Tablet PCs: o novo fenômeno no mercado de PCs

Os computadores pessoais no estilo tablet parecem ser a extensão lógica de quase qualquer tipo de dispositivo para leitura usado pela humanidade: das tabuletas de argila às revistas e leitores de ebooks. Em 2011, teremos pelo menos 70 modelos diferentes de tablet PCs lançados, e dezenas de milhões vendidos.

É difícil dizer quem inventou o conceito da computação pessoal em tablets. As telas sensíveis ao toque (ou ao menos algum tipo de tela sensível ao toque) existem há décadas, e foram usadas para diversas aplicações. Os primeiros dispositivos digitais no estilo tablet PC surgiram no meio da década de 50, mas não estamos falando de computadores, e sim de dispositivos que não eram exatamente produzidos em massa. A IBM e outras empresas lançaram vários tablets com reconhecimento de manuscrito nos anos oitenta, mas suas funções eram muito limitadas e não podemos chamá-los de PCs.

Fujitsu Stylistic 1000

Fujitsu Stylistic 1000. Imagem extraída do site Winhistory.de

A Microsoft lançou o Windows for Pen Computing em 1991, com o objetivo de permitir a entrada de dados usando uma caneta (stylus) em vez do teclado ou do mouse. Vários produtos, incluindo o tablet Fujitsu Stylistic 1000 com Windows 3.11, foram lançados com o Windows for Pen Computing. Na mesma época, uma empresa pouco conhecida, a Go Corp., lançava seu PenPoint OS, que acabaria sendo usado pelo IBM ThinkPad. A IBM viria a desenvolver vários outros sistemas de entrada de dados nesse estilo para muitos de seus produtos (como, por exemplo, o ThinkPad 730 TE). A Microsoft atualizou seu WPC para a versão 2.0 com o lançamento do Windows 95, mas assim como aconteceu na versão anterior, o novo sistema operacional não se tornou incrivelmente popular e só foi usado em dispositivos para fins específicos, em mercados verticais.

A primeira tentativa real de popularizar os tablet PCs ocorreu em 2001, quando a Microsoft revelou seu sistema operacional Windows XP Tablet PC Edition. Os tablet PCs rodando Windows não conquistaram muito espaço, mas pelo menos foram usados tanto por especialistas quanto pelos consumidores. No início de 2006, vários fabricantes de PCs apresentaram os então chamados MIDs, que eram dispositivos móveis para internet sem teclado, porém compatíveis com todos os aplicativos já criados para o Windows. Esses dispositivos, vendidos por empresas como Asustek, Samsung e Sony, eram meio grandinhos por causa do processador “faminto” por energia, e acabaram não pegando entre os consumidores. Embora o Windows Vista oferecesse funcionalidades presentes no XP Tablet PC Edition, o único tablet mais famoso baseado nele foi o HP TouchSmart tx2-series.

Como o Windows exigia processadores x86 nos PCs, era impossível fazer um tablet realmente fino e elegante com bom desempenho; escolhas naturais para os tablets incluíam a arquitetura ARM e um sistema operacional que não fosse da Microsoft. Ciente disso, a Apple lançou o iPad com um sistema operacional iOS modificado no segundo trimestre de 2010. Mesmo sendo um tanto pesado, o iPad logo se tornou popular entre as pessoas que não precisavam de netbooks, e se tornou o primeiro tablet PC da história a vender milhões. O sucesso do tablet era previsível, e já havia sinais apontando para o lançamento de PDAs “grandes” em 2010. O que nos surpreendeu foi o fato de só a Apple e a Samsung terem lançado tablets populares no ano passado.

Samsung Galaxy Tab

Craig Ellis, um analista da Caris & Company, previu que pelo menos 69 tablets de vários fabricantes seriam exibidos na feira CES, realizada em janeiro – no fim das contas, o número passou de cem. Segundo ele, teríamos 18 tablets Intel Atom SoC (“system on a chip”, ou sistema em um chip), 15 tablets Nvidia Tegra, 10 dispositivos movidos pela Freescale Semiconductor e 6 tablets SoC da Texas Instruments no evento. Também já era de se imaginar que teríamos SoCs da Marvell, da Qualcomm e de outras empresas. A Intel disse ter garantido 35 designs com seus SoCs Oak Trail e Moorestown (Atom Z600) para 2011.

No momento, os principais fabricantes de notebooks, placas-mãe e vários dispositivos de alta tecnologia estão trabalhando em seus tablets, incluindo Asustek, Acer, Cisco, Dell, Elitegroup Compute Systems (ECS), Fujitsu, HP, Lenovo, LG Electronics, MicroStar International (MSI), Research in Motion, Toshiba e muitos outros.

Como os tablet PCs serão baseados em hardware bem variado – SoCs Intel, SoCs ARM com mais de um núcleo, SoCs ARM de núcleo único e alta velocidade, SoCs genéricos – os dispositivos vão ser bem diferentes uns dos outros. Alguns vão se esforçar para oferecer um desempenho máximo e a melhor experiência com o Windows, mas a bateria não vai durar muito; outros vão oferecer desempenho mais modesto, mas terão bateria mais duradoura; o terceiro tipo vai ter bateria que dura por muito mais tempo, mas a troco de perdas no desempenho e nas funcionalidades. Resumindo, o mercado de tablets já vai começar bem segmentado, e quase todo mundo vai encontrar um produto com aquele equilíbrio único entre preço, desempenho e recursos. Este vai ser o ano da explosão do mercado de tablets.

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