Entendendo os Profiles Bluetooth

O padrão Bluetooth prevê o uso de diversos “profiles”, que são diferentes protocolos de comunicação, desenvolvidos de forma a atender diversos cenários de uso. Cada profile faz com que o transmissor Bluetooth e o dispositivo do outro lado sejam vistos de forma diferente pelo sistema.

Um dos mais usados é o HSP (Headset Profile), que é utilizado por headsets Bluetooth. Nele, o fluxo de áudio é transmitido via streaming, como se o headset fosse uma placa de som remota. Além dos headsets mono, destinados a fazer ligações de voz, existem também headsets estéreo, que podem ser usados para ouvir música, eliminando o uso de cabos e adaptadores:

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Entretanto, usar um fone Bluetooth não é necessariamente uma boa idéia para quem gosta de música, pois eles causam uma degradação significativa na qualidade do som, devido à necessidade de re-encodar o fluxo de áudio antes de transmití-lo ao fone via Bluetooth. Além disso, o uso do Bluetooth também reduz a autonomia das baterias se comparado ao que seria obtido usando fones com fio, sem falar no custo do próprio headset. De qualquer forma, praticamente todos os smartphones atuais suportam os dois tipos de fones, de forma que a escolha é sua. A única exceção notável é o iPhone, que não oferece suporte ao A2DP stereo, limitando-se aos headsets mono.

Em seguida temos o HID (Human Interface Device Profile), que permite usar teclados, mouses, joysticks e outros dispositivos de entrada. No caso dos smartphones, existe normalmente suporte apenas aos teclados, mas esporadicamente aparecem hacks para a conexão de mouses e joysticks, para usos diversos.

Os teclados Bluetooth dobráveis são uma opção relativamente prática para quem precisa digitar grandes volumes de texto usando o smartphone. O grande problema é que eles são caros e você tem o trabalho de desdobrar o teclado e encaixar o smartphone na base cada vez que for usar.

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O HID é usado também por softwares de controle remoto, que permitem que o smartphone seja usado como um mouse e/ou teclado Bluetooth para o PC. Eles são úteis para quem faz apresentações (já que você passa a controlar os slides com o smartphone, ganhando liberdade para de movimentar livremente), para quem usa o PC como home theater e também para executar pequenas tarefas, como trocar a faixa de música ou ajustar o volume do media player, sem precisar ir até a frente do PC.

Continuando, temos o OPP (Object Push Profile) um protocolo de transferência de dados de uso geral, que pode ser usado para transferir contatos, fotos e outras informações. Ele é usado sempre que você usa a função de enviar diretamente arquivos para outros dispositivos. Os arquivos recebidos são então processados pelo sistema, e aparecem como uma notificação de arquivo recebido (no Windows Mobile), ou como uma mensagem na caixa de entrada (no S60).

Ele é complementado pelo FTP (File Transfer Profile), que também permite transferir arquivos, mas trabalha de forma diferente, permitindo que você navegue dentro da pasta e copie os arquivos diretamente, como se estivesse acessando um servidor FTP, ou um compartilhamento de rede.

No Windows, o FTP pode ser usado através do Nokia Phone Browser (que faz parte do PC Suite) ou usando a opção “Ferramentas > Explorar Smartphone” do Active Sync. No Linux, você pode acessar os arquivos através do módulo “obex://” do Konqueror (que pode também ser acessado através do kbluetoothd), ou através da opção “Procurar arquivos no dispositivo” disponível no Gnome Bluetooth:

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A taxa de transferência é baixa, ficando em torno de 100 KB/s (pouco mais de um décimo do que você teria ao usar o cabo USB) mas, apesar disso, a transferência é bastante estável e é perfeitamente utilizável para transferir pequenos arquivos. A grande vantagem é que você pode transferir os arquivos de forma muito prática, já que você não precisa sequer plugar o cabo USB. A autonomia das baterias também não é comprometida, já que o Bluetooth utiliza um volume significativo de energia apenas quanto está realmente transmitindo e recebendo dados. Desde que você não decida transferir um ISO de DVD, o impacto acaba sendo pequeno.

Outro profile muito usado é o DUN (Dial-Up Networking Profile), que permite utilizar o smartphone como um modem 3G para acessar a web. No DUN o smartphone é visto pelo sistema como um modem ligado a uma porta serial, que é usado para “discar” e estabelecer a conexão.

Concluindo, existe ainda o PAN (Personal Area Networking), que usa uma camada de emulação para permitir o tráfego de pacotes Ethernet, de forma que o transmissor Bluetooth seja usado como uma interface de rede. Este profile é usado pelo “Compartilhamento de Internet” do Windows Mobile, que simula uma rede local entre o smartphone e o PC, usada para permitir que o PC acesse a web.

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