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Usando o VMware Server 2.0 beta

Usando o VMware Server 2.0 beta

Com o lançamento de processadores cada vez mais rápidos e o uso de volumes cada vez maiores de memória RAM, passou a fazer cada vez mais sentido agrupar diversos servidores em uma única máquina, utilizando algum sistema de virtualização.

A virtualização é obtida inserindo uma camada intermediária entre o sistema rodando dentro da máquina virtual e o hardware da máquina, simulando uma máquina completa. O software de virtualização fica então responsável por gerenciar todos os recursos do hardware, incluindo interrupções e endereços de memória, de forma que os sistemas dentro das máquinas virtuais possam trabalhar como se cada um tivesse uma máquina inteira reservada para si.

O sistema principal neste caso passa a ser chamado de host (hospedeiro) e os sistemas que estão rodando dentro da máquina virtual são chamados de “guests” (convidados). Cada um deles acha que tem um PC completo para si, enquanto na verdade está rodando dentro de uma “matrix”, na máquina virtual:

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Um sistema de virtualização permite dividir um único PC em diversas máquinas virtuais independentes, sendo que cada uma pode rodar um sistema operacional diferente. As máquinas virtuais compartilham os recursos da máquina real, dentro dos limites de uso de memória e de espaço em disco estabelecidos por você.

Em versões anteriores, o VMware era um produto caro. A versão destinada a estações de trabalho (o VMware Workstation) custava US$ 79 e o VMware GSX (a versão para servidores) custava algumas centenas de dólares.

Com a concorrência de outros produtos, a VMware passou a disponibilizar gratuitamente o VMware Player, uma versão reduzida do VMware Workstation. Em 2006 foi disponibilizado o VMware Server, uma versão surpreendentemente completa, que permite não apenas executar as máquinas virtuais, mas também criá-las, configurá-las e fazer toda a administração, sem limitações.

O VMware Server é tão completo e flexível que atende não apenas a quem quer usá-lo em um servidor, mas também aos usuários normais, que querem rodar diversos sistemas operacionais no mesmo micro. Se você já é usuário do VMware Workstion, ou do VMware Player, pode muito bem migrar para ele.

Você pode encontrar as dicas gerais de como instalá-lo e criar as máquinas virtuais no meu tutorial anterior: https://www.hardware.com.br/tutoriais/vmware-server/

A dica de hoje é sobre o VMware Server 2.0, que já está na versão Beta 2. Embora ainda esteja em desenvolvimento, ele já é bastante estável.

A principal novidade é uma nova interface de administração, batizada de VMware Infrastructure (VI). Ela permite que todas as funções das máquinas virtuais, incluindo a configuração das máquinas virtuais e o acesso ao console sejam acessadas através do próprio navegador, combinando as funções do VMware Mui e do VMware Server Console, usados nas versões anteriores:

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A interface pode ser tanto acessada via HTTP quanto via HTTPS, usando o próprio navegador. Se você está usando o VMware Server em sua máquina local, acesse através do “http://127.0.0.1“, caso contrário use o HTTPS para ativar o uso da encriptação, como em “https://gdhn.com.br“. Assim como na versão 1.4, o login pode ser feito usando qualquer conta no servidor que tenha acesso às máquinas virtuais. Para ter acesso irrestrito, use o root:

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Para acessar o console usando o navegador é necessário instalar um plugin, que é oferecido da primeira vez que você tenta acessá-lo. Diferente dos antigos plug-ins em Active-X, que foram tão usados na época do IE 6, o plug-in do VMware está disponível também na forma de uma extensão para o Firefox, que pode ser usada também em clientes Linux.

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O plug-in é na verdade uma versão completa do Server Console, modificada de forma a facilitar a instalação. Clicando sobre a janela dentro da interface de gerenciamento, o console é aberto em uma nova janela. Como ele continua utilizando a mesma interface de acesso a vídeo do VMware Server Console, o desempenho é similar:

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O acesso via navegador pode não fazer muito sentido se você usa o VMware Server localmente, mas é uma grande melhoria para quem o instala em um servidor central e acessa as máquinas virtuais remotamente. Em vez de precisar instalar o VMware Server Console em cada máquina de onde for acessar o servidor, você precisa apenas instalar o plug-in.

Como de praxe, você pode utilizar diversas máquinas virtuais simultaneamente, limitado apenas aos recursos da máquina e ao limite “físico” de 64 VMs simultâneas do VMware Server.

