Segundo a designação da ONU, uma pessoa abaixo da linha da miséria é alguém que sobrevive com menos de 2 dólares por dia. Fazendo uma analogia com relação ao acesso à web, poderíamos dizer que uma pessoa que navega abaixo do nível da miséria seria alguém que navega a menos de 2 KB/s, o que corresponde à velocidade de um modem de 14.4k, ou menos.
Existem muitas situações em que você pode ser obrigado a navegar com uma velocidade tão baixa, incluindo locais afastados, onde sua conexão 3G chaveie para o GPRS/EDGE com a taxa de transferência já próximo do mínimo, ou locais com linhas de telefone ruidosas, onde você não consiga mais do que 9.6 ou 14.4k em uma conexão discada.
Este artigo é uma pequena lista de dicas que você pode usar para navegar nas conexões mais precárias, aproveitando ao máximo a pouca banda disponível.
A dica mais óbvia para navegar seria desativar a exibição das imagens (“editar > preferências > conteúdo > carregar imagens automaticamente” no Firefox) o que vai reduzir significativamente o volume de dados a carregar. Entretanto, navegar com as imagens desativadas não é exatamente uma experiência agradável e você vai perceber que muitas páginas demoram muito a carregar, mesmo sem as imagens.
Você vai perceber que mesmo navegadores em modo texto, como o Links, não apresentam uma grande diferença na velocidade de navegação, já que embora não exibam imagens, eles precisam baixar o html e processar os demais elementos da página da mesma forma, o que nos leva ao Opera.
A partir da versão 10, a Opera incluiu o “Turbo”, que permite navegar utilizando o proxy da Opera, o mesmo recurso que já era utilizado pelo Opera Mini, para celulares. O proxy se encarrega de limpar e comprimir o html das páginas, além de degradar a qualidade das imagens, o que reduz o volume de dados transferidos em de 4 a 8 vezes, resolvendo o problema da banda estreita.
Ele resolve também outro problema que é o fato de muitas páginas carregarem elementos de diversos servidores diferentes (scripts, anúncios, widgets, etc.), que obrigam o navegador a abrir diversas conexões diferentes, o que em uma conexão lenta pesa bastante. Com o Opera, o proxy é que se vira para fazer todas as requisições, entregando o html já mastigado para o navegador.
Enquanto escrevo, ele ainda está disponível através do Opera Labs, no: https://labs.opera.com/downloads/
… mas em breve ele deve estar disponível através da página principal de downloads:
https://www.opera.com/browser/
No caso da versão Linux, basta descompactar o arquivo e executar o instalador como root (depois de instalado, chame-o usando comando “opera”). O mais compatível é o arquivo “gcc4-bundled-qt4”, que inclui todas as bibliotecas necessárias dentro do pacote, o que permite que ele funcione sem problemas em qualquer distribuição. É aconselhável levar os pacotes de instalação com você, em um pendrive ou CD, já que é difícil baixar 12 MB usando uma conexão de 2 KB/s.
Dentro do navegador, você pode ativar e desativar o uso do proxy clicando no ícone no canto inferior esquerdo. Ele também permite desativar o carregamento das imagens, o que pode ser feito se a coisa estiver mesmo feia:
Graças ao uso do proxy, o Opera Turbo é atualmente o melhor navegador para conexões lentas. Vale lembrar que essa solução foi desenvolvida justamente para uso em celulares, que antes do aparecimento do EDGE e do 3G navegavam usando conexões GPRS, que são incrivelmente lentas.
Outro fator que pode atrasar bastante a conexão são as resoluções de nomes. Em conexões via GPRS não é incomum que a latência da conexão chegue a 2 ou 3 segundos, já que em áreas afastadas o sinal precisa passar por várias torres de retransmissão até finalmente chegar aos roteadores. Isso significa que cada resolução de DNS demoraria no mínimo de 4 a 6 segundos!
A melhor saída para amenizar o problema é usar um cache de DNS local, reduzindo assim o número de requisições. No Linux você pode usar o dnsmasq.
Ele está disponível em quase todas as distribuições e pode ser instalado usando o gerenciador de pacotes, como em:
# apt-get install dnsmasq
Como ele é bem pequeno (menos de 300k) você pode instalá-lo sem dificuldades mesmo no próprio local com a conexão lenta.
Com o pacote instalado, abra o arquivo “/etc/dnsmasq.conf” e adicione as seguintes linhas logo no início da configuração:
listen-address=127.0.0.1
no-resolv
server=208.67.220.220
server=208.67.222.222
Elas fazem com que ele escute apenas conexões locais (precaução de segurança) e use os servidores DNS especificados nas duas últimas linhas. Os dois endereços do exemplo são os endereços do OpenDNS, mas você pode substituí-los pelos endereços do provedor caso note que eles estão mais rápidos.
Depois de salvar o arquivo, reinicie o serviço para que a configuração entre em vigor:
# /etc/init.d/dnsmasq restart
A partir daí, você pode configurar o sistema para usar o “127.0.0.1” como DNS primário, deixando que o dnsmasq cacheie as requisições. No Linux, você pode simplesmente editar o arquivo “/etc/resolv.conf“, adicionando a linha “nameserver 127.0.0.1” antes das demais, como em:
nameserver 127.0.0.1
nameserver 208.67.220.220
nameserver 208.67.222.222
Se o seu micro usa DHCP para obter a configuração da rede, o arquivo “/etc/resolv.conf” será modificado a cada acesso, voltando à configuração original, fornecida pelo servidor. Ao invés de ter que modificar o arquivo novamente, a cada acesso, adicione a linha abaixo no começo (começo, não final) do arquivo “/etc/dhcp3/dhclient.conf“, onde vai a configuração do cliente DHCP:
prepend domain-name-servers 127.0.0.1;
Esta linha faz com que ele sempre adicione a linha “nameserver 127.0.0.1” no início do arquivo “/etc/resolv.conf”, substituindo a edição manual.
Outra opção para acelerar a resolução de nomes é adicionar entradas para os sites que você acessa com frequência diretamente no arquivo “/etc/hosts”. Fazendo isso, o sistema deixará de perder tempo resolvendo os endereços e acessará diretamente os endereços especificados.
Para descobrir os endereços IP, use o comando “dig” (que faz parte do pacote “dnsutils”), como em:
$ dig gdhpress.com.br
O endereço aparece na seção “ANSWER SECTION”, como em:
;; ANSWER SECTION:
gdhpress.com.br. 81373 IN A 72.36.173.154
Ao adicionar as entradas no “/etc/hosts”, basta adicionar o endereço seguido pelo domínio (uma linha para cada site), como em:
127.0.0.1 gdh localhost
72.36.173.154 gdhpress.com.br
74.125.67.100 google.com
Esta postagem foi modificada pela última vez em 23/03/2011 14:12