First look at Dreamlinux 3.0
Autor original: Susan Linton
Publicado originalmente no: https://distrowatch.com
Tradução: Roberto Bechtlufft
Semana passada, os desenvolvedores do brasileiro Dreamlinux lançaram a versão 3.0 de sua distribuição baseada no Debian. Eu testei várias versões desta distro ao longo dos anos, e lembro que as primeiras versões já tinham um visual belíssimo. O papel de parede mudou e o tema foi atualizado, mas ela ainda tem mais ou menos a mesma aparência.
Novidades e melhorias
Esta versão traz algumas novidades.Uma das primeiras que você vai notar é a inclusão do GNOME 2.20.3 às opções de boot do live CD. O GNOME no Dreamlinux é igualmente belo, e o papel de parede, tema, dock e a seleção de aplicativos são os mesmos. Infelizmente é preciso escolher:boote pelo GNOME e é só o GNOME que você terá;use esta opção de instalação e só o GNOME será instalado.
A nova arquitetura Flexiboost permite que a aparência e as configurações sejam compartilhadas entre o XFCE e o GNOME. As informações sobre o Flexiboost ainda são um pouco escassas, mas ele parece consistir num módulo ou grupo de módulos escrito pela equipe de desenvolvimento do Dreamlinux e lançado sob a LGPL, que permite que uma mesma configuração seja utilizada para múltiplos gerenciadores de janelas.
O instalador também foi recriado para esta versão. Antes o Dreamlinux usava o instalador do Morphix, mas nesta versão temos um instalador mais amigável. Agora o Dreamlinux traz as configurações de instalação em uma tela só. O que eu quero dizer é que todas as opções de instalação, o botão de confirmar e o indicador de progresso estão na mesma tela. Eu acho que esses instaladores de uma tela só, com poucas opções avançadas e sem escolha de pacotes, caem bem em distros pequenas, mas eu tive alguns problemas com o instalador.
Não tive problemas com as configurações. Foi só digitar os dados nas caixas de texto correspondentes e marcar uma ou duas opções. Cliquei em “apply” e os indicadores de progresso e atividade apareceram. Tudo correu bem até os 56%, quando sistema pareceu travar. O marcador ficou tanto tempo nos 56% que eu já estava quase desistindo, mas aí ele pulou para 91% e me informou que o GRUB estava sendo instalado. Marquei a opção para instalar o GRUB na partição root. E o instalador ficou lá parado por quase uma hora, até eu desistir. O sistema parecia ter sido instalado, mas o menu.lst do GRUB estava em branco. Acabei editando o meu GRUB principal para que ele apontasse para o diretório /boot do Dreamlinux, e assim consegui bootar. O sistema é completo e funcional, mas um novato poderia ter arruinado seu GRUB e ficado com uma péssima impressão.
Quando o Compiz Fusion está em uso, o AWN substitui o Engage como lançador de aplicativos. Embora parecido com o Engage, ele é um dock bem mais divertido. O AWN tem um configurador gráfico, o AWN Manager, e muitos plugins legais que adicionam funcionalidades. É possível adicionar atalhos para seus programas favoritos e ajustar outras configurações pelo AWN Manager, no painel de controle do Dreamlinux. Alguns plugins úteis incluem a previsão do tempo, o BlingSwitcher (um alternador de áreas de trabalho com efeitos) e um monitor de CPU.
No painel de controle do Dreamlinux estão vários programas e ferramentas de configuração úteis. Entre eles temos um gerenciador de serviços, as opções de gerenciamento de energia para laptops, o gerenciador de temas, um aplicativo para ativar drivers wireless de Windows e um botão liga/desliga para o Compiz Fusion. Outros programas interessantes são o Hardinfo e o Upgrade Wizard, um assistente de atualizações. O Hardinfo fornece informações sobre o hardware e permite realizar alguns benchmarks. Já o assistente de atualizações não atualiza nada.Na verdade, ele faz backup do seu sistema antes de atualizá-lo pelo Synaptic, e o restaura caso algo dê errado.
