Qual foi a primeira placa de vídeo e quando ela foi lançada? Veja aqui os detalhes

A primeira placa de vídeo lançada para PC foi a Monochrome Display Adapter (MDA), criada pela IBM em 1981 junto com o lançamento do IBM PC 5150. 

Capaz de exibir apenas texto monocromático em resolução de 80 × 25 caracteres sem suporte a gráficos, a MDA marcou o início da era dos adaptadores de vídeo discretos — cartões plugáveis em slots de expansão ISA, não chips integrados à placa-mãe.

IBM PC 5150

Quase simultaneamente, a IBM também lançou a Color Graphics Adapter (CGA), primeira placa a trazer cores e gráficos reais ao universo dos PCs. Essa distinção entre gráficos embarcados e dedicados tornou-se a base da arquitetura modular que define os computadores pessoais até hoje

Embarcado vs. Dedicado: duas abordagens

Monochrome Display Adapter (MDA)

É essencial compreender a distinção entre chips gráficos integrados e placas dedicadas. O chip de vídeo onboard é soldado diretamente na placa-mãe e compartilha memória RAM e processador com o sistema, reduzindo significativamente o desempenho em tarefas gráficas intensas. Já a placa offboard possui processador próprio (GPU) e memória dedicada, funcionando de forma independente e liberando recursos do computador.

No início da era PC/XT, todos os componentes eram integrados à placa-mãe. Com o padrão AT, surgiram as placas de expansão, permitindo ao usuário escolher componentes externos de maior qualidade e desempenho. A arquitetura aberta do IBM PC possibilitou, assim, que terceiros fabricassem placas com capacidades muito superiores.

Os primeiros passos: da IBM ao Hercules

Hercules Graphics Card (HGC)

O Monochrome Display Adapter (MDA) foi o primeiro adaptador de vídeo para PC capaz de exibir apenas texto monocromático em resolução de 80 × 25 caracteres, sem suporte a gráficos. Apenas um ano depois, a Hercules Computer Technology revolucionou o mercado com a Hercules Graphics Card (HGC), que combinava o padrão de texto MDA com um modo gráfico bitmap de alta resolução (720 × 348 pixels). A HGC tinha 64 KB de memória de vídeo — 16 vezes mais que a MDA — tornando-se padrão de fato amplamente suportado, especialmente para configurações de monitor duplo usadas por programadores.

A IBM lançou a Color Graphics Adapter (CGA) em 1981 como sua primeira placa com capacidade para display colorido, equipada com 16 KB de memória e suporte para dois modos principais de texto e gráficos. Embora a CGA fosse famosa por limitações, ela realmente oferecia até 16 cores em resoluções de até 640×200 pixels, com modos de texto e gráficos que podiam ser exibidos em monitores CRT RGB ou televisões compatíveis com NTSC. Na prática, as restrições visuais variavam conforme o modo, equilibrando cores e resolução para garantir desempenho.

CGA na resolução 320×240 pixels

O avanço veio em 1984 com a Enhanced Graphics Adapter (EGA).

A SuperEGA HiRes permitia ao usuário criar até 512 caracteres personalizados, suportava 80×60 modos de texto e vinha equipada com chip CMOS proprietário (V151). Outro destaque era o suporte a múltiplos monitores e uso simultâneo de frequências, além de compatibilidade com softwares IBM padrão e aplicativos profissionais: AutoCAD, Lotus, WordPerfect, WordStar, entre outros. O pacote incluía drivers para uma vasta gama de programas, ampliando consideravelmente o potencial dos PCs equipados.

Esses modelos “Super EGA” confirmam como o padrão EGA não só trouxe 16 cores selecionáveis de uma paleta de 64 e 640×350 pixels, mas inspirou um movimento de inovação entre fabricantes alternativos, que buscavam entregar mais resolução, mais compatibilidade e funções avançadas para o nicho de produtividade e design gráfico da segunda metade dos anos 1980.

Finalmente, em 1987, o Video Graphics Array (VGA) revolucionou o mercado com suporte a resoluções de 640×480 pixels, até 256 cores simultâneas, arquitetura em chip único e o padrão do conector VGA, que perdurou décadas. Isso consolidou o PC como plataforma multimídia.

O primeiro acelerador gráfico profissional

Em 1984, a IBM apresentou o Professional Graphics Controller (PGC), considerado o primeiro sistema gráfico para PC com processamento dedicado. O PGC consistia em um conjunto de três placas, incluindo um processador Intel 8088 a 8 MHz, 320 KB de RAM dedicada e suporte a 640×480 pixels com 256 cores a 60 Hz — bem superior ao CGA e EGA

Focado em CAD e ambientes profissionais, liberava a CPU da computação gráfica pesada, algo revolucionário para a época. O alto custo restringiu seu uso a nichos especializados, mas serviu de precursor às modernas GPUs dedicadas. Foi descontinuado em 1987, com o avanço do VGA e do padrão 8514.

A era da aceleração 3D

Na década de 1990, a aceleração 2D e 3D se popularizou com placas como S3 ViRGE, ATI Rage e Matrox Mystique, além da pioneira 3dfx Voodoo, que focava exclusivamente em gráficos 3D.

Mas a verdadeira mudança veio em 1999, quando a NVIDIA lançou a GeForce 256, intitulada a primeira “GPU do mundo”. Esse chip único integrou funções de transformação e iluminação (T&L) diretamente na placa, dissociando tarefas gráficas da CPU e oferecendo suporte ao Direct3D 7. Essa revolução possibilitou os gráficos avançados e o processamento paralelo que definem os jogos e a computação atual

A primeira GPU moderna

GeForce 256

A NVIDIA popularizou o termo “GPU” em 1999 ao lançar a GeForce 256 em 11 de outubro, comercializada como “a primeira GPU do mundo”. A empresa definiu GPU como “um processador de chip único com transformação integrada, iluminação, configuração/recorte de triângulo e motores de renderização capazes de processar no mínimo 10 milhões de polígonos por segundo”.

A GeForce 256 incluía recursos como hardware T&L (Transform and Lighting) no processador gráfico em vez de transferir essas tarefas para a CPU. Com GPU fabricada pela TSMC em processo CMOS de 220 nm, a placa ofereceu um salto notável no desempenho de jogos 3D para PC e foi a primeira aceleradora 3D totalmente compatível com Direct3D 7.

Colecionador impressiona com mais de 1000 placas de vídeo, 2500 CPUs, 400 placas-mãe e 300 PCs

Ao longo dos anos, as GPUs foram se tornando cada vez mais fundamentais para a evolução do mercado de tecnologia de maneira geral. Atualmente, vemos isso com tudo que envolve o mercado de IA, com supercomputadores responsáveis por manter no ar serviços que se tornaram essenciais para o dia a dia de milhões de pessoas mundo afora, como o ChatGPT.

Ver Mais

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
Postagem relacionada