Opções de suítes Office móveis

Mesmo com o crescimento do uso dos e-mails e outras formas de comunicação, ainda existe uma cultura muito forte em relação ao uso do MS Office e outras suítes de escritório, mesmo para criar documentos simples. Isso levou ao surgimento de diversas suítes para a visualização e edição dos documentos do Office nos smartphones.

A primeira opção que vem à mente é o Office Mobile, incluído nos smartphones com o Windows Mobile Professional. Ele inclui versões reduzidas do Word, Excel e Power Point que, como era de se esperar, oferecem um bom nível de funções e uma boa compatibilidade com os recursos de formatação usados pelas diferentes versões do Office.

Por ser usado em aparelhos com tela touchscreen, o Mobile Office leva vantagem sobre outras suítes, já que os ícones para as opções básicas de formatação ficam disponíveis logo na janela de edição e as demais podem ser acessadas através do menu:

O Mobile Office trabalha com um modo simplificado de edição, onde fontes incomuns são substituídas, alguns campos (tais como notas de rodapé e quebras de página) não são exibidos, e assim por diante. Em teoria, todos os recursos de formatação dos documentos deveriam ser mantidos ao editar o documento no smartphone e transferí-lo de volta para o PC (incluindo os recursos de formatação que não são exibidos) mas, como de praxe, o processo é propenso a falhas, principalmente ao editar documentos complexos.

Em aparelhos com teclado, como o HTC TyTN II ou no Touch Pro, o Mobile Office chega a ser relativamente prático de usar, já que você pode digitar usando os polegares e as setas direcionais, deixando para clicar nos ícones usando o indicador. Isso permite que você deixe para usar a stylus apenas quando precisar executar várias tarefas de edição em seqüência.

Nos aparelhos sem teclado, as funções de edição continuam práticas de usar, mas a entrada de texto fica comprometida, já que você fica limitado ao teclado onscreen:

Outro problema, este independente do modelo, é que o Mobile Office é bastante pesado. Mesmo documentos simples demoram 15, 30 ou até mesmo 60 segundos para abrir, o que faz com que o uso se torne bem menos conveniente. Imagine uma situação onde você está trocando mensagens com alguém e precisa colar um trecho de um documento na conversa. Chavear para o Word Mobile, copiar o texto, voltar para o IM e colá-lo não é problema, mas o tempo de abertura vai fazer com que a operação demore quase dois minutos.

Tradicionalmente, o Mobile Office está disponível apenas nos aparelhos com a versão Pocket PC do Windows Mobile, e não nos smartphones com a versão smartphone. Isso fez com que alguns modelos fossem lançados com suítes alternativas, como no caso do Motorola Q, que inclui o Documents to Gohttps://www.dataviz.com/products/documentstogo/), que possui também versões para o PalmOS, BlackBerry e UIQ:

Isso mudou a partir do Windows Mobile 6, onde o Mobile Office passou a ser incluído em ambas as versões. Uma única limitação que continuou presente na versão para smartphones é que você pode apenas abrir e editar documentos já existentes (sem criar novos), mas isso pode ser burlado facilmente usando templates. Naturalmente, usar o Mobile Office em um smartphone sem touchscreen é bem mais inconveniente (principalmente no caso dos modelos com teclado numérico e telas pequenas…) do que usar em um aparelho com touchscreen, mas você pode pelo menos tentar.

Para a plataforma Symbian, a opção mais popular é o Quickoffice (https://quickoffice.com/), uma suíte compatível com os arquivos do MS Office, que faz um bom trabalho em reformatar os documentos para exibição na tela e salvá-los novamente após a edição, sem quebrar a formatação original. Ele oferece um desempenho muito bom, carregando os documentos quase que instantaneamente mesmo em aparelhos com processadores modestos.

Embora não pareça à primeira vista, ele oferece todos os recursos básicos de edição (seleção de fonte e tamanho, negrito e itálico, nível de zoom de exibição, inserção de imagens e tabelas e assim por diante), porém as funções são todas acessadas através do menu. Para formatar um trecho do texto em negrito, por exemplo, você seleciona o texto (mantendo a tecla shift pressionada e usando o direcional) e, em seguida, usa o “Opções > Formatar > Negrito”.

