Xoom and the Android tablet experience
Autor original: Jonathan Corbet
Publicado originalmente no: lwn.net
Tradução: Roberto Bechtlufft
O Xoom surpreende por ser pesado, com 730 g. Parece que a bateria é a culpada por boa parte desse peso, e supostamente aguenta “até dez horas” de reprodução de vídeo, ou mais de três dias de reprodução de áudio. Ele tem tela de 1200×800, processador dual-core de 1 GHz, 32 GB de armazenamento interno, câmeras na frente e atrás, dois alto-falantes e uma porta HDMI. O botão liga/desliga fica escondido de forma inteligente na parte posterior, e eu já vi algumas pessoas terem dificuldade em encontrá-lo. Tirando isso, os dois botões de volume na lateral são os únicos botões físicos no dispositivo. Há uma interface de rede celular, mas ela está vinculada à rede CDMA da Verizon. Felizmente, o dispositivo opera numa boa em modo WiFi.
Parece que cada gadget novo oferece um sensor novo, uma tendência que me agrada muito. No caso do Xoom, temos um barômetro integrado. No momento, são poucos os aplicativos que o utilizam. Infelizmente, o principal aplicativo que usa o barômetro parece ser o “Barometer HD”, que foi escrito partindo do pressuposto de que o dispositivo nunca estaria sujeito a menos de 950 milibares de pressão (ou que nunca seria operado acima do nível do mar). Como a minha casa fica a 827 milibares, o aplicativo não vai ser muito útil.
Barometer HD – Ninguém sobreviveria acima de 950 millibars, certo?
O Android nos tablets
É evidente que os desenvolvedores do Android vêm trabalhando duro para criar uma versão da distribuição que seja adequada aos tablets. De modo geral essa versão funciona bem, mas dá para notar facilmente que ainda está em desenvolvimento, e que a turma acostumada a usar o Android em smartphones vai ter que fazer alguns ajustes. Para começar, os quatro botões tradicionais (home, back, menu e search) presentes nos smartphones não dão as caras no Xoom. Na maior parte do tempo (mas não sempre), o canto inferior esquerdo da tela exibe substitutos para alguns desses botões:
Os botões home e back, pelo menos, costumam estar visíveis. Por vezes, você verá um estranho desenho de grade (à direita, na imagem acima) que na verdade é o botão de menu, exceto quando um botão de menu diferente (mais parecido com o dos smartphones) aparece no canto superior direito. Essa é uma inconsistência que pode confundir um pouco.
Outro botão que geralmente fica na parte inferior esquerda é estampado por um par de retângulos que se sobrepõem. Esse botão permite alternar entre os aplicativos em execução. Ele apresenta uma linha de miniaturas bastante influenciada pelo mecanismo de zonas do MeeGo. Naturalmente, ao clicar em uma miniatura você alterna para o aplicativo correspondente. O que irrita é que no máximo cinco aplicativos (oito no modo de retrato) podem ser exibidos nessa lista. No Xoom, o reflexo de “segurar o botão home” adquirido pela maioria dos usuários do Android não tem mais utilidade. Os designers da interface usaram parte do espaço extra da tela para mover essa funcionalidade para um botão próprio.
O alternador de aplicativos do Android Honeycomb
Por outro lado, muitas outras partes da interface ainda não tiram proveito do espaço disponível. Faz sentido permitir que apenas um aplicativo seja exibido por vez na tela de um smartphone, devido à falta de espaço. Só que a resolução do tablet é comparável à das estações de trabalho que eu usei por anos… pode ser útil ter uma calculadora na tela junto com um cliente de email, ou um cliente de mensagens instantâneas junto com um navegador. O MeeGo permite esse tipo de compartilhamento da tela, mas o Android ainda não.
Uma boa quantidade de aplicativos ainda não “percebeu” que tem espaço disponível. Isso parece acontecer mais com aplicativos que não são do Google. O cliente de email K9 usa a tela inteira para exibir a lista de mensagens ou uma única mensagem aberta, mas não consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo. O cliente do Gmail já é um pouco mais esperto. As calculadoras ocupam a tela inteira, e é necessário mover o braço para ir de uma tecla para a outra. Uma mudança bem-vinda é que o navegador abriu espaço para uma barra de abas: o conceito de “janela” da versão para smartphones parece ter desaparecido.
