do ForceWare 71.24, caso esteja curioso), era possível utilizar duas placas em SLI no K8T900. Entretanto, ao perceber a brecha, a nVidia rapidamente retirou a versão do driver de circulação e implantou travas de software nas versões futuras, eliminando a possibilidade.
O K8T900 também não oferece suporte ao CrossFire. Ao invés disso a VIA criou o “MultiChrome”, que permitia combinar duas placas baseadas no S3 Chrome S27 (a S3 é uma subsidiária da VIA), placas de vídeo bastante incomuns e com um desempenho fraco, inferior ao da GeForce 6600 GT. O mérito do MultiChrome era a meta de se tornar um padrão aberto, que pudesse ser usado em placas de outros fabricantes. Entretanto, ele acabou sendo esquecido, já que ao excluir a nVidia e a ATI (que já possuíam seus próprios padrões) e a Intel (a arqui-rival), sobraram poucos aliados.
Com o fracasso do MultiChrome e o crescimento dos chipsets da nVidia, Intel e AMD, a VIA paralisou o desenvolvimento de novos chipsets, se limitando a continuar produzindo o P4M800 e o K8T900, que passaram a ser usados em placas de baixo custo, que foram bastante populares no Brasil entre 2007 e 2008.
A ausência de novos lançamentos logo começou a despertar suspeitas de que a VIA estaria abandonando a fabricação de chipsets para processadores AMD e Intel, uma notícia que acabou se confirmando em agosto de 2008. A partir daí, a VIA passou a se dedicar exclusivamente à produção de chipsets e placas para o C7 e o Nano, vendidas em pequenas quantidades.
Chipsets da SiS: Antes de iniciar a série 760, que foi a mais conhecida entre seus chipsets para o Athlon 64, a SiS lançou três chipsets sem vídeo onboard, que competiam diretamente com o VIA K8T800 e o nForce3.
O SiS 755 oferecia suporte a AGP 8x, além de incluir um barramento HyperTransport de 800 MHz, assim como o K8T800. Ligando a ponte norte ao chip SiS964, foi utilizado um barramento MuTIOL 1G, que também não criava gargalos. A ponte sul incluía duas interfaces ATA-133, duas portas SATA com suporte a RAID 0 e 1, 8 portas USB 2.0, rede 10/100 e áudio AC’97.
Seguindo a evolução natural, o 755 foi sucedido pelo SiS 755FX, que incluía suporte ao barramento HyperTransport de 1.0 GHz utilizado nas placas soquete 939, além de trazer suporte ao chip SiS965 (usado como ponte sul), que incluía 4 portas SATA (com suporte a RAID 0, 1 e agora também a RAID 10), rede gigabit e duas linhas PCI Express, que permitiam complementar os slots AGP e PCI com dois slot PCIe x1.
O SiS 756 foi o primeiro chipset SiS a substituir o barramento AGP pelo PCI Express, oferecendo um total de 18 linhas, que permitiam criar o slot x16 e mais dois slots x1. Ele continuou utilizando o chip SiS965 como opção default de ponte sul, mas os fabricantes tinham a opção de substituí-lo pelo chip SiS965L, uma versão de baixo custo, que incluía apenas duas portas SATA, em vez de 4.
Em seguida chegamos à linha de chipsets com vídeo onboard, que incluem os chipsets SiS 760, 760GX, 761, 761GX e 761GL.
Apesar da numeração superior, o SiS 760 e o SiS 760GX ainda são baseados no barramento AGP, ao contrário do 756, que já suportava PCI Express. O uso do AGP fazia sentido, pois tanto o 760 quanto o 760GX eram destinados a micros de baixo custo, onde o uso de placas AGP (muitas vezes aproveitadas de upgrades anteriores), ainda era comum.
O SiS 760 utilizava o chipset de vídeo SiS Mirage 2, que incluía suporte ao uso de dois módulos de memória em dual-channel, enquanto o SiS 760GX utilizava o Mirage 1, que utiliza uma interface single-channel para a comunicação com a memória compartilhada. Além do fraco desempenho, o Mirage 1 ainda é baseado no DirectX 7, enquanto até mesmo o Chrome9 (incluído no K8T890) já oferece suporte ao DirectX 9.
Ambos podiam ser usados tanto em conjunto com o chip SiS964 quanto com o SiS966, que incluía 4 linhas PCI-Express, 4 portas SATA (com suporte a RAID 0, 1 e 10), 10 portas USB, áudio HDA 7.1 e rede gigabit.
O chipset seguinte é o SiS 761, uma versão aprimorada do 760, que inclui um chipset de vídeo SiS Mirage 3 e utiliza o chip SiS966 como ponte sul, incluindo as 4 portas SATA, 10 portas USB e rede gigabit.
Foram lançadas também duas versões de baixo custo do 761: SiS 761GL e SiS 761GX. O 761GX é a versão mais completa, que inclui um barramento HyperTransport de 1.0 GHz e as linhas PCI Express necessárias para permitir o uso do slot PCIe x16, usado para a conexão de uma placa de vídeo offboard. O 761GL, por sua vez, é uma versão muito simplificada, que não inclui o slot PCIe x16 e utiliza um barramento HyperTransport de 800 MHz para a comunicação com o processador.
Ambos utilizam o antiquado Mirage 1 como chipset de vídeo, que mostra até que ponto chegou a economia de recursos. Eles são compatíveis tanto com o SiS966 quanto com os antigos SiS965 e SiS965L como ponte sul, de forma que o fabricante da placa pode escolher qual usar.
