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O excesso de informação está nos tornando mais burros?

Uma questão recorrente atualmente é se o excesso de informação e o hábito de fazer muitas coisas ao mesmo tempo nos torna mais ou menos produtivos. Uma das mudanças fundamentais com relação ao estudo e à obtenção de conhecimento trazida pela web e pela informatização em geral é que o acesso à informação ficou muito mais fácil. Essencialmente, você pode localizar praticamente qualquer informação em alguns poucos segundos fazendo uma simples pesquisa no Google, se souber como procurar.

Com isso, formas tradicionais de estudo baseadas em decorar nomes, datas e listas de informações usadas até hoje no ensino tradicional passaram a perder espaço e importância. Em vez de simplesmente decorar informações, a capacidade de localizá-las, analizá-las, tirar conclusões e traçar estratégias passou a ser mais importante.

Entretando, tirar conclusões acertadas exige conhecer o tema e ter um grande volume de informações anteriores sobre ele memorizadas. Ou seja, o estudo regular continua sendo uma necessidade para qualquer bom profissional, apenas o formato é que mudou.

Entretando, a informatização trouxe também um efeito negativo, na forma de constantes interrupções. Hoje em dia, é muito difícil encontrar alguém que trabalhe na frente de um PC que não passe o dia alternando entre diversas tarefas, interrompendo seu trabalho a cada dois ou três minutos para responder a uma mensagem no MSN, responder um mail urgente, atender ao telefone, ver a cotação das bolsas, ver o relatório de acessos do site, ler as notícias do dia, comentar alguma bizarrisse com alguém ou, ou.. ou… enfim, a lista é grande.

Existem cada vez mais indícios de que fazer muitas coisas ao mesmo tempo acaba reduzindo a produtividade em vez de aumentar. Pior, ela mina a sua capacidade de se concentrar e realizar tarefas complexas, que exigem concentração, como escrever artigos elaborados, programar, ou analisar situações de forma detalhada. De um certo modo, seu cérebro se acostuma a parar o que está fazendo a cada dois ou três minutos para verificar alguma outra coisa e isso acaba virando um hábito muito difícil de sobrepujar.

A última tora de lenha na fogueira é este artigo do New Atlantis. Citando outros estudos anteriores, o artigo defende a idéia de que na verdade o cérebro humano é capaz de se concentrar em apenas uma coisa de cada vez. Ao fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo, você na verdade se limita a alternar entre elas e a cada mudança seu cérebro leva um certo tempo até retornar ao estado anterior. Além da perda de produtividade, tentar fazer muitas coisas ao mesmo tempo aumenta o nível de stress, o que também causa efeitos adversos a longo prazo.

Outro efeito negativo recai sobre a questão do aprendizado. Em essencia, aprender exige que você se concentre no que está fazendo. Mesmo que o objetivo não seja decorar informações, mas simplesmente compreender novas idéias, interrupções prejudicam o armazenamento das informações, tornando mais difícil se lembrar delas mais tarde, fazendo com que, a longo prazo você acabe tendo muito mais dificuldade em aprender.

Talvez, este seja um dos motivos que levam tantas pessoas a preferirem livros e revistas impressas. Ao contrário de um PC, um livro não permite fazer outras coisas durante a leitura. Você é de certa forma obrigado a se concentrar no que está lendo. Mesmo que você tivesse exatamente o mesmo livro à disposição em PDF, você provavelmente teria muito mais dificuldade para lê-lo no micro, pois a tentação de fazer outras coisas prejudicaria a sua leitura. Este é só um exemplo entre possivelmente muitos outros. Este é sem dúvida um tema a se pensar.

Veja outros links relacionados ao tema:

Slow Down, Brave Multitasker, and Don’t Read This in Traffic

The Multitasking Generation

Study says: leave the multitasking to your computer

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