A Apple completará oficialmente 50 anos amanhã, dia 1º de abril de 2026, e o roteiro padrão de celebração ficará concentrado nos dois nomes mais famosos em relação a fundação da empresa: Steve Jobs e Steve Wozniack. Mas o pontapé inicial da empresa contou com uma terceira pessoa, que aparece no contrato de fundação, assinado naquela mesma data, só que em 1976: Ronald G. Wayne.
O documento que Wayne assinou junto com Stephen G. Wozniak e Steven P. Jobs formalizava uma empresa criada para fabricar e vender máquinas de computação, componentes e produtos associados. O próprio nome “Apple” era provisório: como Jobs já explicou, era apenas uma forma de preencher o formulário administrativo enquanto os três não encontravam algo melhor, detalhe confirmado por Wozniak em sua autobiografia iWoz. O nome ficou, mas Wayne não. E ele saiu bem rápido!
A versão mais repetida da história é que Wayne vendeu sua participação, de 10% na Apple, doze dias após a fundação da empresa, por US$ 800. No entanto, durante evento no Computer History Museum, Wayne explicou uma nuance importante da história.
A explicação de Wayne é técnica. Em abril de 1976, a Apple ainda não era uma empresa incorporada, era uma sociedade simples, onde cada sócio carregava responsabilidade pessoal ilimitada pelas dívidas da empresa. O primeiro pedido relevante havia chegado: 50 unidades do Apple I para a loja Byte Shop, o que exigia cerca de US$ 15.000 em componentes, aproximadamente US$ 100.000 em valores de hoje. Wayne avaliou o risco de exposição financeira e optou por sair. O que ele fez, juridicamente, foi uma retirada da sociedade, não uma venda de participação.
Quanto ao pagamento de US$ 800, Wayne disse no evento: “Para ser honesto, achei que era uma gorjeta, e barata.” Ele afirma que o dinheiro chegou sem explicação e que não o interpretou, naquele momento, como uma liquidação da sua fatia na empresa. Mais tarde, em 1977, quando a Apple foi incorporada formalmente, recebeu outros US$ 1.500 como encerramento da relação, totalizando US$ 2.300. Corrigido pela inflação, esse valor equivale a US$ 13.429.
Em post recente na sua conta no X, Wayne relembrou sua trajetória com a Apple “É difícil acreditar que já se passaram 50 anos desde que os três de nós assinamos a existência da Apple. O Apple-1 e o Apple II foram apenas o começo, e acompanhar essa jornada desde então foi extraordinário. Orgulhoso de ter desempenhado meu papel.” As fotos que acompanham a publicação mostram o esquemático original do Apple-1, datado de 2 de abril de 1976, com o nome R. Wayne na linha de desenhista, ao lado de S. Jobs e S. Wozniak como engenheiros de projeto”, escreveu.
Responsável pelo primeiro logo da Apple
Esse primeiro logo não tem nada a ver com a maçã mordida que o mundo conhece hoje. Wayne criou uma ilustração a tinta de Isaac Newton sentado sob uma macieira, com uma maçã prestes a cair sobre sua cabeça. A conexão era deliberada: Jobs insistia na palavra “apple” e Wayne fez a ponte com Newton. O logo ficou em uso por cerca de um ano, até ser substituído em 1977 pela maçã arco-íris desenhada por Rob Janoff.
91 anos e um novo projeto
Wayne nasceu em 17 de maio de 1934 em Cleveland, Ohio, e está hoje com 91 anos. Sua trajetória antes da Apple incluiu trabalho em engenharia eletrônica e o desenvolvimento de uma das primeiras máquinas de caça-níquel totalmente eletrônicas aprovadas pelo Nevada Gaming Control Board. Depois da Apple, ficou décadas longe dos holofotes. Agora, segundo informações divulgadas no evento do Computer History Museum, está colaborando com o engenheiro Charles Stigger num projeto de nova arquitetura computacional, com foco em melhorar desempenho com menor consumo de energia.
Esta postagem foi modificada pela última vez em 31/03/2026 13:04