No início, este sistema é bastante inconveniente, mas, depois que você se acostuma, ele se torna mais ou menos suportável. Usando um E71 ou outro aparelho com teclado QWERTY, você pode realmente editar documentos de forma efetiva, enquanto os aparelhos com teclado numérico, como o E66, são mais adequados para visualização e retoques rápidos.

O grande problema é que apenas os aparelhos da série E, como o E61i, E51, E66, E90 e o E71 incluem a versão completa do Quickoffice, que permite editar documentos (no E71 e no E66 já é utilizado o Quickoffice 4.1, que é bastante capaz). No caso do E61i e do E51, é usado o Quickoffice 3.85, que tem uma compatibilidade mais limitada, mas conserva os recursos básicos.

Os aparelhos das séries N, Classic, XpressMusic, Navigator e também os modelos da Samsung baseados no S60, incluem o Quickoffice 3.85 viewer, uma versão muito mais limitada, que permite apenas visualizar os documentos, sem opções de edição. Ela é integrada ao gerenciador de arquivos, de forma que ao selecionar um arquivo .doc, .xls, .ppt ou .rtf ele é aberto usando o visualizador apropriado:

No caso deles, o menu oferece apenas as opões de pesquisar dentro do documento e ajustar o zoom, junto com uma conveniente opção “Atualizar para edição”, que permite atualizar para a versão completa, que oferece as funções de edição. O upgrade não é exatamente barato, custando US$ 50 para a versão 4.5 ou US$ 70 para a versão 5.0 (pagos via cartão). Mesmo no caso do E71, que já inclui a versão completa, existe a opção de atualizar para a versão 5.0 (que inclui suporte a arquivos do Office 2007, corretor ortográfico e outros recursos), através do “Atualizações e Upgrades”.

Como pode ver, existe uma certa simbiose entre a Nokia e a Quickoffice, onde a Nokia licencia o software para inclusão nos aparelhos a um custo muito baixo e, em troca, a Quickoffice ganha com a venda dos upgrades, tirando proveito da grande base de usuários.

Sob um certo ponto de vista, o negócio não é tão ruim assim, já que quem precisa visualizar documentos casualmente pode usar a versão que vem pré-instalada e os poucos que realmente o usam de forma intensiva têm a opção de pagar pelos upgrades. De qualquer forma, seria mais conveniente se todos os aparelhos simplesmente viessem com a versão completa, como no caso dos aparelhos com o Windows Mobile Professional.

Curiosamente, o Quickoffice começou sua carreira como um aplicativo para o PalmOS. Entretanto, ele acabou caindo muito em popularidade depois que a Palm passou a incluir o Documents to Go em diversos modelos. Isso fez com que os desenvolvedores lançassem a versão para o S60, que acabou se tornando a suíte mais usada dentro da plataforma.

Outra observação é que aparelhos mais antigos, como o E61 e o E62 não incluem o Quickoffice, mas sim a trinca “Docum.”, “Planilha” e “Apresent.”, que são descendentes da suíte de escritório usada no Psion. Eles também oferecem um bom conjunto de opções, mas são mais pesados e a compatibilidade com as versões recentes do Office é bastante limitada.

Para quem vive do outro lado do muro, temos a questão da compatibilidade com os arquivos do OpenOffice, que não são suportados pelo Quickoffice, nem pelo Office Mobile da Microsoft. Naturalmente, você pode simplesmente converter os documentos no desktop, salvando-os no formato .doc ou .xls, mas isso acaba sendo imprático.

Uma opção para visualizar os arquivos diretamente, sem conversão, é o Mobile Office, que suporta a visualização de documentos do Writer (.odt), Calc (.ods) e do Impress (.odp), com o suporte a edição e criação de documentos prometido para as próximas versões.

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 23/03/2011 14:23

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