Se você está utilizando o VMware Server 1.4, pode remover a versão antiga usando o comado “vmware-uninstall.pl”, que se encarrega de parar o serviço e remover os componentes:

# vmware-uninstall.pl

Os arquivos do VMware Server 2.0 Beta estão disponíveis no: http://www.vmware.com/beta/server/. Quando a versão final estiver disponível, a página será movida para o http://www.vmware.com/download/server/. Na página estão disponíveis tanto a versão para sistemas de 32 bits quanto a de 64 bits:

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Em vez de três pacotes separados, temos agora apenas dois componentes. O pacote “VMware-server”, que é o componente principal e o “VMware-vix”, que contém a engine da interface de administração.

Estão disponíveis também versões para o Windows quanto para Linux, atendendo a usuários de ambos os sistemas. A versão Windows é instalada da forma tradicional, no estilo “next, next, finish”, mas a versão Linux exige alguns passos adicionais, já que é desenvolvida de forma a ser instalável em qualquer distribuição e para permitir o uso em servidores sem interface gráfica instalada, daí o instalador em modo texto e o processo de instalação relativamente manual.

Baixe os dois arquivos para a mesma pasta e descompacte-os, como em:

# tar -zxvf VMware-server-e.x.p-84186.i386.tar.gz
# tar -zxvf VMware-vix-e.x.p-84186.i386.tar.gz

Acesse a pasta “vmware-server-distrib/” e rode o script “vmware-install.pl”. Desde que você tenha descompactado os dois arquivos no mesmo diretório, o script de encarregará de instalar também o VMware-vix automaticamente.

# vmware-server-distrib/
# ./vmware-install.pl

Uma das preocupações dos desenvolvedores foi ampliar o volume de módulos pré-compilados incluídos no pacotes principal, que correspondem à maior parte dos 400 MB do download. Mesmo assim, ainda é necessário ter os headers do Kernel e os compiladores para conseguir instalá-lo nas distribuições não atendidas pelos módulos pré-compilados. Além do vmmon, o instalador agora gera dois novos módulos, o vmci e o vsock.

Perto do final da instalação, o instalador pergunta sobre as portas que serão usadas para o acesso web, via HTTP e HTTPS. Se você está instalando o VMware Server em sua máquina de trabalho, pode simplesmente usar as portas padrão (80 e 443) para facilitar o acesso, mas se você o está instalando em um servidor dedicado, que já possui um servidor web ativo, é importante alterar as portas usadas, caso contrário o servidor web usado pelo VMware irá conflitar com o servidor web já existente, com resultados variados:

Please specify a port for standard http connections to use [80]: 8080
Please specify a port for secure http (https) connections to use [443]: 40443

Como de praxe, ao especificar portas diferentes do padrão, você deve incluir a porta no endereço de acesso ao servidor, como em “https://gdhn.com.br:404433

Uma observação é que as versões beta do VMware Server 2.0 vem com as extensões de debug ativadas. Elas permitem gerar relatórios detalhados sobre o status do software, que podem ser incluídos em bug reports, mas reduzem substancialmente o desempenho das máquinas virtuais (a perda chega a mais de 50% em diversas operações).

O debug pode ser desativado dentro das configurações de cada máquina virtual (você precisa desativá-lo uma por uma), desmarcando a opção “Record runtime information”, dentro da seção “Summay > Commands > Configure VM > Advanced”:

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Os betas possuem também um sistema de expiração, que bloqueia o uso das versões antigas conforme atualizações vão sendo disponibilizadas, de forma a evitar que os usuários continuem a utilizar versões beta antigas, cujos problemas já foram solucionados.

Concluindo, temos a questão da compatibilidade entre as máquinas virtuais criadas em outras versões do VMware. Por ser a versão mais recente, o VMware Server é compatível com máquinas virtuais criadas em qualquer versão anterior. Entretanto, elas não se beneficiam das melhorias introduzidas na nova versão, como o suporte a mais memória RAM e suporte a dispositivos USB 2.0. Para tirar proveito das melhorias, você tem a opção de atualizar as máquinas virtuais, usando a opção “Upgrade Virtual Machine”, disponível na aba “Summary”:

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Note que ao fazer isso a máquina virtual deixa de ser compatível com as versões anteriores (o upgrade é de mão única), mas nada impede que você mantenha uma cópia de backup da máquina virtual original, antes de atualização.

Ao atualizar uma máquina virtual com o Windows, use também a opção “Upgrade VMware Tools”. Os novos drivers virtuais oferecem pequenos ganhos de desempenho em diversas áreas, além de serem necessários para que o sistema guest tenha acesso aos novos recursos.

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