O Satux (https://www.satux.org.br/) é uma distribuição baseada no Debian Etch, que é desenvolvida por técnicos do Instituto de Tecnologia JRSC, aparentemente com o apoio de alguns integradores. Ele vem pré-instalado em alguns PCs e notebooks da CCE e de alguns outros fabricantes.
Aproveitando que um deles passou pelas minhas mãos, aqui estão algumas impressões sobre a distribuição, escritas com base na versão 1.6, que veio pré-instalada em um T31, que é um modelo básico (sem webcam), que utiliza um chipset 671MX, com uma placa wireless Realtek RTL8187B (ligada no barramento USB) e um modem discado Motorola SM56.
A equipe do Satux fez um bom trabalho em configurar o sistema para a máquina, deixando todo o hardware pré-configurado, incluindo o modem, a placa wireless (ativada através deste driver) e o leitor de cartões. O sistema também já vem pré-configurado com o suporte a flash no Firefox e um conjunto de codecs, diferente de muitos dos PCs vendidos na época do início do programa do PC Popular, que vinham com instalações completamente desconfiguradas.
Essencialmente, um usuário mediano que comprasse o notebook na loja e levasse para casa, não teria grandes problemas para fazer tarefas básicas, como configurar a rede wireless, imprimir ou assistir vídeos do YouTube, provavelmente com bem menos dificuldades que teria ao usar o Xandros que vem pré-instalado no Eee, por exemplo.
Entrando nos méritos técnicos, o Satux é baseado no Debian Etch, o que tem seus pontos positivos e negativos. O Etch é um sistema bastante estável, porém já está bastante desatualizado em relação a outras distribuições. Ele é mais adequado para os usuários mais conservadores, que querem um PC para trabalho ou para acesso à web do que para quem quer testar as novas versões de todos os aplicativos.
Um bom exemplo é o Firefox 2.0.4 que vem pré-instalado. É até possível rodar o Firefox 3.0 disponível no mozilla.org, mas isso demanda uma atualização do xulrunner, que por sua vez demanda diversas outras atualizações em cascata. Em vez de usarem alguma gambiarra para resolver o problema imediato, os desenvolvedores mantiveram o sangue frio e optaram por simplesmente manter a versão compatível com os pacotes do Etch.
Em vez de utilizarem os repositórios padrão do Debian, optaram por criar um repositório separado, que é periodicamente sincronizado em relação ao Debian. Essa abordagem torna a disponibilização de atualizações e correções de segurança mais lenta, mas por outro lado tem a vantagem de permitir que as atualizações sejam testadas antes de serem disponibilizadas.
O arquivo /etc/apt/sources.list originalmente contém:
deb https://repos.satux.org.br/satux-linux etch main contrib non-free
deb https://repos.satux.org.br/satux-security etch/updates main contrib non-free
Para passar a utilizar os repositórios do Debian, é necessário apenas comentar as duas entradas, substituindo pela lista de repositórios do Debian, como em:
#deb https://repos.satux.org.br/satux-linux etch main contrib non-free
#deb https://repos.satux.org.br/satux-security etch/updates main contrib non-free
deb https://ftp.debian.org/debian etch main contrib non-free
deb https://security.debian.org etch/updates main contrib
# Backports (apt-get install -t etch-backports pacote)
deb https://www.backports.org/debian etch-backports main contrib non-free
# Debian Unofficial (contém o java, acrobat e outros pacotes “não livres”)
deb https://ftp.debian-unofficial.org/debian etch main contrib non-free restricted
# Debian Multimedia (pacotes do mplayer, vários codecs e outros pacotes)
deb https://www.debian-multimedia.org etch main
Depois de rodar o “apt-get update”, você vai precisar também adicionar as chaves PGP dos repositórios. Aqui vai um mini-script para adicionar as três chaves usadas pelos repositórios do exemplo:
for i in 24C52AC3 1F41B907 16BA136C; do
gpg –keyserver pgpkeys.mit.edu –recv-key $i
gpg -a –export $i | sudo apt-key add –
done
A partir daí, você pode rodar o “apt-get upgrade” e seguir utilizando os pacotes do Debian diretamente. É possível também migrar para os repositórios do Lenny, seguindo os mesmos passos que seriam usados em qualquer outra instalação do Debian.
Voltando ao Satux, a configuração do sistema é centrada no uso dos aplicativos do pacote gnome-system-tools, ou seja, o mesmo conjunto básico de utilitários utilizados no Ubuntu e em outras distribuições baseadas no Gnome, porém com menos opções, devido ao uso dos pacotes do Debian Etch, cujas versões já estão bastante defasadas em relação a outras distribuições. O bom gosto do tema padrão também é contestável, mas ele pode ser personalizado a gosto, como qualquer instalação do Gnome.
O iniciar não inclui nenhum atalho para a abertura do terminal, você precisa criá-lo manualmente, ou abrir usando o Alt+F2. A senha de root padrão também não é informada em nenhum lugar, mas você pode se logar como root usando um “sudo su” ou “sudo passwd”.
A idéia do sistema é facilitar o uso para usuários iniciantes, mas isso é demonstrado de uma forma um pouco superficial, com ênfase na personalização visual, com o objetivo de tornar a interface mais similar à do Windows e não com a inclusão de mais aplicativos ou ferramentas de configuração. Isso cria o típico problema de falta de profundidade encontrado em outras distribuições, onde o usuário não tem muitas dificuldades a princípio (já que as funções básicas são fáceis de encontrar nos menus), mas fica travado quando precisa de qualquer recurso adicional que foge das funções básicas disponíveis no menu.
O grande mérito, por outro lado, é oferecer uma instalação utilizável do Debian Etch, já pré-configurada para os equipamentos onde ele vem pré-instalado, que você pode personalizar e alterar a gosto, instalando outros softwares desejados através do apt-get. Isso reduz a necessidade de correr para instalar outra distribuição, como em tantos outros exemplos que temos por aí.
