Nos comentários dos posts anteriores da série sobre placas 3D, alguns leitores deram falta de duas famílias de placas, as GeForce 4 MX 4000 e as SiS Xabre. Elas foram relativamente comuns entre 2003 e 2004, tentando os desavisados que procuravam por placas de baixo custo. Embora ambas tenham feito um certo sucesso no início, elas acabaram se revelando verdadeiras armadilhas, que eventualmente caíram no esquecimento. Vamos a elas.
Quando a nVidia decidiu lançar uma linha de placas de baixo custo dentro da série Geforce 4, optaram por criar uma versão reciclada do chipset NV11, que tinha sido anteriormente usado nas GeForce 2 MX. Surgiu então o NV17, que nada mais era do que uma versão de 0.15 micron do chipset, que era capaz de operar a frequências um pouco mais altas.
Além de oferecer um desempenho por clock bem inferior ao NV25, usado nas Geforce 4 TI, o NV17 era um chipset muito mais limitado, que oferecia suporte apenas ao directX 7 e acabou se tornando logo obsoleto, conforme os jogos migraram para versões mais atuais da API.
A série original foi composta pela GeForce 4 MX 420 (250/166 MHz, SDR), GeForce 4 MX 440 (270/400 MHz), GeForce 4 MX 440 8x (275/513 MHz AGP 8x), GeForce 4 MX 460 (300/550 MHz).
O fato de a nvidia ter aproveitado um chipset de uma família anterior para criar a linha já não soou muito bem, mas como as coisas sempre podem ficar piores, a série MX ganhou uma sobrevida inesperada com a GeForce 4 MX 4000, lançada em 2003. Embora o nome sugira uma única placa, a marca “GeForce 4 MX 4000” foi usada para designar uma linha de várias placas com configurações e desempenho muito diferentes, que foram colocadas no mercado para simplesmente taparem brechas na linha de produtos, sem muito zelo com relação à qualidade.
As MX 4000 foram baseadas no chipset NV18B, que nada mais era do que uma modificação do NV18 (uma versão do NV17 com AGP 8x) que oferecia um barramento flexível de acesso à memória, que permitia a criação de placas com barramento de 128, 64 ou 32 bits. As placas mais rápidas utilizavam barramento de 128 bits, com clocks de 275 (core) e 400 MHz (memória), o que resultava em um desempenho similar ao de uma MX 440. O grande problema eram as placas com barramento de 64 ou de 32 bits, onde a GPU era estrangulada e o desempenho era absurdamente mais baixo. Os piores modelos chegaram a utilizar clocks de 250 MHz (core) e 266 MHz (memória) o que combinado com o barramento de 32 bits rebaixa o desempenho ao nível de uma TNT2.
Para complicar, as placas continuaram suportando apenas o DirectX 7 e continuaram sendo vendidas ao longo de 2004, resultando em uma horda de consumidores insatisfeitos, que além de serem lesados pelo baixo desempenho das placas de 32 e 64 bits, não conseguiam rodar muitos jogos devido à versão da API, definitivamente uma página negra na história da nVidia.
O Xabre, por sua vez foi uma tentativa da SiS em entrar para o ramo de placas 3D dedicadas, depois de algum tempo de experiência desenvolvendo chipsets onboard. Ele equipou um pequeno número de placas vendidas entre 2002 e 2003, competindo com as GeForce 4 MX.
O Xabre utilizava uma arquitetura simplificada, com 4 pipelines de renderização e um barramento de 128 bits com a memória. Ele foi utilizado nas Xabre 80, 200, 400 e 600, que se diferenciavam pelo clock e pela revisão da GPU utilizada.
A Xabre 400 foi a versão mais popular, com clocks de 250 MHz para a GPU e memórias DDR a 500 MHz. Por default ela oferecia um desempenho similar ao da GeForce 4 MX 460 em jogos DirectX 7, mas os números eram obtidos devido ao uso do TexTurbo (veja a seguir) que reduzia a qualidade das imagens. A Xabre 200 (200 MHz e DDR a 333 MHz) e a Xabre 80 (200 MHz e SDR a 166 MHz) foram duas versões de baixo custo, que além das versões offboard foram utilizados também como vídeo onboard em algumas placas-mãe, como a ECS K8S5A.
Em 2003 a SiS ensaiou o lançamento de uma placa mid-range com a Xabre 600, que era baseada em uma versão de 0.13 micron do chipset (com clocks de 300 MHz para a GPU e 600 MHz para as memórias DDR), mas ela era mais cara (US$ 120 na época de lançamento, nos EUA) e por isso acabou não sendo muito bem aceita.
Embora fosse anunciado como um chipset DirectX 8.1, o Xabre não oferecia suporte a vertex shaders e incluía uma unidade de processamento de pixel shaders extremamente fraca. Isso permitiu que a SiS simplificasse muito o projeto, uma decisão que foi uma das responsáveis pelo custo relativamente baixo das placas.
O plano da SiS era que o Xabre se tornasse popular o bastante para que os desenvolvedores de jogos adicionassem rotinas de compatibilidade com o chipset, realizando o processamento via software. Entretanto, não foi bem isso que aconteceu: inicialmente o Xabre recebeu bons reviews, devido ao bom desempenho em jogos DirectX 7 e nos primeiros títulos DirectX 8 (que não utilizavam shaders). Com o passar do tempo entretanto, a conta começou a aparecer na forma de incompatibilidades e problemas crescentes em novos títulos.
Outra decisão questionável foi o uso de apenas 64 MB de memória (32 MB nas versões de baixo custo), o que fazia com que as placas dependessem pesadamente do uso do AGP GART, utilizando a memória principal do sistema para armazenar texturas, às custas de uma redução crescente no desempenho.
Para amenizar o problema, a SiS trapaceou novamente, implantando o “TexTurbo”, um recurso (ativado por padrão) que reduzia a qualidade das texturas, economizando memória e melhorando o FPS, porém sacrificando a qualidade de imagem. Ele podia ser desativado através de uma chave de registro, mas ao fazer isso o desempenho caía em cerca de 30%, tirando a competitividade das placas.
Para completar, os drivers da SiS eram terrivelmente deficientes e instáveis, o que rapidamente minou a fama (e as vendas) das placas, fazendo com que elas rapidamente caíssem em esquecimento. Depois da aventura, a SiS se limitou ao desenvolvimento de chipsets de vídeo onboard de baixo custo e baixo desempenho, sem voltar a tentar competir no ramo das placas dedicadas.
Esta postagem foi modificada pela última vez em 23/03/2011 15:36