Zenwalk Linux, o lado zen da vida

Zenwalk Linux, o lado zen da vida

Taking a Walk on the Zen Side of Life

Autor original: Jesse Smith

Publicado originalmente no: distrowatch.com

Tradução: Roberto Bechtlufft

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Outro dia a equipe do Zenwalk lançou a versão 6.4 de seu sistema operacional. O site do projeto, apresentado em uma atraente combinação de azul e branco, oferece quatro edições da distro:

  • Standard: um disco de instalação com o Xfce;

  • Core: disco de instalação leve, sem nenhum aplicativo para o desktop;

  • Live: parecido com o Standard, mas com um ambiente live de desktop;

  • GNOME: troca o Xfce pelo GNOME.

O site tem muita documentação útil, incluindo um guia introdutório, o manual do usuário, um wiki, um fórum e as informações de contato da equipe de desenvolvimento. O site principal pode ser aberto em seis idiomas diferentes, tornando-o acessível a uma ampla variedade de usuários.

Antes de baixar a edição Standard, entrei em contato com o fundador do projeto, Jean-Philippe Guillemin.

Entrevista

DW: Para começar, conte-nos um pouco sobre você. Qual foi o seu primeiro contato com o Linux, e por que você criou o Zenwalk?

JP: Eu nasci no leste da França em 1972, mas vivi na África até os oito anos. Depois voltei para a França. Dos oito aos onze eu me vi apaixonado por componentes eletrônicos e transmissores de rádio. Comecei a programar calculadoras eletrônicas e pequenos computadores (em Basic) aos doze – eu era um jovem geek. Aos catorze eu comecei a tocar guitarra. Cursei a Universidade de Nantes com bons resultados, e tentei seguir carreira como músico profissional entre 1995 e 1996.

Foi em 1996 que ouvi falar no Linux pela primeira vez, um amigo me disse que tinha instalado um sistema operacional Unix livre e bacana. Nessa época eu era músico em tempo integral, e não dava mais muita bola para computadores, então ficou por isso mesmo. Quando ficou claro para mim que não dava para ganhar a vida só com música, procurei (e achei) emprego com redes e segurança de computadores em 1997. Minha primeira instalação do Linux foi entre 1998 e 1999, como como plataforma de desenvolvimento. Não me lembro muito bem, mas o fato é que de lá para cá eu não usei nenhum outro sistema operacional que não fosse o Linux. Em 2004 achei que criar um derivado do Slackware seria uma boa forma de aprender mais sobre o Linux. Chamei esse derivado de “Minislack”, e o disponibilizei para que outros experimentassem. Eu queria um ambiente de desenvolvimento que fosse simples e completo, que eu pudesse instalar facilmente em qualquer computador. Desde o princípio, os objetivos já eram “um aplicativo para cada tarefa”, “desempenho” e “racionalidade”. Em 2005, vários contribuidores me ajudaram a aprimorar o projeto. Hoje, 90% das tarefas fica por conta da equipe de desenvolvimento e dos contribuidores de pacotes. Eu não conseguiria mais tomar conta de tudo por conta própria.

DW: A nova versão (6.4) parece focada no aumento da velocidade, como mostra o agendador BFS, por exemplo. O que mais os usuários do Zenwalk podem esperar?

JP: Sempre que descubro algo legal e empolgante para aumentar o desempenho ou aprimorar a usabilidade eu faço um teste, e se eu sentir que posso confiar, passo para a equipe de testes do repositório “snapshot”. Eu quero que o Zenwalk ofereça algo diferente, e fico especialmente satisfeito quando grandes desenvolvedores como Kon Colivas lutam conta opiniões estabelecidas sobre o que é certo e o que é errado no Linux. Acho que sou meio rebelde.

O BFS é muito bom. Na verdade, essa peça pequena mas importante de software é desenvolvida da mesma forma que o Zenwalk: tudo faz sentido e não há tralhas desnecessárias, só coisas eficazes. Notei que com ele eu tive um melhor comportamento de baixa latência no meu estúdio multifaixa (o Ardour), e também um tempo de compilação menor: o Zenwalk 6.4 vai “decolar” em hardware mais moderno, e ter um ótimo desempenho em computadores antigos.