Outra coisa interessante é o Easy-Install. Ele abriga um sistema que lembra os ícones mágicos do Kurumin Linux, com lançadores que instalam programas populares, drivers e programas proprietários, codecs multimídia e bibliotecas que não estão disponíveis nos repositórios do Debian. Boa parte deles vai disparar um instalador, mas ao clicar no ícone dos drivers da NVIDIA o usuário recebe as instruções para realizar a instalação pela linha de comando.
Programas
Os programas incluídos não mudaram muito.Dentre os aplicativos gráficos, temos Inkscape, gThumb e o GIMPShop (que travou várias vezes). Rhythmbox, MPlayer, Gxine e Sound Juicer compõem o time multimídia. O suporte a formatos fica mais completo com a instalação de codecs e das bibliotecas de desencriptação de DVDs pelo Easy-Install. A gravação de CDs e DVDs fica a cargo do Brasero.
Os aplicativos de internet incluem Iceweasel (que travou algumas vezes), Thunderbird, Pidgin e Check-Gmail. As tarefas de escritório são resolvidas com o OpenOffice.org e o Orage.
O Conky, o Dicionário e uma calculadora estão entre os acessórios. Algumas das ferramentas de sistema incluem o painel de controle, o Easy-Install, o gerenciador do Engage, o criador de entradas para o menu e o instalador para pendrives. No menu de Configurações encontramos os aplicativos para conexão ADSL e PPP, as preferências de encriptação e o configurador de impressoras.
O Dreamlinux se baseia no Debian, e já vem com o gerenciador de pacotes APT e os repositórios Debian configurados. O Synaptic, uma ótima interface gráfica para o APT, também está incluído.
Suporte a Hardware
O suporte básico a hardware é bom.O Dreamlinux traz o kernel Linux-2.6.23.12-dream SMP Preemptive, Xorg-server 1.3.0 e o Xorg 7.2. Tanto o live CD quanto o sistema instalado reconheceram minha placa de vídeo com precisão e me deram uma resolução de 1280×800, a melhor possível para o meu laptop. O touchpad, o mouse USB e o teclado funcionaram muito bem. Até os botões de volume funcionaram. O som e a rede (com fio) funcionaram logo de cara. CDs e dispositivos removíveis foram detectados e montados automaticamente.
Mas o suporte avançado ao hardware do meu HP Pavilion dv 6105 não foi tão bom. O gerenciamento da bateria correu como eu esperava, e o gerenciamento de freqüência da CPU foi acionado automaticamente.
Infelizmente, não consegui fazer a rede wireless funcionar. Tentei o Ndiswrapper, que já vem incluído, e também instalei o fwcutter para tentar converter os drivers, mas a minha Broadcom não foi detectada. Claro que não dá para tirar pontos de uma distro quando o hardware não é suportado pelo kernel do Linux. No entanto, geralmente as pessoas escolhem uma distro capaz de trazer à vida esses equipamentos exclusivos para o Windows. Ferramentas wireless estão disponíveis no Dreamlinux para aqueles com hardware suportado.
Também fiquei um pouco decepcionado por não encontrar uma maneira simples de ativar o suspender/hibernar. Alguns arquivos e scripts foram instalados, mas não vi nenhuma opção para ativar isso. Não havia itens no menu, nem no indicador de bateria, na janela de logout ou no GDM.
Conclusão
O Dreamlinux continua lindo, e agora que seu visual foi recriado para o GNOME e o Compiz Fusion foi implementado a distribuição deve atingir uma audiência maior, e pode muito bem se tornar uma alternativa viável ao Ubuntu.
De modo geral, a versão 3.0 do Dreamlinux é ótima. Tive problemas com o instalador, com a rede wireless e com o suspender/hibernar, e alguns programas mostraram instabilidade. Mas o Dreamlinux é bonito, vem com uma boa seleção de programas (exceto pelo Iceweasel, que tem alguns bugs) e traz ferramentas muito boas. Acabei ficando dividido. Não me sinto à vontade para recomendar o Dreamlinux a todos. Se você gostou do visual, das características e dos programas incluídos, pode ser uma boa idéia experimentá-lo no seu PC e ver se ele serve para você.
ATUALIZAÇÃO: O Dreamlinux 3.1 foi lançado no sábado, dia 5 de abril, trazendo a correção para os problemas do instalador.
Créditos a Susan Linton – https://distrowatch.com
Tradução por Roberto Bechtlufft <robertobech at gmail.com>