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Carlos E. Morimoto
Carlos E. Mo... General de Pijama Moderador
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Linux, embedded systems e popularização da informática

#1 Por Carlos E. Mo... 30/08/2002 - 21:37

Já li isso em vários lugares, mas finalmente estou começando a concordar com a idéia. Apesar de toda a batalha em
torno dos servidores e desktops ainda ser incerta, o Linux tem um futuro muito promissor na área dos embedded systems.

Hoje se fala muito em ligar todo tipo de dispositivo em rede, de uma forma barata o suficiente para que a idéia possa
fazer sentido. Idéias como fazer o aparelho de som da sala tocar arquivos em MP3 (ou outro formato qualquer) armazenados
no PC do quarto, ou de poder acessar coisas como luzes e aquecimento da casa através do celular, podem não fazer muito
sentido hoje em dia, pois apesar de já ser perfeitamente possível, utilizando tecnologias como o X10, ainda é caro e na
maioria dos casos impráticos.

Mas, fatalmente, os circuitos necessários vão se tornar baratos e alguém criará algum sistema que torne tudo muito
simples de usar. E as pessoas vão começar a utilizar estas bugigangas.

Vamos ter processadores em todo lugar. Em cada componente importante do carro, em todo tipo de eletrodoméstico e em
tudo mais que você possa imaginar. Afinal, o preço dos transístores cai pela metade a cada ano e meio. Em duas década
eles serão tão baratos que um transmissor wireless com um código de identificação vai tão pouco que alguém resolverá
coloca-los nos pacotes de bolacha para que você não precise mais passar pelo caixa ao sair ;-)

Uma certeza é que todos, ou pelo menos a grande maioria destes dispositivos vai rodar algum tipo de sistema aberto,
ou o Linux, ou o GNU Hurd, ou o BSD, ou algum outro derivado deles. A questão é simples. O custo de desenvolvimento
usando-os é muito mais baixo. Você pode desenvolver uma solução em poucos dias, ou mesmo horas. Existe ainda a vantagem
do custo. Empresa alguma vai se dispor a licenciar um sistema proprietário qualquer se todos os seus concorrentes
utilizarem sistemas abertos. É uma simples questão de competitividade.

Outro ponto importante é que nenhuma empresa tem condições de cobrir sozinha toda a variedade de dispositivos que
teremos. Apenas um sistema desenvolvido cooperativamente pode atingir este nível de flexibilidade. O trabalho de
desenvolvimento é ampliado e temos uma oferta de soluções maior, mas mesmo assim mantemos um custo mais baixo para as
empresas. O dinheiro deixará de ir para alguma grande empresa e passará a ir para os programadores e consultores que
trabalharem na personalização do sistema, já que a maior parte, senão todos os componentes necessários já estarão
disponíveis em algum lugar.

Ou seja, independentemente do que você rode no seu desktop ou servidor, com certeza você vai conviver muito mais
tempo com sistemas livres, derivados ou não do Linux. Eles vão se espalhar como uma praga :-)

Se você tiver interesse em se aprofundar no assunto, pode dar uma olhada neste tutorial:

:. Como criar sua própria mini-distribuição Linux

Por sinal, até mesmo nos desktops os sistemas abertos estão crescendo. A dupla Windows e Office sozinha já custa mais
que um PC básico. Este é um dos principais motivos dos PCs de grife custarem sempre quase o dobro do valor de um PC sem
marca. Muitos fabricantes estão percebendo que isso está minando suas vendas e começam a buscar alternativas para
baratear seus PCs. Alguns começam a optar pelo uso do OpenOffice no lugar do MS Office e outros já resolveram
radicalizar de vez, como a Microtel, substituindo o Windows pelo Lindows ou Mandrake numa linha de baixo custo que conta
com modelos básicos, sem monitor, por apenas US$ 199.

A questão é que o modelo de negócio da Microsoft está falido. Eles não tem como manter os preços dos softwares no
patamar que estão por muito tempo. Se simplesmente baixarem os preços acabam com a margem de lucro
e se não o fizerem vão perder cada vez mais mercado, pois a tendência natural é que a turma Linux/OpenOffice/Mozilla &
cia continue evoluindo até que não faça muito mais diferença do ponto de vista de um usuário médio qual sistema
utilizar.

A idéia de "PC popular" como proposta pelo Governo é uma grande idiotice na minha opinião. Os PCs já são
baratos. Se não fossem os impostos e os gastos com software, já teríamos PCs (sem monitor) por menos de R$ 650
(sim, mesmo com o dólar a R$ 3,00), menos do que o projeto proposto custaria, com a vantagem de que poderiam ser
montados ao gosto do freguês em qualquer lojinha de esquina.

Existem várias formas de popularizar a informática a um custo viável. O problema não é a falta de dinheiro, mas sim a
falta de conhecimento técnico e bom senso.

fike
fike Membro Senior Registrado
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#2 Por fike
31/08/2002 - 18:20
Vc tem razão. O mercado p/ o linux e sistemas abertos tem melhores chances é esse mesmo. Mas não esqueçamos que todo grande monopólio não dura muito tempo (AT&T) e p/ crescer a Microsoft tem apertar o cerco para manter suas taxas de lucro em níveis elevados como vem mantendo.
Um fato curioso é que o patrono (Bill Gates) vendeu alguns milhões de sua ações... (o link http://idgnow.terra.com.br/idgnow/business/2002/08/0080).
A síntese de seu texto na parte que toca a Microsoft é que o modelo de negócios que há vinte anos domina o mercado já esta no limite, estamos passando por um período de transição de modelo de negócios, caminhando para priveligiar os serviços (bem, poderia ficar viajar em questões políticas mas acho que não é necessário). Isso também não quer dizer que a Microsoft irá desaparecer mas que terá que reestruturar para sobreviver ... há isso sim...
Saudações, Fernando
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