Tirando isso, o Zenwalk 6.4 tem muitas melhorias no nível do sistema, porém mantendo a estabilidade em termos de aplicativos (os usuários não querem trocar de navegador nem de player multimídia a cada versão). O Zenwalk 6.4 também tem kernel 2.6.33.4 e UDEV 151, que representam uma grande revolução na detecção de hotplug e o primeiro passo rumo ao abandono da HAL (a camada de abstração de hardware) no futuro. Oferecemos ainda X.Org 7.5, OpenOffice 3.2.0 e o novíssimo Xfce 4.6.2.

DW: Originalmente, o Zenwalk era baseado no Slackware. Você ainda baseia as novas versões nele ou o Zenwalk se tornou uma distro mais independente?

JP: A partir do Zenwalk 5.0 nós começar a nos afastar bastante do Slackware, com grandes melhorias (na forma dos scripts do init e das ferramentas do sistema, por exemplo). Ainda assim, ir perdendo lentamente a compatibilidade de pacotes não era uma boa. Pat já fazia um ótimo trabalho nos pacotes básicos (como o X.Org), e reinventar a roda seria perda de tempo. Por isso, decidimos reverter essa tendência na série 6.x, e começamos a incluir mais pacotes do Slackware que haviam sido substituídos por pacotes do Zenwalk na série 5.x. Agora podemos nos concentrar em recursos que agreguem valor de verdade, como no desempenho, nas ferramentas do sistema, na internacionalização… Com isso, o Zenwalk 6.4 é compatível com o Slackware. É possível instalar pacotes do Zenwalk direto de nossos repositórios ou instalar pacotes do Slackware, desde que estejam atualizados.

DW: Quando comparados aos de muitos projetos de código aberto, o site e a documentação da distribuição são bem acabados e organizados. Esse era um objetivo de design ou aconteceu por causa da presença de certas pessoas na equipe?

JP: É tudo trabalho de contribuidores, e também é parte do design do projeto: fazer do Zenwalk algo atraente aos usuários avançados do ponto de vista técnico mas também fácil de usar para os novatos no Linux. Obrigado por ter destacado esse ponto, ele é muito importante. Mas precisamos de mais voluntários trabalhando na manutenção dessa documentação, em vários idiomas, especialmente porque alguns de nossos contribuidores partiram para tocar seus próprios projetos.

DW: O Zenwalk tem uma edição padrão com o Xfce e outra com o GNOME. E a versão com o KDE, vai sair também?

JP: Se tudo correr conforme o esperado, sim. O empacotamento do KDE já foi feito, e a maior parte do trabalho do mantenedor vai ser no sentido de aparar as pontas do desktop, para que ele esteja de acordo com as diretrizes do Zenwalk (a ideia é que ele seja bem parecido com o desktop Xfce oficial da distro).

DW: Conte para os nossos leitores sobre o repositório de usuário do Zenwalk. Quantos pacotes estão disponíveis no momento?

JP: No momento o repositório do Zenwalk contém 2.800 pacotes, cobrindo a maioria das necessidades dos usuários: desenvolvimento, multimídia, gravação de música, jogos, trabalho em escritório… mas também dá para usar pacotes do Slackware, então o usuário do Zenwalk vai encontrar tudo o que espera encontrar em um sistema GNU/Linux moderno.

Uma coisa que eu queria destacar é que o sistema de design da ISO do Zenwalk é cuidadosamente projetado, com aplicativos e APIs escolhidos a dedo -> “um sistema de base rápido + kit de ferramentas GTK + um conjunto de aplicativos bem integrados”.

Muitas vezes, quando um usuário instala o Zenwalk e não encontra seu media player favorito, por exemplo (digamos, o MPlayer), os comentários negativos no fórum são pesados, embora nosso repositório tenha todo tipo de media player e demais aplicativos.

Uma coisa que tem que ficar clara é que, quando escolhemos um aplicativo para entrar na ISO do Zenwalk, isso não significa que ele seja o melhor de sua categoria; significa que ele se integra bem com o sistema (ele tem que ser baseado no GTK, ser rápido e fácil de usar, contar com suporte ativo e ser confiável). Muitos aplicativos bons que nós adoramos não são incluídos na ISO, e eles estão disponíveis em nossos repositórios (assim como suas dependências).

DW: O que você gostaria de adicionar às versões futuras do Zenwalk? O projeto tem objetivos a longo prazo?

