Mesmo após a Nintendo ter intensificado sua ofensiva contra alguns dos principais emuladores de seus consoles nos últimos anos, a comunidade continua encontrando novas maneiras de executar jogos da empresa em plataformas concorrentes. Desta vez, The Legend of Zelda: Breath of the Wild apareceu rodando em 4K em um PlayStation 5 desbloqueado.
A demonstração começou a circular nas redes sociais nos últimos dias e utiliza o PS5CEMU-HAR, um projeto homebrew desenvolvido para consoles PS5 com jailbreak. Um vídeo publicado pelo usuário Jones mostra Link explorando Hyrule no console da Sony, com o jogo sendo exibido em 4K. Segundo a Wccftech, a demonstração funciona atualmente a 30 FPS.
O detalhe curioso é que não estamos falando da versão de Nintendo Switch sendo emulada. O PS5CEMU-HAR utiliza o Cemu, conhecido emulador de Wii U, e é justamente por meio da versão de Wii U de Breath of the Wild que o jogo está sendo executado no PlayStation 5.
Zelda: Breath of the Wild running at 4K on PS5 is so damn beautiful, thank you @yourbenishttps://t.co/FWSafAJFuR pic.twitter.com/M2HNU3LGWS
— Jones (@jonesskulls) October 4, 2026
PS5CEMU-HAR leva Cemu e até Nintendo 3DS ao PlayStation 5
O projeto é mais ambicioso do que simplesmente fazer Zelda funcionar no console. Segundo a documentação oficial disponível no GitHub, o PS5CEMU-HAR reúne dois emuladores em uma única aplicação homebrew: o Cemu, responsável por jogos de Wii U, e o Azahar, voltado para Nintendo 3DS.
Os dois utilizam a API Vulkan através de uma adaptação do driver RADV para o PlayStation 5 realizada por Mihawk. A aplicação possui ainda uma interface própria em que o usuário escolhe entre Wii U e Nintendo 3DS antes de acessar a biblioteca e as configurações de cada emulador.

A documentação afirma que a saída de vídeo do Cemu pode chegar a 3840×2160, com diferentes filtros de ampliação de imagem e suporte a displays de até 120 Hz. Isso, no entanto, não significa que todos os jogos sejam automaticamente renderizados internamente em 4K ou executados a 120 FPS.
Também há suporte aos tradicionais Graphic Packs do Cemu, que permitem aplicar configurações específicas para determinados jogos. Os pacotes comunitários disponíveis para Breath of the Wild, por exemplo, incluem opções de resolução que vão de Full HD até 4K e além no Cemu.
Além disso, o PS5CEMU-HAR permite instalar atualizações e DLCs, utilizar o DualSense como equivalente ao Wii U GamePad, configurar controles de movimento e até usar o touchpad do controle da Sony como substituto para a tela sensível ao toque do GamePad.
Segundo o próprio desenvolvedor, a maior parte dos jogos de Wii U testados até agora consegue ser executada com vídeo, áudio, controles e saves funcionando. O suporte ao Nintendo 3DS foi adicionado mais recentemente e ainda passou por um número menor de testes.
Curiosamente, Breath of the Wild aparece até mesmo nas notas da versão mais recente do projeto. O desenvolvedor corrigiu um problema que fazia o jogo fechar ao carregar determinados caches de shaders criados por outras versões do Cemu. Agora, entradas incompatíveis são descartadas e recompiladas conforme necessário.
Zelda já recebeu melhorias oficiais no Nintendo Switch 2
Embora executar um dos maiores jogos da Nintendo dentro de um PlayStation 5 seja tecnicamente curioso, o resultado não necessariamente representa a melhor maneira atual de jogar Breath of the Wild. A própria Nintendo lançou uma versão aprimorada de The Legend of Zelda: Breath of the Wild para o Nintendo Switch 2. Essa edição oferece resolução superior, taxa de quadros mais suave, tempos de carregamento menores e suporte a HDR, além de recursos adicionais através do Zelda Notes.

Ainda assim, o projeto no PS5 chama atenção por outro motivo: mostra até onde chegou a cena homebrew do console da Sony. Em vez de apenas executar aplicações simples, um PS5 modificado agora consegue rodar versões adaptadas de emuladores complexos como Cemu e Azahar utilizando aceleração gráfica via Vulkan.
Há também uma ironia histórica. Sony e Nintendo chegaram a trabalhar juntas no início dos anos 1990 em um aparelho baseado no Super Nintendo com suporte a CD-ROM. A própria Sony registra em sua história corporativa que um contrato para desenvolver conjuntamente o chamado Super NES CD-ROM foi fechado em 1990 e que o aparelho chegou a receber provisoriamente o nome “PlayStation” antes de a parceria fracassar.
Mais de três décadas depois, portanto, um jogo da Nintendo rodando em um PlayStation acabou se tornando realidade, embora de uma maneira completamente diferente daquela imaginada originalmente.
Projeto aparece após Nintendo derrubar Yuzu e pressionar Ryujinx
Em março de 2024, a Nintendo chegou a um acordo com a Tropic Haze, responsável pelo emulador de Nintendo Switch Yuzu. Como parte do acordo judicial, os desenvolvedores aceitaram pagar US$ 2,4 milhões e interromper a distribuição e desenvolvimento do programa. O Citra, emulador de Nintendo 3DS mantido pelo mesmo grupo, também foi encerrado.
O caso tinha uma particularidade importante: a disputa não resultou simplesmente em uma decisão judicial declarando que “emulação é ilegal”. A ação da Nintendo se concentrou, entre outros pontos, na alegação de que o Yuzu contornava medidas tecnológicas de proteção utilizadas pelo Switch e dependia de chaves criptográficas para executar os jogos. O acordo acabou sendo fechado antes de uma disputa completa chegar a julgamento.

Poucos meses depois, em outubro de 2024, foi a vez do Ryujinx desaparecer. Segundo integrantes do projeto, seu principal desenvolvedor, conhecido como gdkchan, foi contatado pela Nintendo e recebeu uma proposta para interromper o trabalho e remover os ativos sob seu controle. A organização do projeto acabou sendo retirada do GitHub logo depois. Diferentemente do Yuzu, não houve naquele momento um processo público equivalente nem detalhes oficiais sobre os termos do acordo.
Isso torna inevitável a discussão sobre o futuro do PS5CEMU-HAR, mas até o momento não há indicação pública de que a Nintendo tenha tomado qualquer medida contra o projeto. Além disso, o próprio repositório deixa claro que o programa não inclui jogos, firmware, chaves ou outros dados protegidos por direitos autorais e orienta os usuários a utilizarem dumps produzidos a partir de hardware e software que possuam.
Portanto, afirmar neste momento que a Nintendo certamente derrubará o PS5CEMU-HAR seria especulação. O que já é possível dizer é que o projeto conseguiu alcançar um marco bastante incomum: colocar The Legend of Zelda: Breath of the Wild para funcionar em um PlayStation 5 desbloqueado, com saída em 4K e suporte completo ao DualSense.
Fonte: Wccftech
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