Testing, one two three…
Autor original: Ladislav Bodnar
Publicado originalmente no: https://distrowatch.com/
Tradução: Roberto Bechtlufft
Um, dois, três, testando…
E como é que nós vamos decidir qual é a melhor distribuição para nossas necessidades? Uma boa maneira de avaliar todas elas é acompanhar seu desenvolvimento. Foi exatamente isso que eu comecei a fazer há três semanas: baixei as versões de desenvolvimento de todas as grandes distros (Ubuntu 8.04 beta, Fedora 9 beta, Mandriva Linux 2008.1 RC1, openSUSE 11.0 Alpha 3 e Debian GNU/Linux 5.0 Beta 1) e as instalei em partições separadas do meu HD. De tempos em tempos eu bootava todas elas, uma por uma, e atualizava todos os pacotes instalados. Isso é bem mais simples do que parece, já que todas essas distribuições vêm com um aplicativo que fica na área de notificação e que atualiza o sistema com um ou dois cliques, sem falar que a lista de repositórios já vem configurada.
Ao fazer um comparativo entre distribuições desse tipo, é preciso ter em mente que elas podem estar nos estágios mais variados de desenvolvimento. Por exemplo, achei quase impossível usar o openSUSE. O Konsole travou logo de cara, o que me fez desistir rapidamente do sistema. Por outro lado, a versão do Mandriva que eu instalei no mesmo fim de semana quase não apresentou problemas. Claro que o Factory (a versão de desenvolvimento do openSUSE) ainda era alpha quando fiz a instalação, enquanto o Cooker (a versão de desenvolvimento do Mandriva) já estava bem mais próximo do lançamento definitivo. Mesmo que não seja fácil comparar as distribuições de maneira tão direta, acompanhar o desenvolvimento delas desse jeito dá uma idéia interessante do que podemos esperar quando o trabalho estiver concluído e as versões de desenvolvimento forem declaradas estáveis.
Além do Mandriva, o Fedora 9 e o Debian GNU/Linux 5.0 me pareceram estar em ótima forma. Alguns usuários que testaram o Fedora reclamaram de problemas com o kernel mais recente, e parece que foram esses problemas que acabaram atrasando o lançamento do preview release, mas eu acho que o Rawhide (a versão de desenvolvimento do Fedora) está bem estável. Eu gostei muito do novo ícone de atualização na área de notificação, que permite atualizar pacotes sem lançar o Pirut ou outras ferramentas de gerenciamento. O Debian também se mostrou muito estável em meus testes. À primeira vista, a interface do “Lenny” não parece estar transbordando de novidades, e o instalador do Debian só teve pequenas melhorias, mas não se deve julgar um livro pela capa. Nem o Debian e nem o Fedora receberam arte nova, o que talvez dê a sensação de que estas são apenas atualizações do sistema, e não versões novas.
O Ubuntu “Hardy Heron” também já se aproxima do estágio final de desenvolvimento, e por isso quando instalei o beta há três semanas eu esperava um tranqüilo passeio pelo parque. E de modo geral foi mesmo, só que eu tive que abrir mão do driver proprietário da NVIDIA (o driver para placas antigas da série GeForce 4) porque volta e meia as margens das janelas sumiam. Fora isso, o “Hardy” parece bom, e há uma agradável mudança na arte, que destoa dos habituais papéis de parede sem imagens que acompanharam as versões anteriores do Ubuntu (exceto, é claro, pelo infame “nu artístico” do “Warty”).
Os usuários avançados podem acrescentar o Slackware à lista de distribuições a testar. Como sempre, o mais antigo sobrevivente do mundo Linux não oferece mecanismos simples de atualização, e a maneira recomendada de se acompanhar as atualizações consiste em baixar todos os pacotes, um por um, e usar o “pkgtools” para os instalar. Há também uma outra maneira: usar as ferramentas de gerenciamento de pacotes desenvolvidas por terceiros (Swaret e GSlapt são algumas delas). Elas podem resolver dependências e manter o Slackware atualizado de maneira semelhante ao apt-get, urpmi ou yum.
Um último conselho: se você quer instalar uma das distribuições citadas sem ter que configurar manualmente o gerenciador de boot, saiba que nem o Fedora nem o Slackware vão detectar e configurar automaticamente qualquer outra instalação do Linux que você tiver em sua máquina. Mas se você instalar uma das outras (Debian, Mandriva, openSUSE ou Ubuntu) por último vai ter seu GRUB populado por todas as distros presentes no seu HD. Assim você pode bootar cada uma delas quando quiser, de acordo com o seu estado de espírito.
Esse papo todo parece um bom tópico para discutirmos hoje. Algum dos leitores do DistroWatch acompanha o desenvolvimento das distros desse jeito? Se acompanha, o que está achando das distros? Qual delas você acha que será a vencedora desta temporada de lançamentos? Você gosta de bootar uma distro diferente a cada dia e atualizá-la para conferir seus progressos? Venha dar sua opinião.
Créditos a Ladislav Bodnar– https://distrowatch.com/
Tradução por Roberto Bechtlufft <robertobech at gmail.com>