Primeiras impressões do FreeBSD 7.0

First look at FreeBSD 7.0
Autor original: Ladislav Bodnar
Fonte:
https://distrowatch.com
Tradução: Lucas Rodrigues da Palma

Eu me lembro bem da primeira vez que eu tentei instalar o FreeBSD 4.x como um sistema desktop. Depois de configurar o X e rodar o KDE, eu fui recebido por algo que somente um masoquista computacional pode achar divertido – sem mouse ou som, fontes tortas, falta de um gerenciador de pacote gráfico e outras ferramentes de configuração… Levou horas de pesquisa e seguindo documentações “nerds” até que eu pude carregar os módulos corretos do kernel para o mouse USB, instalar fontes mais bonitas e ativer o anti-aliasing – tudo isso editando arquivos obscuros de configuração com o Vim. Não é necessário dizer que as primeiras impressões não foram boas. Ao invés de um sistema elegante com um grande número de pacotes disponíveis para instalação, o tédio de usá-lo como um sistema desktop foi, no mínimo, desencorajador.

Então quando o FreeBSD 7.0 finalmente foi lançado na semana passada, eu decidi fazer uma nova tentativa em instalá-lo e configurar o FreeBSD para o desktop. Será que ele melhorou? Será que eu conseguiria configurar o FreeBSD de hoje em um sistema desktop sem gastar horas e horas de pesquisa e configurações em linha de comando? Isso era o que eu me perguntava enquanto inicializava o CD de instalação em minha máquina de testes – um antigo Pentium 4 de 1.4 GHZ com 384 MB de RAM, dois discos rígidos de 120 GB, uma placa de vídeo NVIDIA GeForce4, um monitor LCD genérico com uma resolução máxima de 1280×1024 pixels, som e rede integrados que são reconhecidos pela maioria das distribuições Linux, um mouse USB, um gravador de DVD… um hardware bem padrão e talvez desatualizado.

Eu não esperava muito. Afinal, eu li que o anúncio de lançamento, então eu soube que a equipe de desenvolvimento do FreeBSD gastou a maioria do tempo dela em tarefas como acelerar a performance de bancos de dados SQL e criando uma portabilidade do sistema de arquivos ZFS do Solaris – características que são de pouco interesse para a maioria dos usuários de desktops. Em outras palavras, o FreeBSD ainda é predominantemente um sistema operacional para servidores e apesar de não ter nada que pare um usuário experiente ou determinado em colocá-lo como uma estação completa e funcional, dificilmente um usuário de computador mediano vai considerá-lo atraente.

Dito isso, as coisas realmente melhoraram desde o FreeBSD 4. O driver USB agora é parte do kernel, então não é necessário carregá-lo manualmente como antigamente. Da mesma maneira, a placa de som e a placa de rede funcionaram normalmente. Para as fontes, elas ficaram infinitamente melhor nas já instaladas pelo KDE do que eram há alguns anos atrás. Algumas dessas melhorias são resultado de componentes de software incluídos (ex: o X.Org 7.3 mais novo e seus utilitários de configuração), e não do trabalho da equipe de desenvolvimento do FreeBSD, mas isso não importa para um usuário mediano final.

O FreeBSD 7.0 não inclui marcas, mas alguns papéis de parede estão disponíveis na página do logo do projeto.

O gerenciamento de pacotes é outra área que passou por mudanças maiores. Os antigos favoritos, como o pkg_add, cvsup ou o portupgrade ainda estão presentes, mas o último FreeBSD agora também inclui o freebsd_update, uma ferramenta para manter uma instalação FreeBSD atualizada com atualizações de segurança (em formato binário) sem muita bagunça. Para as ports (pacotes usados pelo FreeBSD), uma nova ferramenta chamada csup, agora parte do sistema base FreeBSD e pretende ser uma alternativa melhor e mais rápida ao cvsup, também está disponível. Com quase 16.000 ports de FreeBSD prontos para instalação, estas ferramentas vão com certeza ajudar durante a instalação inicial da estação perfeita.