O teclado na tela agora se expande para ocupar mais espaço. Assim fica mais fácil usá-lo, mas isso não muda o fato de que teclados de software são inviáveis para digitações mais longas. O teclado parece ter regredido um pouco desde a versão Gingerbread, especialmente porque o recurso que permitia digitar números mantendo pressionada alguma tecla no topo desapareceu. Tudo bem que a interface do tablet parece estar abandonando o modo de interação que exige que teclas sejam mantidas pressionadas, mas alguns outros caracteres ainda podem ser digitados dessa forma. Alguns recursos, como o de alternar idiomas, por exemplo, foram movidos para botões próprios abaixo do teclado.
O teclado do Android Honeycomb
As notificações não aparecem mais no topo da tela. Em vez disso, ficam reunidas no canto inferior direito. Um toque no relógio, que também fica nesse canto, exibe uma lista de notificações. Infelizmente, cada notificação tem que ser fechada individualmente. Neste canto também temos os menus de configuração do sistema, diferente do que acontece nos smartphones. Esse menu também pode ser usado para travar a orientação da tela (ótimo quando o dispositivo fica deitado na mesa) e o brilho. O sistema de notificações pode ser desativado, um recurso que não está disponível nos smartphones.
O formato tablet, de um modo geral, representa uma nova e interessante maneira de lidar com o computador. Acho que ainda nem começamos a descobrir como podemos tirar o melhor proveito desses dispositivos. Eu não sou um defensor do formato, mas tenho que admitir que os tablets são ótimos para ler conteúdo online ou conferir o email sentado no sofá. O tablet cai bem para uma lida nas notícias na mesa do café. Mas para leituras maiores, como no caso de um livro, ainda é preferível usar um dispositivo com tinta eletrônica (ou um livro de verdade). Qualquer tarefa que envolva uma boa dose de digitação precisa de um teclado de verdade. Para todo o resto, o tablet é um dispositivo legal.
Dá para hackear?
Um dos melhores recursos do Android é que, intencionalmente ou não, um bom número de dispositivos que fazem uso dele oferecem ao usuário um alto nível de acesso. A lista de dispositivos suportados pelo CyanogenMod é bem extensa. Com isso, quando um dispositivo como o Xoom bate na porta da gente, é natural que nos perguntemos até onde vai a abertura dele. É cedo para dizer, mas há alguns indícios positivos.
Para começar, não é necessário nenhum malabarismo para obter acesso root. O Xoom não foi bloqueado pela Motorola, então um simples:
fastboot oem unlock
funciona sem rodeios. Uma das primeiras coisas que os desenvolvedores fizeram com esse tipo de acesso foi criar um kernel substituto que permite fazer overclocking, adiciona o módulo TUN para o suporte a OpenVPN e habilita o slot para cartão SD (que estava prometido para uma futura atualização de software) na distribuição padrão do Xoom.
Não parece haver uma distribuição alternativa completa que possa ser usada no Xoom. De qualquer forma, alternativas completas só serão possíveis se o Google decidir lançar o código fonte do Honeycomb. Isso infelizmente vai atrasar indefinidamente a disponibilidade de distribuições como o CyanogenMod. O atraso só serve para diminuir a empolgação dos desenvolvedores em torno dos tablets baseados no Android.
Mas quais são as alternativas? Vale destacar que o MeeGo ainda existe, e que um dia, alguém pode acabar lançando um tablet de destaque tendo-o como base. O MeeGo teria algumas vantagens nesse formato: ele é mais parecido com um sistema operacional tradicional, o que pode fazer sentido em um dispositivo que pode se comportar mais como um computador tradicional. Se alguém conseguir preparar logo um dispositivo desses, talvez a coisa engrene. Também há vários motivos para se ficar de olho no tablet que vai sair com o WebOS. O Android se encaixa bem nos tablets, mas ele está longe de ser completo, e ainda não dominou o segmento. Ainda existe oportunidade para a concorrência, vamos ver quem vai aproveitá-la.
Créditos a Jonathan Corbet – lwn.net
Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>
Esta postagem foi modificada pela última vez em 28/04/2011 15:34