Usando um Motorola Q8

O Motorola Q8 é um aparelho já bastante antigo e desatualizado. Ele foi lançado em 2005 e concorria originalmente com o Treo 650 e outros modelos que não estão mais entre nós.

Apesar disso, o fato de ser fino e relativamente leve, fez com que ele continuasse sendo produzido em pequenas quantidades até o final de 2008. Pode-se argumentar que o motivo dele ter sobrevivido durante tanto tempo se deve mais à lentidão da Motorola em desenvolver versões atualizadas, mas isso não anula o fato de que ele foi, e continuará sendo por algum tempo, um dos smartphones mais usados.

Com relação aos recursos, ele não é exatamente um modelo recomendável, pois combina as limitações do Windows Mobile Standard com um conjunto de problemas introduzidos pela Motorola. Ele também não possui nenhum grande diferencial que faça com que ele seja indicado para algum nicho específico. Contudo, se você já tiver um em mãos, aqui vão algumas dicas de como minimizar os problemas e aproveitar melhor os recursos que ele tem a oferecer.

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A primeira regra para uma convivência pacífica é ter em mente que o Windows Mobile Standard não é um sistema muito flexível, de forma que você é que tem que se adequar a ele, e não o contrário. Você não tem como reduzir o tamanho das fontes (que acabam desperdiçando muito espaço da tela) ou fazer mudanças mais radicais nos menus, por exemplo. O segredo é tentar entender as metáforas usadas e se habituar à forma como o sistema é organizado, sem perder a calma.

Como sempre, a primeira questão é decidir qual navegador utilizar, já que navegar usando o IE Mobile não é uma experiência muito prazerosa. Infelizmente, o Q8 não vem com uma JVM pré-instalada, de forma que você não tem como rodar o OperaMini e outros aplicativos em Java.

A JVM mais popular atualmente é o Esmertec Jbed, que é usado por diversos fabricantes, entre eles a HTC. O Jbed é distribuído apenas através de contratos OEM (onde o fabricante interessado em integrar o software a seus aparelhos paga um valor definido por um certo número de licenças) e não está disponível para download ou compra. Entretanto, como de praxe, é possível encontrar versões alternativas para download (experimente pesquisar por “jbed.rar”), geralmente extraídas de aparelhos onde ele vem pré-instalado.

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Para quem procura uma solução legal, uma opção é o IBM WebSphere Everyplace Micro Environment (sucessor do antigo IBM J9 JVM), que pode ser comprado por US$ 25 no www.handango.com. Existem também algumas alternativas livres, como o Mysaifu, disponível no https://sourceforge.jp/projects/mysaifujvm/.

Dentro das soluções oficiais, sua melhor opção é usar o Skyfire, que possui uma versão nativa para o Windows Mobile Standard. Basta acessar o https://get.skyfire.com através do dispositivo.

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O tráfego de dados não é tão baixo quanto o do OperaMini, mas ele acaba sendo bem utilizável em uma conexão via EDGE, já que também trabalha em conjunto com um proxy que otimiza as páginas. O Skyfire permite também adicionar um campo de pesquisa na tela inicial, substituindo o Live Search.

O Q8 pode ser também utilizado como modem usando o “Compart. de Internet”, disponível no menu. O grande problema é que, por não oferecer suporte a 3G, a velocidade ficará limitada aos 236.8 kbits (teóricos) do EDGE. Usá-lo em conjunto com um plano de dados ilimitado seria desperdício, já que você não poderia utilizar a velocidade real do serviço, mas ele pode ser usado com algum plano mais barato ou com quota de tráfego.

Devido à falta da JVM, ele também não é capaz de rodar o cliente móvel do Gmail, mas você pode acessar o serviço através da versão web, usando o SkyFire. Você pode configurar contas POP ou IMAP (incluindo o próprio Gmail), ou mesmo acessar um servidor Exchange usando o “Mensagens”, que vem pré-instalando. Entretanto, usá-lo é recomendável apenas ao usar um plano de dados ilimitado, já que o tráfego de dados será alto.

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Além das opções de e-mail online, é possível também usar o Active-Sync ou o Device Center para sincronizar as mensagens e os compromissos em relação ao PC, como faziam os pioneiros. Particularmente, não recomendo este método, pois é bastante imprático, mas ele não deixa de ser uma opção para quem não tem um plano de dados.

Apesar de ser um aparelho antigo, o Q8 é baseado em um processador Xscale de 312 MHz, o que garante um poder de processamento muito próximo ao de aparelhos mais atuais. Ele parece lento ao usar as funções do sistema e ao navegar entre os menus devido à lerdeza do Windows Mobile, mas ao executar tarefas específicas, como assistir vídeos, o processador se sobressai.

De acordo com suas preferências, você pode utilizar o Windows Media, o TCPMP, o CorePlayer ou mesmo o Kinoma; os quatro permitem assistir vídeos QVGA com desenvoltura. Entre eles, o TCPMP é o mais equilibrado, já que roda com um bom desempenho, oferece suporte a diversos formatos e é gratuito.

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Você pode até mesmo arriscar assistir vídeos não convertidos usando o TCPMP, mas, nesse caso, com perda de frames. A tela tem um tamanho adequado, com suas 2.4″ (sutilmente maior que a do E71) e a reprodução de cores é bastante satisfatória.

Os speakers são também bastante potentes e, como em poucos outros aparelhos, o Q8 utiliza speakers estéreo. A principal restrição é a pinagem do fone de 2.5 mm, que (como vimos no capítulo 2), é diferente da usada por outros fabricantes. Isso faz com que você consiga usar apenas o fone que acompanha o aparelho (cuide bem dele) ou alguns adaptadores feitos especificamente para aparelhos da Motorola.

O Motorola Q8 também funciona bem como player de música, já que é fino e fácil de carregar. O grande problema é que ele não suporta o padrão SDHC, o que o coloca na lista dos modelos que suportam cartões de até 2 GB. Ele ainda utiliza cartões miniSD e a falta do suporte a mass-storage representa um incômodo adicional, fazendo com que você tenha que usar o Active-Sync, ou plugar o cartão em um adaptador USB quando quiser transferir arquivos.

Para envio de mensagens, você pode escolher entre usar o próprio Live Messenger, que vem pré-instalado, ou usar o Palringo, que também possui uma versão para o Windows Mobile Standard. O Palringo consome menos banda que o Messenger e tem a vantagem de poder se conectar a diversas redes simultaneamente. Um problema que você notará é que a exibição das barras superiores e inferiores do Windows Mobile faz com que ele fique com menos espaço útil do que no S60. Como resultado, a janela fica espremida e as fontes ficam pequenas e serrilhadas.

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Existe também uma versão do Skype para o Windows Mobile Standard (https://www.skype.com/intl/pt/download/skype/windowsmobile/), que pode ser instalada no Q8, mas a falta do 3G faz com que ela não seja muito útil para qualquer coisa além das mensagens de texto. As únicas opções realmente utilizáveis no caso do Q8 seriam os serviços que se baseiam no uso da rede celular, como no caso do Gizmo5 (https://gizmo5.com). As chamadas acabam saindo caras, já que você paga as tarifas em dobro, mas pelo menos você consegue entender o que a pessoa do outro lado está dizendo.

Não existem muitas coisas boas a falar sobre a câmera. Os 1.3 MP podem parecer satisfatórios na teoria, mas na prática a qualidade fica longe do ideal, com fotos embaçadas e lavadas, como é comum em outros aparelhos antigos. Apesar disso, ela é melhor do que não ter câmera alguma.

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