Enquanto os utilitários de gerenciamento de pacotes por linhas de comando são normalmente disponíveis no FreeBSD, muitos usuários de desktop vão provavelmente preferir uma ferramente gráfica junto com as linhas do Synaptic ou do Yumex. Existem algumas boa notícias aqui também. Graças aos esforços do projeto DesktopBSD, o seu utilitário de gerenciamento de pacote gráfico chamado dbsd-pkgmgr (parte de sysutils/desktopbsd-tools) agora está disponível nos ports do FreeBSD. Eu usava esta ferramenta em minhas primeiras explorações do DesktopBSD, então eu decidi instalá-la no meu novo FreeBSD 7.0. Apesar de alguns problemas (ele procurava por /usr/ports/INDEX-6 na inicialização, mas como era o FreeBSD 7, eu criei um link simbólico chamado INDEX-6 que apontava para INDEX-7 para fazê-lo funcionar), eu pude instalar vários pacotes, incluindo o GnuCash, Opera, Ktorrent e outros. A melhor parte desta ferramenta é que ela suporta tanto instalação a partir de código fonte quanto de binários – tudo com o conforto de uma boa interface gráfica.

O gerenciador de pacotes desenvolve-se por DesktopBSD agora está disponível em ports de FreeBSD

Eu gastei muito deste fim de semana instalando aplicativos binários que eu normalmente usaria em minha workstation (estação de trabalho) – o que inclui Apache com suporte à PHP e SQLite, OpenOffice.org, Firefox, GIMP, Liferea, gFTP, KTorrent, Kaffeine e outros. Tudo parecia funcionar bem e até agora nenhum deles tinha dado nenhum problema. Eu não tive uma oportunidade de instalar qualquer driver proprietário de placa de vídeo ou plugin para navegadores e eu não tinha testado o suporte para formatos multimídia populares – esta é uma área que vai ser de interesse para usuários de desktop.

Segurança no FreeBSD é feita de acordo com os princípios do UNIX. A equipe de segurança tem um projeto o qual faz consultas de problemas de segurança assinadas com GPG e as distribui por uma lista de emails de segurança dedicada. Isso, entretanto, é limitado para problemas de segurança encontrados no userland e no kernel do FreeBSD, não nos ports – talvez seja essa a razão pela qual o projeto raramente reporta mais do que uma dúzia de consultas por ano. Com os ports a situação é diferente – como uma regra geral, os usuários de FreeBSD devem atualizar os ports instalados para a versão mais nova em intervalos curtos e tem até uma ferramente que avisa o usuário sobre problemas de segurança nos ports instalados.

Então o FreeBSD 7.0 faria um sistema desktop decente? Eu não usei-o por tempo o suficiente para responder a pergunta, mas de meus testes iniciais eu seria muito feliz em fazer algumas tentativas mais intensivas. Certamente parece um sistema bem feito, com atenção extrema aos detalhes – pelo menos em relação ao kernel e ao userland. O novo utilitário de gerenciamento de pacotes e melhorias na segurança também são notáveis. Mas não espere inserir um CD e inicializar em um ambiente gráfico maravilhoso – não é essa a meta que a equipe de desenvolvimento do FreeBSD está tentando alcançar. Por sorte, com projetos como o PC-BSD ou o DesktopBSD, pode-se obter o melhor de cada parte – a velocidade, estabilidade e confiança do BSD, combinado com um instalador intuitivo, gerenciamento de pacotes e utilitários de configuração de sistema do mundo do Linux. Se você não cair na categoria “nerd” de usuários de computador, você sempre pode confiar nos dois projetos citados acima para obter benefícios.

Créditos a Ladislav Bodnar – https://distrowatch.com
Tradução por Lucas Rodrigues da Palma


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