Os primeiros palmtops e handhelds, assim como alguns dos primeiros smartphones utilizavam memória SRAM como memória de armazenamento, utilizando chips de memória ROM para o armazenamento do sistema. A memória SRAM tem a vantagem de ser muito rápida e poder ser usada tanto como memória de trabalho (ou seja, para armazenar bibliotecas e programas enquanto eles estão sendo executados) quanto como memória de armazenamento (para armazenar arquivos e configurações).
O grande problema é que a memória SRAM é volátil, o que tornava necessário manter a memória energizada através de uma bateria de backup para evitar perda de dados quando as baterias principais eram substituídas. Alguns aparelhos, como o Treo 600, utilizavam uma bateria fixa, não substituível, pelo mesmo motivo. Outro problema é que a memória SRAM é muito cara (ela é o mesmo tipo de memória usado como memória cache nos processadores), o que aumentava o custo e limitava a quantidade de memória usada nos aparelhos.
A partir de 2004, houve uma rápida migração para a memória Flash, que permite armazenar dados por longos períodos, sem precisar de alimentação elétrica. Isso se tornou possível graças a um conjunto de truques feitos via software, onde o sistema utiliza uma pequena quantidade de memória RAM (SDR ou DDR, de acordo com o projeto) como memória de trabalho e usa a memória Flash como memória de armazenamento, salvando os arquivos e programas instalados, sem falar na própria imagem do sistema.
Isso permitiu que fossem desenvolvidos os primeiros smartphones com bateria removível já que, com todos os dados e configurações salvos na memória Flash, você não perde nada ao remover a bateria.
Diferente dos PCs, onde a migração das memórias SDR para as DDR e DDR2 já ocorreu a muito tempo, nos smartphones os dois tipos de memória RAM convivem pacificamente já que, embora mais lentas que as memórias DDR e DDR2, as memórias SDR consomem menos energia, o que faz com que sejam preferidas nos aparelhos mais compactos, ou com baterias de menor capacidade.
As memórias SDRAM destinadas a smartphones são também produzidas utilizando técnicas especiais, de forma a utilizarem tensões mais baixas e precisarem de menos chips de refresh, novamente com o objetivo de reduzir o consumo. Como era de se esperar, estes chips são caros, justamente por isso os smartphones utilizam quase sempre apenas 64, 128 ou 256 MB de memória. Outra diferença é que, diferente de um PC (onde são usados 8 ou mesmo 16 chips de memória por módulo), os smartphones utilizam quase sempre um único chip de memória, de forma a reduzir o consumo.
A quantidade de memória RAM nem sempre é divulgada nas especificações, mas ela é importante, já que determina a quantidade de programas que você pode abrir simultaneamente antes de começar a receber uma mensagem de falta de memória:
No Windows Mobile, você pode acompanhar a memória disponível através do “Configurações > Sistema Memória”. O campo “Programa > Total” mostra o total de memória RAM disponível (subtraindo a quantidade usada pela cópia dos arquivos do sistema), enquanto o “Livre” mostra quanta memória você realmente ainda tem disponível (No exemplo, temos um LG Genius com 128 MB de RAM, dos quais apenas 80 MB continuam livres após o boot). No S60 você pode usar o NSysInfo (https://www.symbian-freeware.com/get-nsysinfo.html), que também revela a memória total e a memória disponível:
Continuando, a memória RAM é então complementada por uma certa quantidade de memória Flash, que armazena a imagem do sistema, configurações, programas instalados e um pequeno volume de arquivos, em um sistema muito similar ao que temos em um PC, onde os arquivos são salvos no HD, mas são processados usando a memória RAM. Este sistema acaba sendo o melhor custo-benefício, já que elimina a necessidade de usar memória SRAM e, ao mesmo tempo, melhora a confiabilidade dos aparelhos, já que os dados não são mais perdidos ao remover a bateria.
Completando o time, temos o cartão de memória, que permite armazenar músicas, vídeos e outros tipos de arquivos maiores, servindo como um drive de armazenamento. O acesso ao cartão de memória é mais lento que à memória Flash interna (veja detalhes a seguir), mas em compensação ele é muito maior, de forma que os dois tipos acabam se complementando.
Esta divisão existe mesmo em aparelhos como o HTC Touch Diamond e o Nokia N95 8GB, que apesar de incluírem um drive de memória Flash de 4G ou 8 GB, continuam utilizando uma quantidade menor de memória Flash para armazenar a instalação do sistema e as configurações. A memória extra nada mais é do que um cartão de memória não-removível.
Nos aparelhos baseados no Symbian, por exemplo, ao usar um gerenciador de arquivos como o Y-Browser, que mostra parte das pastas escondidas pelo sistema, você pode ver que o sistema utiliza na verdade quatro drives (C:, D:, E: e Z:) e não apenas dois:
O drive “C:” diz respeito à memória Flash interna usada para instalação de programas e armazenamento de arquivos, enquanto o “E:” é o cartão de memória. O drive “D:” é um ramdrive, para onde programas instalados na memória flash são copiados antes de serem executados, enquanto o drive “Z:” é a parte da memória interna reservada ao firmware, ou seja, à instalação do sistema. Em aparelhos antigos, o sistema era armazenados em um chip separado de memória Flash, mas nos atuais são geralmente apenas endereços reservados dentro do chip principal.
Esta postagem foi modificada pela última vez em 23/03/2011 14:31