Conectividade

Depois de sobreviver às pegadinhas da instalação, reiniciei o computador. Como tudo no Puppy, a inicialização foi rápida. O desktop é bem “pra cima”, com um monte de ícones artísticos. A resposta quando a gente clica em um link é tão imediata que parece que você está usando um mainframe. O tempo de resposta instantâneo é uma das coisas mais prazerosas do Puppy.

Desktop padrão do Puppy Linux 5.2.5

Desktop padrão do Puppy Linux 5.2.5

Depois de admirar a estética da distro, meu próximo objetivo era o de entrar na internet, e aqui a coisa foi mais traumática do que pensei que seria. Embora às vezes eu use algum ponto de WiFi, a minha conexão com a internet é quase que exclusivamente gerida por um modem 3G USB. Clicando nos menus eu escolhi a opção “Setup > Internet Connection Wizard”. Ali, escolhi “Internet by dialup analog or wireless modem” (internet discada ou wireless). No meio da configuração o Puppy travou. A tela congelou, o cursor não se movia. Nem CTRL + ALT + Backspace me tiraram dessa fria. Tive que reiniciar na marra, desconectando a tomada e removendo a bateria do laptop.

Só que isso causou outros problemas. O Puppy não se recupera bem de travamentos, embora eu o tenha instalado com o robusto sistema de arquivos ext4. Quando tentei inicializar, fui informado de que o Puppy não tinha sido desligado corretamente. Por fim ele iniciou, mas só abriu um prompt de comandos em modo texto. Uma mensagem de erro me levou a entender que seria necessário rodar o comando fsck como root. O problema é que rodar o fsck em uma partição montada costuma ter efeitos desastrosos. Felizmente, o fsck o informa quanto a isso quando você tenta lançá-lo, e oferece a oportunidade de desistir. Nesse ponto, a coisa certa a fazer é reiniciar o computador com o live CD do Puppy ou por outra instalação Linux que já exista no computador. Em seguida, como o meu Puppy estava instalado em /dev/sda3, rodei este comando como root:

# fsck /dev/sda3

Fui informado de que o fsck havia recuperado o journal com sucesso, e que tudo estava numa boa. Reiniciei a máquina, e dessa vez fui levado ao prompt de comandos sem receber nenhuma mensagem de erro. O desktop gráfico não abriu, então digitei “startx” e apertei enter. Felizmente isso me levou de volta ao desktop do Puppy, e tudo parecia estar bem. Apesar disso, não posso dizer que essa grande aventura me inspirou muita confiança, e imagino que um novato, diante dessa complexidade, apelaria para o CD de instalação do Windows.

Resumindo a história, descobri que para configurar a banda larga 3G eu tinha que criar um arquivo chamado /etc/wvdial.conf. O lance é saber o que escrever nesse arquivo, então vou incluir o meu aí embaixo. Ele provavelmente vai funcionar com você, mas talvez seja necessário mexer em algumas configurações dependendo do seu provedor de internet. Vamos lá:

     [Dialer Defaults]
     Modem = /dev/ttyUSB0
     Baud = 460800
     Init1 =
     Init2 = ATZ
     Init3 = ATQ0V1E1S0=0&C1&D2S11=55+FCLASS=0
     Carrier Check = no
     Dial Command = ATDT

     [Dialer isp1]
     Phone = *99#
     Username = ppp
     Password = ppp
     Stupid Mode = yes
     Auto Reconnect = yes

     [Dialer isp1apn]
     Init5 = AT+CGDCONT=1,"IP",""

     [Dialer isp2]
     Phone = *99#
     Username = ppp
     Password = ppp
     Auto Reconnect = yes

     [Dialer isp2apn]
     Init5 = AT+CGDCONT=1,"IP",""

     [Dialer pin]
     Init1 = AT+CPIN=

     [Dialer wireless]
     #Para forçar apenas 2G ou 3G, descomente a linha Init4 e acrescente 0 (2G) ou 2 (3G); em seguida, substitua MYOPS pelo nome do seu provedor.
     #Init4 = AT+COPS=0,0,"MYOPS",
     #As linhas de Init6 a Init9 estão disponíveis para uso ao gosto do freguês, podendo ser usadas conforme mostram os exemplos:
     #Para forçar a qualidade 3G do nível de serviço, descomente as linha Init6 e Init7 e defina cada valor duas vezes para 384k/144k/64k, omitindo o "k" (por exemplo, =1,4,64,384,64,384).
     #Para listar todos os APNs (nomes de pontos de acesso) armazenados no modem, descomente a linha Init8 e procure por linhas começando com +CGDCONT: no log de status de conexão.
     Para listar o identificador do operador armazenado no modem, descomente a linha Init9; procure por linhas começando com +COPS: no log de status de conexão.
     #Init6 = AT+CGEQMIN=1,4,64,384,64,384
     #Init7 = AT+CGEQREQ=1,4,64,384,64,384
     #Init8 = AT+CGDCONT?
     #Init9 = AT+COPS?

O arquivo acima configura o PupDial, que é a interface gráfica do Puppy para o programa em modo texto wvdial. Para se conectar, clique no botão “Connect”. Só que o PupDial não dá feedback nenhum. Para ter certeza de que está conectado, abra o navegador (já vamos falar nele) ou tente dar um ping no distrowatch.com pela linha de comando:

     root@puppypc:~> ping distrowatch.com

A última tarefa relacionada à conectividade é executar o utilitário de firewall no menu “Setup –> Linux-Firewall Wizard”. Essa parte é moleza, basta aceitar as opções padrão. É configurar uma vez e não mexer mais nisso. Um ícone de firewall fica visível no painel no canto inferior direito. Passando o mouse por cima dele, surge a mensagem indicando que o firewall está ativado (“Firewall On”).

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