Instalação mínima do Xubuntu 9.04

Minimal Xubuntu 9.04
Autor original: Chris Smart
Publicado originalmente no:
distrowatch.com
Tradução: Roberto Bechtlufft

Na semana passada nós vimos como duas distribuições podem ser bem diferentes mesmo que sejam baseadas em uma mesma tecnologia (ou até em uma mesma distribuição). Nós descobrimos que o Xubuntu, uma variação do Ubuntu que vem com o desktop Xfce, usava mais que o dobro da quantidade de memória usada pela implementação do mesmo desktop pelo Debian. A maior diferença surgiu na hora de carregar o desktop, quando o Xubuntu usou quase dez vezes mais memória. Sim, quase dez vezes (para ser mais exato, por volta de 9,314705882 vezes mais). E por quê? De onde vem todo esse uso extra de recursos? Em essência, isso acontece porque o Xubuntu usa vários serviços do ambiente de desktop do Ubuntu, como o gerenciador e o atualizador gráfico de pacotes, os gerenciadores de rede, energia e drivers proprietários e outros que usam muita memória. Já o Debian prefere usar o software que vem com o Xfce por padrão.

E isso quer dizer que tudo está perdido? De jeito nenhum! Aquela foi uma comparação entre dois produtos prontos: o Xubuntu 9.04 e o Debian 5.0.1 com o Xfce. Os dois produtos foram criados de maneiras diferentes, mas não há nada que nos impeça de personalizar uma instalação do Xubuntu. Assim nós poderíamos escolher os pacotes que quiséssemos, deixando-o mais leve. O DistroWatch já publicou alguns outros tutoriais parecidos, um para criar um Ubuntu 8.10 minimalista e outro para criar um openSUSE 11.1 minimalista. Se o seu computador for um desktop em uma rede local, para que consumir um monte de recursos com o NetworkManager? Se seu hardware não precisar de drivers proprietários, para que instalar o Jockey? Vamos ver como o Xubuntu pode ser tão leve quanto o Debian!

Para isso, é melhor começar por uma base pequena e ir aumentando aos poucos. Se preferir começar instalando o Xubuntu inteiro e ir retirando coisas, vá em frente! O maior problema dessa abordagem é que você tem que saber a função dos pacotes principais para poder removê-los, bem como suas dependências. Alguns pacotes compartilham das mesmas dependências, então remover um pacote não vai remover as dependências do outro, o que não ajuda muito. O sistema não vai ficar tão elegante quanto se você começar de uma base pequena, mas tem a vantagem de dispensar a instalação mais complicada baseada em ncurses. Lembre-se de que se começar com um sistema básico, você pode instalar o desktop completo instalando o metapacote xubuntu-desktop. Na verdade, essa é uma ótima maneira de descobrir quais pacotes do desktop Xubuntu completo estão faltando em sua instalação mínima. Tente instalar (mas não instale) esse pacote para ver quais pacotes o Xubuntu vai querer baixar, e anote os que você vai querer instalar manualmente.

Instalação via linha de comando do Xubuntu 9.04

Baixe um CD de instalação alternativa de qualquer versão do Ubuntu 9.04 e inicie-o. No prompt de inicialização, pressione F4 para abrir o submenu de instalação. Com o teclado, escolha instalar um sistema de linha de comando. O sistema vai carregar o instalador em modo texto, e aí podemos começar. Escolha seu idioma, localização e configure o teclado. Se estiver usando DHCP para atribuir endereços de rede automaticamente você deve receber um endereço, do contrário vai ter que configurar a rede manualmente. Digite o nome do host e configure o relógio. O particionamento do disco rígido deve ser igual ao das outras instalações, só tome cuidado se o disco rígido não estiver vazio. Crie um novo usuário, configurando um diretório particular criptografado, se quiser. Acerte a hora e reinicie o computador. O resultado será uma instalação mínima do Xubuntu, na qual vamos fazer alguns ajustes.

Esse sistema básico leva direto a um login pelo terminal, e ainda precisa de um ambiente Xfce para ser comparado aos outros. Para cuidar disso eu precisei do X.Org, do GDM e do Xfce em si. Instalei tudo isso facilmente com este comando:

$ sudo apt-get install xorg gdm xfce4 xfce4-goodies

Uma vez concluída a instalação, reiniciar o sistema leva ao Gerenciador de desktop do GNOME (GDM), e por ele é possível fazer login no Xfce. Naturalmente, o sistema ainda está muito “pelado”, mas é o sistema Xfce mais básico disponível. É esse sistema que uso como comparação na tabela abaixo como Xubuntu 9.04 (mínimo). O outro teste que fiz foi instalar a mesma lista de pacotes que o Debian instala para incluir o Xfce, só que no Xubuntu. Os resultados são listados na tabela como Xubuntu 9.04 (com a lista de pacotes do Debian).

