ThinClients

Ao usar o LTSP, ou qualquer sistema de boot remoto, você está justamente transformando seus PCs em ThinClients, ou seja, em terminais leves. Em geral, utilizar PCs baseados em placas-mãe de baixo custo, sem HD, é a opção mais barata (mesmo ao optar por utilizar micros novos), mas existem também diversos modelos de ThinClients especializados no mercado, geralmente baseados em processadores de baixo consumo da VIA ou processadores AMD Geode. A principal vantagem é que eles são bastante compactos e consomem pouca energia. Um exemplo é o iClient, produzido por uma empresa nacional:

Ele é baseado em um processador AMD Geode de 333 MHz (o mesmo utilizado no OLPC), com 128 ou 256 MB de RAM e 128 ou 256 MB de memória Flash (com opção de utilizar um HD de 2.5″).

Além de dar boot via PXE, ele inclui um cliente de boot remoto que suporta vários protocolos e pode também rodar alguns aplicativos localmente (embora com um desempenho muito ruim, devido ao baixo desempenho do processador). O Geode é um processador extremamente econômico, que possui um TDP inferior a 2 watts. Graças a isso, o iClient utiliza um sistema de dissipação passiva, onde o die do processador fica em contato direto com o gabinete de alumínio, que passa a servir como dissipador.

O sistema usado como cliente de boot nada mais é do que uma mini-distribuição Linux personalizada, que pode ser tanto usada como cliente de boot remoto, quanto rodar o Firefox e alguns aplicativos localmente quando o servidor não estiver disponível. Naturalmente, você pode dispensar o uso da memória Flash e dar boot diretamente via rede, através do LTSP ou outro sistema de boot remoto.

Outro exemplo é o HP t5135, que utiliza um processador VIA C3 de 400 MHz, com 128 MB de RAM e 64 MB de Flash:

Em geral, os preços dos ThinClients não são muito vantajosos, já que eles são projetos especializados, produzidos em pequeno volume. Quase sempre, você pode montar terminais usando componentes de baixo custo (e sem HD) por muito menos.

Os principais argumentos de venda a favor dos terminais especializados seriam o consumo elétrico (que chega a apenas 5 watts nos modelos que utilizam memória flash) e o tamanho compacto. De qualquer forma, é importante lembrar que eles nada mais são do que micros PC, baseados em um processador de baixo consumo.

Na maioria dos casos, a configuração dos terminais não importa muito, já que todo o processamento é feito no servidor. Desde que o cliente disponha de 64 MB de memória RAM e uma placa de vídeo minimamente atual, o restante da configuração faz pouca diferença. Além do custo, a principal preocupação deve ser a de usar placas-mãe estáveis e, se possível, usar processadores de baixo consumo, de forma a reduzir os custos com energia a longo prazo.

Evite processadores que não oferecem suporte a gerenciamento avançado de energia, como os Celerons 4xx (que vem com o suporte ao SpeedStep desativado) ou processadores que possuem uma dissipação muito alta, como os Pentium D. Atualmente (2008) os Semprons com suporte ao Cool’n’Quiet (do 3000+ em diante) e os Athlon 64 (não X2) são boas escolhas, pois são muito baratos e, graças ao uso do Cool’n’Quiet, oferecem um consumo de pouco mais de 6 watts quando ociosos, o que permite montar terminais que consumam menos de 20 watts no total (sem contar o monitor).

O baixo consumo é importante, pois a longo prazo acaba representando uma economia considerável. Calcule que a diferença entre um terminal que consome 20 watts e outro que consome 60 watts pode chegar a quase R$ 100 por ano (considerando que ambos ficassem ligados 12 horas por dia). Pode parecer pouco, mas se você multiplicar o valor por 20 ou 40 terminais, a economia começa a se tornar significativa.

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