JP: Com certeza. O plano é simples: não mudar nada na aparência e no jeitão do desktop, e dar suporte a processadores de 64 bits. Isso pode acontecer na série 8.x. A série 7.x vai se concentrar na migração da HAL para o udev, e na introdução do Xfce 4.8. E antes de migrarmos para os 64 bits, também vamos ter que achar um jeito de tornar possível o suporte consistente às duas arquiteturas.

DW: O Zenwalk parece voltado para máquinas antigas. Se não me engano, ele suporta i486, não é isso? Em qual hardware vocês estão mirando?

JP: O Zenwalk está focado em hardware moderno, e oferece as versões mais recentes de aplicativos modernos como OpenOffice e Icecat (Firefox), mas como você percebeu, o Zenwalk é otimizado para CPUs i686 e mantém a compatibilidade com o i486, então também roda em hardware antigo.

Observe que o parâmetro “march” do compilador varia de acordo com o tipo de máquina que pode usar o pacote: alguns aplicativos são compilados para i686 porque não funcionariam em uma CPU i486. Estou falando mais especificamente dos aplicativos de música em tempo real.

Dá para encontrar sistemas voltados para “computadores jurássicos” mais adequados para esse tipo de hardware, mas geralmente essas distribuições não têm os aplicativos mais famosos necessários para uma experiência moderna com multimídia e na internet. O Zenwalk se aproxima desses minissistemas Linux para sistemas especializados em termos de responsividade em máquinas antigas, mas ainda oferece o mesmo nível de modernidade de sistemas mais pesados como os baseados no Debian e no Red Hat.

DW: Você gostaria de acrescentar mais alguma coisa sobre o código aberto em geral ou mais especificamente sobre o Zenwalk? Quer deixar alguma mensagem para os nossos leitores?

JP: Sim! Na verdade eu só estou encarregado do design geral, do desktop, do desenvolvimento de ferramentas e de assuntos relacionados ao kernel. A maior parte do empacotamento e da coordenação do projeto fica por conta da equipe do Zenwalk, dirigida por Frederic Boulet, nosso gerente de projeto.

A base de usuários do GNU/Linux está crescendo graças ao trabalho de desenvolvedores benevolentes e sites informativos com o DistroWatch. Com isso, nosso relacionamento com os usuários e as perguntas que eles nos fazem estão evoluindo e tendem a se tornar menos técnicas, então precisamos de pessoas que contribuam para dar suporte a essa quantidade cada vez maior de perguntas, e manter o tom amigável desse suporte no http://support.zenwalk.org/

Primeiras impressões do sistema

Eu gostaria de agradecer a Guillemin pelo tempo que dedicou para conversar conosco sobre o Zenwalk.

Iniciando o computador com o disco do Zenwalk na unidade, o usuário chega a uma tela em curses com cinco opções. Nela é possível escolher o mapeamento de teclas, particionar o disco rígido, executar o instalador, fazer uma instalação em modo “piloto automático” ou sair do menu e entrar em um shell simples. Para começar, rodei o particionador, que é o cfdisk. Com o disco particionado do jeito que eu queria, disparei o instalador. O processo de instalação começa pedindo ao usuário que escolha uma partição para o swap e outra para o sistema operacional. A seguir vem a escolha do sistema de arquivos para a partição raiz: ext2, ext3, ext4, ReiserFS ou XFS. Uma breve explicação é fornecida sobre cada opção de sistema de arquivos para os novatos. O usuário tem que escolher onde os arquivos de origem estão localizados (o padrão é o CD do Zenwalk), e os pacotes são copiados para o disco rígido. O processo é bem rápido, e o instalador mantém o usuário informado do que está acontecendo o tempo todo. Depois que o software todo é copiado, o usuário tem a opção de instalar um gerenciador de inicialização (o LILO, no caso). Depois chegamos a opções mais avançadas, como a resolução da tela, utilização (ou não) de parâmetros específicos do kernel e onde instalar o gerenciador de inicialização. Tudo isso pode ser um pouco demais para os novatos, mas as opções padrão são boas.

Na primeira inicialização do sistema, uma cópia da licença GPL é apresentada ao usuário, que deve escolher o idioma e definir uma senha para o administrador. Em seguida, vem a criação e configuração de outras contas de usuário comuns. Tudo isso em um ambiente curses.