Desktop Xfce mínimo no Xubuntu 9.04

E como essa instalação básica se sai na comparação? Na semana passada, vimos que a maior diferença surge quando o Xubuntu carrega o desktop Xfce. Como vocês podem ver, o tempo de carregamento foi diminuído substancialmente, e agora está bem mais próximo do tempo do Debian.

#advanceampadstable0# #advanceampadstable1#

Ou seja, uma instalação básica do Xubuntu com o X.Org, o GDM e o Xfce é bem parecida com o sistema padrão do Debian com o Xfce. A partir daí, dá para expandir o ambiente para torná-lo mais bonito e incluir funcionalidades conforme for precisando delas. Como eu disse, também testei o Xubuntu com a mesma lista de pacotes do Debian. Nesse caso, o Xubuntu mais uma vez teve um aumento no uso de memória. O sistema Xfce padrão do Debian instala 627 pacotes, e o sistema de linha de comando do Xubuntu com a mesma lista de pacotes instala 807 pacotes. Isso parece indicar que os binários do Xubuntu são compilados com mais bibliotecas, o que puxa mais dependências. A vantagem disso é oferecer mais compatibilidade e funcionalidade, custando um pouco da eficiência do sistema.

O desktop Xubuntu completo tem um visual fantástico. Para conseguir esse visual a partir de uma instalação mínima, basta instalar o metapacote xubuntu-default-settings. Isso vai baixar a arte e os pacotes necessários e configurar o sistema, proporcionando aquele visual adorável para o seu desktop. Tenha em mente que instalar todos esses extras no Xubuntu vai aumentar o uso de memória. A instalação básica é boa e leve, mas o que acontece quando começamos a acrescentar os pacotes incluídos na instalação padrão do Xubuntu? Alguns dos serviços incluídos no Xubuntu por padrão que contribuem para o uso extra de memória são: a arte (incluindo o Usplash), o NetworkManager, o instalador de aplicativos do GNOME, o gerenciador de atualizações, o gerenciador de drivers proprietários Jockey e o gerenciador de energia do GNOME. Eu instalei todos eles em ordem, para ver quanta memória extra era consumida a cada etapa:

  • O pacote xubuntu-default-settings, que instala o usplash, a arte e afins, aumentou o uso de memória em mais ou menos 15 MB.

  • O pacote network-manager, que instala avahi, bluetooth, cups, samba-common, wpa_supplicant e outros, aumentou o uso de memória por volta de 10 MB.

  • O pacote gnome-power-manager, que instala gvfs, gnome-mount e outros, aumentou o uso de memória em 3 MB.

  • O pacote update-notifier, que instala launchpad-integration, synaptic, update-manager e outros, aumentou o uso de memória por volta de 8 MB.

  • O pacote gnome-app-install, que instala os ícones do GNOME, python-launchpad-integration e outros, aumentou o uso de memória por volta de 9 MB

  • O pacote jockey-gtk, que instala nvidia-common, scripts, python-inotify e outros, aumentou o uso de memória em mais ou menos 11 MB.

Os números não são exatos, mas dão uma ideia do uso extra de recursos que a instalação de serviços acarreta. Seja econômico: instale o que precisa e remova o que não precisa.

Conclusão

O Xubuntu é uma ótima distribuição, mas a seleção padrão de pacotes não é necessariamente adequada a sistemas com pouca memória. Com a instalação pela linha de comando e posterior adição de pacotes, o usuário pode conseguir um sistema bem mais leve e ainda tirar proveiro de tudo o que o Xubuntu tem a oferecer. Esse método proporciona uma instalação bem mais próxima do sistema Debian que comparamos ao Xubuntu na semana passada. Com a configuração padrão, os dois sistemas são muito diferentes, mas reduzidos a um mínimo eles são bem mais parecidos. Uma coisa legal em usar o Linux é que você não fica preso ao que alguém lhe diz para usar. Você tem a liberdade de escolher e fazer com o sistema o que bem entender!

Créditos a Chris Smarthttps://distrowatch.com
Tradução por Roberto Bechtlufft <robertobech at gmail.com>


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