Na foto a seguir temos uma PC-Chips A31G, um exemplo de placa de baixo custo baseada no SiS 761GX. O principal alvo desta placa eram os PCs de extremo baixo custo, por isso (em pleno final de 2007) ela ainda utilizava o soquete 754, visando manter a compatibilidade com as versões iniciais do Sempron.
Ela utiliza o chip SiS965L (a versão mais barata) como ponte sul e por isso oferecia apenas duas portas SATA e rede 10/100. Ao contrário da maioria das placas atuais, ela ainda conservava a porta paralela e uma porta serial, visando manter a compatibilidade com impressoras e outros periféricos antigos. Os slot PCIe x1 foram substituídos pelo slot AMR (usado pela placa riser do modem onboard) e o slot AGP-Express, que visa manter compatibilidade com as placas AGP antigas, às custas de problemas de compatibilidade e ao gargalo de desempenho causado pelo uso do barramento PCI.
Devido às muitas limitações, fraco desempenho do vídeo onboard e aos problemas de compatibilidade no Linux, este foi um exemplo de placa atraente apenas para quem realmente não podia pagar por nada melhor:
PC-Chips A31G, baseada no SiS 761GX (com o dissipador do chipset removido)
Cipsets da ULi: A ULi fabricou três chipsets de baixo custo, usados sobretudo em placas soquete 754 e soquete 939. Eles foram produzidos em pequenas quantidades até o final de 2007, quando foram descontinuados, acompanhando a substituição das duas plataformas pelas placas AM2 e AM2+.
O primeiro é o ULi M1687, um chipset antiquado, muito similar ao AMD-8151 em recursos. Ele inclui suporte a AGP 8x, duas interfaces ATA-133 (sem suporte a SATA ou RAID), 6 portas USB, som AC’97 e rede 10/100 onboard. Embora fosse um chipset barato, ele foi pouco usado, devido às muitas limitações. O segundo é o ULi M1689, um design single-chip, que inclui também 2 portas SATA (sem suporte a RAID) e 8 portas USB, mantendo o suporte a AGP 8x e os mesmos chipsets de som e rede onboard do M1687.
O terceiro chipset e de longe o mais popular dentro da linha é o ULi M1695. Este chipset é bastante famoso por ser um dos poucos a oferecer simultaneamente um slot PCI Express x16 e um slot AGP nativo, que realmente opera à sua frequência normal. Nesse ponto ele é similar ao VIA PT880 Ultra (que também oferece suporte simultâneo a AGP e PCI Express), mas com o mérito de ser consideravelmente mais barato.
Este diagrama mostra como o barramento AGP foi implementado. O chipset é ligado ao processador através de um barramento HyperTransport (de 1.0 GHz, como de praxe) e um segundo barramento HT é utilizado para interligar a ponte norte e a ponte sul. Como você pode ver no diagrama, a ponte norte fica com as linhas PCI Express, enquanto a ponte sul (o chip M1567) inclui o barramento AGP e as demais interfaces. Um detalhe técnico interessante é que o chip M1567 é um descendente direto do chipset M1689, lançado anteriormente. A flexibilidade oferecida pelo barramento HyperTransport permitiu que ele fosse rapidamente adaptado para abandonar seu posto de chipset principal e assumir o papel de ponte sul do M1695:
Diagrama de blocos do ULi M1695
Os demais recursos do chipset são modestos, incluindo as duas interfaces ATA-133, duas portas SATA-150 (agora com suporte a RAID 0 e 1), 8 portas USB, além de rede (10/100) e som onboard. Apesar disso, o desempenho do M1695 é sensivelmente superior ao dos concorrentes diretos da SiS, chegando a competir com o nForce4 em alguns quesitos.
Uma das placas baseadas no ULi M1695 mais conhecidas é a ASRock 939Dual-SATA2. A ASRock é uma divisão da Asus, especializada em produzir placas de baixo custo que a Asus prefere vender sob uma marca separada.
Como toda placa soquete 939, ela oferece suporte a dual-channel, cortesia do controlador de memória incluído no processador. Além das duas portas SATA-150 integradas no chipset, ela oferece uma porta SATA-300 (destacada das outras duas por utilizar um conector vermelho), controlada por um chip JMicron avulso. É daí que surge o “Dual-SATA2” usado no nome. Ela mantém também a carga de legado completa, incluindo as duas interfaces IDE, porta paralela, porta serial e porta do drive de disquetes.
Note que ela não inclui vídeo onboard nem o modem AMR presente nas placas da ECS, PC-Chips e Phitronics, o que dificulta seu uso em micros de baixo custo. Esta ASRock é uma espécie de placa de baixo custo para entusiastas, que querem usar uma placa de vídeo offboard e desejam mais opções de overclock do que as oferecidas em outras placas baratas, sem precisar gastar muito.
ASRock 939Dual-SATA2, baseada no ULi M1695
Além da combinação do slot PCI Express x16 e do slot AGP 8x (real), ela inclui três slots PCI e um slot PCIe x1, completados por um estranho slot amarelo, similar a um slot AGP, mas em posição diferente. Este slot é chamado de “Future CPU Port” e permite o uso de uma placa de expansão, que permite instalar um processador AM2 e módulos de memória DDR2, aproveitando o restante da placa-mãe.
Do ponto de vista técnico ele é uma ideia bastante engenhosa, pois a placa de expansão é ligada diretamente ao barramento HyperTransport, o que permite que ela “substitua” o soquete e os slots de memória presentes na placa-mãe, oferecendo a possibilidade de usar um processador AM2 sem perda de desempenho. Entretanto, ela acabou não sendo muito popular, já que era vendida por US$ 50, cerca de dois terços do preço de uma placa-mãe AM2 nova.