Concluídas todas as etapas de configuração, o Zenwalk apresenta uma tela gráfica de login. Ao fazer login, o usuário é levado a um atraente, e por que não dizer, belo ambiente de desktop com o Xfce. Uma estreita barra está posicionada na parte superior da tela, com menu de aplicativos, relógio e botão para fazer logout. A parte inferior da tela tem uma barra de inicialização rápida com ícones para abrir o navegador, o cliente de email, o media player, as configurações do desktop, o controle de volume e o gerenciador de arquivos. Há uns poucos ícones no desktop para navegação pelo sistema de arquivos local, e um ícone que leva ao site do Zenwalk. A interface é rápida e responde de forma impressionante. Os componentes do Xfce parecem bem integrados.

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Alteração das configurações e edição de documentos

O menu de aplicativos vem com uma excelente variedade de software, se levarmos em conta que a ISO só tem 540 MB. O menu inclui programas populares, como Firefox (renomeado como Icecat), Thunderbird (renomeado como Icedove), OpenOffice, player multimídia, CD player, gravador de discos, calendário e o GIMP. Além disso tudo, temos a habitual seleção de aplicativos: editor de texto, calculadora, compactador de arquivos, gerenciador de arquivos e visualizador de documentos. O Zenwalk também vem com o Pidgin para mensagens instantâneas, o gFTP para transferência de arquivos, cliente BitTorrent e navegadores de rede para localizar serviços de SSH e do VNC. A maioria desses aplicativos é comumente encontrada em outras distribuições, então fiquei curioso em ver o que mais eu iria encontrar na imagem de 540 MB. Os que eu encontrei e julguei dignos de notam fora o gerenciador de firewall Firestarter; o Geany, uma IDE intuitiva para compilação de código; e o Gigolo, uma ferramenta de rede que conecta os usuários a diferentes tipos de compartilhamentos, como SSH, Samba e FTP. O Zenwalk vem com o Grsync instalado, uma interface gráfica para o rsync. Ele permite que pessoas não familiarizadas com o funcionamento do rsync façam backup de seus dados com poucos cliques do mouse. Na maioria dos casos, o Grsync oferece padrões adequados, e quem quiser fazer backups não vai ter que ficar adivinhando para que servem as opções. Na parte interna do sistema, o Zenwalk vem com o GCC 4.4.3, plugin do Flash para o navegador e codecs para a reprodução de formatos de áudio e vídeo populares. A distribuição tem a abordagem de tentar usar apenas um aplicativo por tarefa, o que significa que o menu não está entupido de coisas, mas que há muita funcionalidade.

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A IDE Geany

O suporte a hardware no Zenwalk é bem comum no que diz respeito aos dispositivos detectados automaticamente. No meu desktop genérico com CPU de 2,5 GHz, 2 GB de RAM e placa de vídeo da NVIDIA, tudo correu bem. A resolução da tela foi configurada corretamente, e o áudio funcionou de primeira. Meu laptop HP com CPU dual-core de 2 GHz, 3 GB de RAM e placa de vídeo Intel não se saiu tão bem. Embora áudio e vídeo também tenham funcionado sem problemas, percebi que nem minha placa de rede sem fio da Intel nem meu modem de internet móvel Novatel foram configurados automaticamente. Nos meus testes, rodei o Zenwalk em uma máquina virtual do VirtualBox com quantidades variadas de RAM para ver como o sistema se sairia. O sistema rodou muito rápido com 512 MB de memória. Com 256 MB houve uma perda de velocidade e uso de swap para algumas tarefas, como para navegação na web e edição de documentos, mas o desempenho continuou aceitável. Um problema que eu tive no ambiente virtual foi que, após a primeira inicialização e a subsequente pós-instalação, o X não aceitou a placa de vídeo virtual. Foi só editar o arquivo xorg.conf que as coisas funcionaram. Depois de instalados os adicionais para convidados do VirtualBox, o X funcionou perfeitamente com suas configurações padrão. Achei ótimo o xorg.conf ter sido incluído. Desde que avanços no X tornaram esse arquivo desnecessário para muitas configurações, a maioria das distros não o incluem mais. Como estou sempre testando distros novas, volta e meia o X não abre e eu preciso de um arquivo de configuração. Quando isso acontece, é bom ter um arquivo de configuração à mão, mesmo que seja só uma estrutura na qual as opções estão comentadas. Eu queria que mais projetos fizessem isso, talvez dando ao arquivo um nome como /etc/X11/xorg.conf.failsafe. Outra ideia bacana: o Zenwalk monta partições com a opção noatime, impedindo que o sistema escreva os tempos de acesso no disco sempre que um arquivo é lido. É só um detalhe, mas muito bem-vindo, especialmente no meu laptop.

O gerenciador de pacotes é o Netpkg. Ele tem os mesmos recursos de outros gerenciadores mais famosos, mas o layout é bem diferente e merece ser mencionado. No alto da tela do Netpkg há uma lista retrátil dos mirrors disponíveis para os repositórios. Você pode escolher dentre vários deles. Selecione um e aperte o botão de atualização para que a lista de pacotes disponíveis seja atualizada. No meio da tela há uma lista de categorias de pacotes, que pode ser expandida para exibir componentes de software individuais. O usuário pode usar o grupo de filtros à direita para exibir os programas instalados, disponíveis ou com atualizações, ou ainda pacotes órfãos. Logo abaixo dos filtros há uma caixa para se pesquisar nos pacotes por nome. A parte inferior da janela tem uma área que exibe informações e o status, com detalhes sobre os pacotes selecionados e um indicador do progresso de ações que estejam em andamento. Acho que escolher um repositório manualmente e mudar os filtros pode ser um pouco estranho para novos usuários, mas tirando isso eu não vi motivo para reclamações. O software funciona bem, apresenta as informações de maneira fácil de ler e não tive problemas para instalar, remover ou atualizar pacotes. Para quem gosta de trabalhar pela linha de comando, o Netpkg pode ser executado a partir de um prompt de comandos e opera de forma parecida com o Aptitude e o YUM.

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Gerenciamento “zen” de pacotes

Não tenho muito do que reclamar quanto à segurança do Zenwalk. O processo de instalação define uma senha para o administrador, e permite que o usuário crie outras contas sem privilégios. Duas coisas me preocuparam. Os repositórios me pareceram estar cheios de atualizações, mas pelo visto não há nenhuma notificação avisando ao usuário que há atualizações de segurança disponíveis. Fiquei mal acostumado com os sistemas que fazem essa verificação automaticamente para mim. Além disso, o Zenwalk roda o SSH por padrão, permitindo logins remotos como root. Eu queria que mais distribuições adotassem a política de impedir o login remoto como root.

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Backup e proteção do sistema

Uma coisa da qual eu gosto muito na comunidade do Linux é da grande variedade de estilos. E não estou falando só dos ambientes de desktops, dos gerenciadores de pacotes e das arquiteturas, mas da forma como essas opções se combinam para criar um estilo específico ou atender a um nicho. Veja o Slackware, por exemplo. O Slackware meio que é a versão inalterada do mundo Linux, sendo simples, rápido e estável. Há distribuições mais empolgantes, como o Fedora, que está sempre experimentando coisas novas e se atendo aos princípios do software livre e de código aberto. Também temos distros que seguem um rumo diferente, como o Mandriva, que tenta ser o mais fácil de usar possível. E embora eu volta e meia fique de saco cheio com o anúncio de mais uma distro baseada no Ubuntu voltada para os amantes de gatos, sou a favor de qualquer coisa que acrescente um novo sabor ao cardápio do Linux. O que nos leva ao Zenwalk. Talvez ele seja a distribuição Linux mais rápida que eu já usei que não seja uma minidistro. Os desenvolvedores fizeram um trabalho excelente equilibrando funcionalidade (que o Zenwalk tem de sobra) e desempenho (que é de primeira). Eles também se saem bem ao fazer com que a distro seja fácil de usar para os novatos e atraente para usuários avançados. Vez ou outra eu acho que o Zenwalk passa um pouco da conta rumo ao território dos usuários avançados, como no instalador e na hora de configurar o gerenciador de pacotes para usar repositórios diferentes, mas para uso diário a experiência é bem equilibrada e tranquila. No que diz respeito ao jeitão do sistema, o Zenwalk talvez seja o sistema operacional mais Linux que eu já usei. Ele é profissional sem ser comercial, rápido sem sacrificar a forma, tenta oferecer um aplicativo pré-instalado por tarefa e, com isso, cobre um espectro mais amplo de funcionalidade do que outras distros. Ele pode não ser o mais rápido, pode não ter mais pacotes nem ser o mais fácil de usar, mas se sai bem em todas essas categorias. O Zenwalk provavelmente não é uma boa opção para ser a primeira distribuição Linux de um novato, mas seria uma ótima segunda distro (e possivelmente a última).

Créditos a Jesse Smithdistrowatch.com

Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>

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